Chegou a reforma há muito anunciada pelo Governo na área da Justiça. O Conselho de Ministros desta quinta-feira, 23 de julho, foi dedicado a este tema. As medidas foram apresentadas pela ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice e pelo ministro adjunto e da Reforma Administrativa, Gonçalo Saraiva Matias. O próximo passo é o envio ao Parlamento, atualmente em recesso. Conheça as principais iniciativas anunciadas.- Nova entidade para concursos públicos: será criada uma autoridade administrativa independente para decidir, de forma mais rápida, litígios relacionados com concursos públicos, adjudicações e exclusão de concorrentes. As decisões serão vinculativas, mas poderão ser alvo de recurso.- Indemnizações ao Estado sem recorrer logo aos tribunais: os cidadãos passam a poder pedir uma indemnização diretamente ao Estado através de um procedimento administrativo. Se não concordarem com a proposta apresentada, mantêm o direito de recorrer à Justiça.- Processos mais rápidos: ações administrativas até 15 mil euros terão tramitação eletrónica, prazos reduzidos para metade e uma duração máxima prevista de 18 meses. Também são reforçados os poderes dos juízes na gestão dos processos e clarificadas regras para processos urgentes e cautelares.- Mais arbitragem: cidadãos e empresas poderão resolver litígios com a Administração Pública através de centros de arbitragem autorizados, evitando os tribunais em alguns casos. Será criada uma comissão para supervisionar este sistema.TribunaisA reforma também introduz mudanças na organização dos tribunais administrativos e fiscais, com destaque para a imigração.- Passa a ser possível criar juízos especializados em imigração e proteção internacional.- Os processos contra a AIMA deixam de ficar concentrados num único tribunal (Lisboa) e passam a ser distribuídos por diferentes zonas do país- O Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais ganha mais competências de gestão e disciplina.- No Tribunal Arbitral do Desporto, o número de árbitros aumenta de 40 para 60, os processos passam a ser distribuídos de forma mais equilibrada e são reforçadas as garantias de independência e proteção de menores e pessoas vulneráveis.Administração Pública e AIMANa reorganização da Administração Pública, o Governo reforça o papel do Centro Jurídico do Estado, cria um Conselho Consultivo para uniformizar orientações jurídicas e aumenta a estrutura interna da AIMA, através da criação de novos cargos de direção intermédia.Tecnologia e cibersegurançaSerá criada uma unidade especializada no Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais (CSTAF) para auditar sistemas informáticos, identificar riscos, incluindo os associados à inteligência artificial, e reforçar a proteção de dados.Carreiras da Justiça e sistema prisional- Novas regras para o recrutamento de técnicos de justiça e escrivães, dando continuidade à reforma dos oficiais de justiça.- Extinção da carreira de administrador prisional, com integração dos trabalhadores na carreira de técnico superior, sem perda salarial.- Criação de novas carreiras de técnico superior de reintegração social e técnico de reintegração social, com novas tabelas salariais e suplemento de risco.Apoio aos magistradosPor fim, foi aprovado um regime único de assessoria técnica especializada para juízes e magistrados do Ministério Público. O objetivo é libertar magistrados para a atividade jurisdicional, reduzir pendências processuais e melhorar a qualidade técnica das decisões judiciais.amanda.lima@dn.pt.Governo vai distribuir processos contra a AIMA para tribunais de todo o país.Tribunal administrativo atribui aos processos AIMA a piora em indicadores da justiça