Conheça os dez professores finalistas do Global Teacher Prize deste ano

Conheça os dez professores finalistas do Global Teacher Prize deste ano

O vencedor vai ser anunciado pelo Presidente da República a 29 de maio. Prémio de 30 mil euros é o "reconhecimento pelo trabalho diferenciado e inovador" e "contributo extraordinário para a profissão"
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Já são conhecidos os dez professores finalistas da edição deste ano do Global Teacher Prize, cujo vencedor vai ser anunciado pelo Presidente da República, António José Seguro, a 29 de maio.

Trata-se da versão nacional do prémio mundial Global Teacher Prize, também conhecido internacionalmente como "Nobel da Educação", que abrange professores de mais de 100 países. Pretende-se distinguir "professores que se destacam pela inovação pedagógica, impacto na comunidade, dedicação aos alunos e contributo para o futuro da educação".

Em Portugal, o prémio, no valor de 30 mil euros "a investir na disseminação" da "abordagem" do vencedor "pela comunidade", vai ser entregue "a um professor como reconhecimento pelo trabalho diferenciado e inovador com os alunos, e pelo contributo extraordinário para a profissão", refere a organização.

Os finalistas do prémio deste são "dez professores de diferentes pontos do país, níveis de ensino e áreas de trabalho, unidos por uma coisa em comum: a capacidade de transformar a educação com visão e impacto real nas suas comunidades", explica a organização, numa publicação nas redes sociais.

Pode consultar aqui mais informações sobre o Global Teacher Prize.

Conheça os 10 finalistas da edição deste ano do Global Teacher Prize

- Anabela da Conceição Ferreira dos Santos Morte

É educadora de infância no Agrupamento de Escolas Professor Paula Nogueira, em Olhão, Algarve, e "desenvolve a sua prática na área da intervenção precoce, com enfoque na capacitação de famílias e na educação inclusiva".

"É formadora em ações no domínio da intervenção precoce e da educação inclusiva, tendo dinamizado iniciativas de consultoria colaborativa e formação de educadores no âmbito de centros de formação e projetos comunitários", refere a organização, referindo que "o seu trabalho destaca-se pela articulação entre escola, família e comunidade, promovendo práticas colaborativas que reforçam o desenvolvimento infantil e a inclusão educativa desde a primeira infância".

"Entre os projetos que desenvolveu, destaca-se a “Escola de Pais”, criada na Biblioteca Municipal de Olhão, onde promoveu sessões abertas à comunidade sobre desenvolvimento infantil, inclusão, linguagem, sono e o papel do brincar, envolvendo famílias, educadores e técnicos num espaço de aprendizagem e capacitação conjunta", lê-se na nota do Global Teacher Prize.

Um dos grandes objetivos desta finalista "passa por capacitar os colegas com estratégias práticas para responder às necessidades específicas de cada criança e respetivas problemáticas, incentivando abordagens reflexivas que tornem a prática docente mais humana e qualificada".

Caso vença a edição deste ano, "Anabela pretende criar uma rede de suporte ao desenvolvimento neuropsicológico e emocional das crianças do Agrupamento e da comunidade de Olhão através da criação de salas de snoezelen e de calma".

- Bruno Filipe Ferreira Estima

É professor na Escola de Artes da Bairrada desde 2005, onde leciona percussão e disciplinas do ensino especializado da música. O "professor Bruno vivenciou através de um exemplo próximo que a escola pode ser um ecossistema vivo". É licenciado em Ensino da Música pela Universidade de Aveiro e "desenvolve uma prática pedagógica centrada na criação artística e na aprendizagem em contexto coletivo".

"É fundador do projeto CRASSH, um ecossistema pedagógico e artístico baseado na exploração de 'tudo o que faz som', que integra alunos e ex-alunos num modelo de aprendizagem colaborativa. A sua atividade estende-se a colaborações com instituições como a Casa da Música e o Tokyo Bunka Kaikan, bem como à curadoria de projetos e festivais de caráter artístico e educativo, promovendo a ligação entre ensino, criação musical e intervenção comunitária", refere o Global Teacher Prize.

"A sua metodologia procura reinventar a aula tradicional de instrumento como um espaço de experimentação artística e humana, promovendo simultaneamente o espírito de grupo nas classes de conjunto. A música surge, na sua abordagem, como um veículo de criatividade, expressão, identidade e liberdade individual ao serviço do coletivo e da comunidade", acrescenta-se.

Se for o vencedor do prémio, este finalista "pretende investir num projeto de alcance nacional que assinala duas décadas de ensino e performance, celebrando os 20 anos do CRASSH, em 2026/2027".

- Clara Sofia Torres Gomes

Professora de português e francês no Agrupamento de Escolas D. Afonso Sanches, em Vila do Conde, esta finalista "dedica o seu percurso à promoção da literacia e da inclusão educativa através de práticas sustentadas pela investigação científica".

Indica o Global Teacher Prize que é "doutorada em Ciências da Educação e especialista em dificuldades de aprendizagem, é fundadora da cooperativa Descolar que tem como missão promover o sucesso educativo, apoiando crianças, famílias e escolas através de abordagens diferenciadas, inclusivas e cientificamente validadas".

"Ao identificar uma lacuna ao nível da consciência fonológica, criou o projeto 'Sagas de Claire', um programa inovador que integra videojogo, jogos pedagógicos e literatura infantil para desenvolver competências de leitura em crianças desde a educação pré-escolar. Implementado em diferentes contextos educativos e utilizado por mais de mil crianças, o projeto tem vindo a destacar-se pelo trabalho desenvolvido na prevenção das dificuldades de leitura, na formação de professores e na criação de ferramentas educativas acessíveis e cientificamente sustentadas", explica a organização .

Esta professor "pretende expandir o alcance do projeto Sagas de Claire, proporcionando a um número crescente de crianças oportunidades de aprendizagem envolventes, significativas e transformadoras", caso seja a vencedora deste ano.

- Ana Cláudia Vieira Fontão

É docente no Agrupamento de Escolas Dra Laura Ayres, exercendo funções na EB1 de Quarteira. A "arte é a linguagem mais autêntica de conexão humana”, defende esta professora, cuja "prática pedagógica desenvolve-se a partir da educação artística, integrando o teatro, as artes plásticas e a expressão criativa como ferramentas centrais de aprendizagem".

"Ao longo do seu percurso, tem implementado projetos com forte ligação à comunidade educativa, como 'Espreitar a Escola', que promove a articulação entre ciclos através de oficinas dinamizadas por alunos, e '0Nós não somos artistas, mas encaixamo-nos', desenvolvido em contexto PIEF, com enfoque na expressão artística e na economia circular. Estes projetos têm reforçado a inclusão, a autoestima e o envolvimento dos alunos na aprendizagem", lê-se na descrição desta finalista.

Professora do 1.º ciclo, "o seu trabalho centra-se na valorização da educação artística como base para o desenvolvimento da criatividade, da autonomia e da confiança dos alunos, promovendo uma escola mais inclusiva, participativa e ligada à comunidade".

"Se vencer o prémio, Ana Cláudia irá concretizar um projeto de impacto sistémico através da criação do Espaço Oficina, um laboratório dedicado à literacia artística e ao empreendedorismo no 1.º Ciclo", refere a Global Teacher Prize.

- Daniel António Pires Teixeira

"Professor de Educação Visual e Educação Tecnológica no Agrupamento de Escolas de Benavente, o professor Daniel tem como missão formar cidadãos inteiros — autónomos, críticos e solidários, procurando ensinar, acima de tudo, presença, ética, cooperação e sentido de comunidade", descreve o Global Teacher Prize.

Nesse sentido, criou o projeto DoTamanhoDoMundo, "uma iniciativa pedagógica centrada na ligação entre escola e comunidade". "Desenvolve uma prática educativa baseada em contextos reais de aprendizagem, promovendo projetos intergeracionais, ações comunitárias e experiências educativas abertas, envolvendo alunos, famílias e diferentes agentes sociais".

“Quando um aluno descobre que o seu potencial é DoTamanhoDoMundo, a escola deixa de ser obrigação e passa a ser possibilidade. Ao prepararmos alunos éticos e responsáveis, garantimos uma sociedade capaz de enfrentar desafios globais com esperança”, defende este professor.

Caso seja o nome anunciado como o vencedor deste ano, "irá expandir o projeto DoTamanhoDoMundo "através da criação de recursos pedagógicos, formação de professores, apoio a projetos-piloto e iniciativas de inclusão cultural, com o objetivo de transformar o protagonismo de alunos e docentes num movimento de inovação educativa à escala nacional".

- David Pedro Santos Miguel

É professor de Análise e Técnicas de Composição na Escola Artística do Conservatório de Música de Coimbra desde 2012. " O professor David sente-se feliz e realizado através da partilha de conhecimento, da construção de personalidades e das relações que estabelece que estão assentes no respeito e na confiança", indica o Global Teacher Prize.

"Formador na área da música, destaca-se pelo desenvolvimento de ações de formação que exploram o heavy metal como expressão artística de elevada riqueza estética, técnica e cultural, aproximando-o da música clássica. Através deste trabalho, promove reflexões sobre diversidade, inclusão, motivação e mediação de jovens, incentivando práticas pedagógicas rigorosas e inovadoras que já impactam professores e alunos em várias escolas do país", lê-se na sua descrição.

"Acredita que a mitigação dos riscos associados à avaliação com recurso à inteligência artificial passa pelo reforço da dimensão humana em sala de aula, valorizando a comunicação, a oralidade, a avaliação presencial, o feedback imediato e o domínio efetivo dos conteúdos".

Se for o escolhido deste ano para ser o vencedor, este professor pretende concretizar o projeto “Riffonia”, um "estágio orquestral para alunos de música que cruza repertório clássico com rock e metal, promovendo uma experiência artística inovadora".

- Fernanda Cristina Correia Diogo

"Professora de História na Escola Secundária Dr. José Afonso [Seixal] desde 2018, onde leciona História, Fernanda desenvolve uma prática pedagógica centrada em metodologias ativas e na participação dos alunos. Através de metodologias de aprendizagem centradas no aluno e não na mera transmissão de conteúdo, promove o pensamento crítico, autonomia, criatividade, responsabilidade e cidadania ativa nos alunos", descreve a Global Teacher Prize.

É através do projeto “Viagens com História” que "garante a inclusão de todos os alunos através da partilha e avaliação entre pares, em que os participantes em viagens internacionais apresentam os conhecimentos adquiridos aos colegas e estes dinamizam atividades equivalentes em visitas nacionais, assegurando equidade no acesso às experiências educativas".

Fernanda Cristina Correia Diogo coordenou o Projeto Parlamento dos Jovens e integrou o Projeto Euroescolas, "promovendo o envolvimento dos alunos em experiências de cidadania e participação democrática, com representação regular em fases distritais e nacionais".

"O seu trabalho valoriza a aprendizagem pela experiência, através de debates, apresentações e atividades de investigação, defendendo a História como ferramenta essencial para a formação de cidadãos críticos e interventivos", lê-se no perfil desta finalista.

No caso de ser a vencedora deste prémio, a professor quer "possibilitar experiências como o projeto 'Viagens com História' a alunos com menos possibilidades económicas ou promover as áreas artísticas como o teatro e a música".

- Hugo Miguel de Almeida Pais de Carvalho

Docente no Agrupamento de Escolas de Albergaria-a-Velha, no Ensino Profissional de Multimédia e coordenador do Centro Tecnológico Especializado Industrial, "acredita numa abordagem pedagógica assente em três eixos: 'equipas interanos, com mentores entre os alunos, modelo escola-empresa e avaliação multidimensional', refere o Global Teacher Prize.

"Desenvolve uma prática pedagógica centrada na aprendizagem em contexto real, integrando escolas e empresas através de projetos aplicados. É coordenador do projeto PIGO, reconhecido pela Comissão Europeia como boa prática educativa no âmbito do URBACT", lê-se na descrição deste finalista, cujo trabalho "tem sido acompanhado por investigação na área da inovação no ensino profissional, focando a preparação dos alunos para o ensino superior e para o mercado de trabalho através de modelos pedagógicos imersivos e baseados em projetos reais".

"Através destes modelos pedagógicos", este professor "afirma que se verificam mudanças rápidas nos alunos que chegam desmotivados e com uma visão negativa do ensino profissional". "Esta transformação é visível através do aumento significativo da motivação, do foco e das expectativas em relação ao futuro – tanto para os alunos, como para os pais e para a própria sociedade".

"Caso vença o prémio, o professor Hugo irá criar um Centro Tecnológico Especializado de Multimédia para a Comunidade, integrado na Incubadora de Empresas de Albergaria, que aproxima a escola do tecido empresarial local através do desenvolvimento de projetos reais para start-ups e empresas da região", explica a organização do prémio.

- Margarida Cristina Magalhães Seixas

Docente na Escola Secundária Camilo Castelo Branco, onde leciona Tecnologias de Informação e Comunicação e Eletrónica Fundamental, "a professora Margarida iniciou o seu percurso de docente no ensino superior, mas viu no ensino secundário uma oportunidade de crescimento profissional".

É licenciada em Engenharia Eletrotécnica, com profissionalização em Matemática, Informática e Eletrotecnia. "Esteve envolvida na criação de quatro laboratórios de eletrónica e participou na implementação do Centro Tecnológico Especializado (CTE) de Informática e na criação do Laboratório de Ideias, projetos centrados na aprendizagem prática, interdisciplinar e na inovação tecnológica", lê-se na nota do Global Teacher Prize.

Desenvolveu ainda Recursos Educativos Digitais (RED), incluindo a “Academia Digital de Eletrónica”, o RED “Multidisciplinar”, o RED “Boas Práticas” e o RED “Literacia Financeira”, promovendo a partilha de recursos pedagógicos, explica a organização.

"Integra projetos de transformação digital e melhoria contínua da escola e participa em iniciativas como a Camilo TV, o circuito interno de TV, o anuário, o Museu Virtual e projetos ambientais como Eco-Escolas, Escola Azul, Green Cork, Escola Eletrão e 'Separa e Ganha', promovendo a inovação, a comunicação e a sustentabilidade", destaca-se.

Se vencer a edição deste ano do prémio, esta professora "irá criar um Espaço Multissensorial de Aprendizagem Imersiva, que integra conteúdos curriculares, simulações práticas e desenvolvimento socioemocional em ambiente digital, promovendo a aprendizagem, o bem-estar e a inclusão dos alunos, com abertura progressiva à comunidade e a parceiros institucionais".

- Marisa Augusta Moreira Teixeira

Educadora de infância no Agrupamento de Escolas de Alpendorada,em Marco de Canaveses, a professora Marisa vê “o Jardim de Infância não apenas como um espaço de recreação, mas como um laboratório de cidadania”, refere a organização do prémio.

É também referido que faz parte de projetos de inovação pedagógica no pré-escolar como “Seguros desde pequeninos”, centrado na educação para o risco, “Da Pré-História ao Pré-Escolar”, que integra literacia, geologia e prevenção sísmica, e “De Mim para Ti”, um projeto solidário de promoção da empatia.

"Desenvolve ainda o Clube Ciência Viva com Charcos e Hortas de Aromáticas, e iniciativas de literacia como a Pinhata das Palavras, promovendo a investigação científica e o desenvolvimento da linguagem desde a primeira infância. O seu trabalho articula-se também com entidades como a Proteção Civil, Bombeiros e Polícia Municipal, reforçando a ligação entre escola e comunidade", lê-se na descrição desta finalista.

Educar na infância é “construir os alicerces de cidadãos confiantes, sensíveis e resilientes, capazes de transformar o mundo num lugar mais seguro, mais justo e mais humano”, defende.

"Caso vença o prémio, a professora Marisa irá criar um Ecossistema de Aprendizagem Ativa e Cidadania, através da implementação de um Parque Pedagógico de Educação Rodoviária e Autoproteção, do reforço do Clube Ciência Viva e da Literacia Digital com equipamentos de investigação científica, e da expansão do projeto “De Mim para Ti” com a criação de um Estúdio de Expressão e Comunicação dedicado às artes e à produção cultural.

A cerimónia em que vai ser anunciado pelo Presidente da República o vencedor deste ano do Global Teacher Prize está marcada para o dia 29 de maio, no Auditório do Banco Santander.

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