Comprar carro deixou de compensar para muitos jovens: 78% apontam os custos como principal travão
Ter um carro em Portugal é muito caro. Esta é uma das razões para que muitos jovens não tenham um veículo próprio, de acordo com um novo inquérito: 78% dos jovens apontam o custo da compra, combustível, seguro e manutenção como os travões.
Outras razões são a dificuldade em estacionar (43%) e preocupações ambientais (27%). Os dados estão no inquérito da Behavioural Insights Unit da Católica Lisbon School of Business & Economics, em parceria com a Bolt, divulgado pela empresa de TVDE esta sexta-feira, 04 de setembro.
Para 27% dos jovens entre os 18 e os 29 anos, a posse de um veículo está ligado à sua independência, mas está atrás da liberdade financeira (38%). O acesso flexível a transporte surge empatado com a posse de automóvel (27%) como fator de independência pessoal.
"O inquérito ainda que a conveniência pesa mais do que a posse de carro nas decisões de mobilidade dos jovens", diz o comunicado. Refere que 56% concordam que a conveniência é mais importante do que ter automóvel próprio e 41% dizem já preferir ter acesso a transporte a possuir um veículo.
"Os dados deste inquérito mostram uma mudança de paradigma na forma como os jovens portugueses pensam a mobilidade", afirma João Pedro Paz, Project Manager da Behavioral Insights Unit da Católica Lisbon, citado no comunicado. Foram mil residentes em Portugal entre os 18 e os 29 anos, no mês de junho de 2026.
"Ter carro continua a ser uma aspiração para muitos, mas esta geração dá também cada vez mais valor à conveniência, à flexibilidade e ao acesso a diferentes opções de transporte que se ajustem ao seu estilo de vida, sem o peso financeiro que a posse de um veículo implica", assinala João Pedro Paz".
O coordenador entende que se trata de uma mudança geracional. "Quando 78% dos jovens apontam o custo como principal razão para não quererem ter carro, isso diz-nos que a forma como esta geração pensa a mobilidade está a mudar de forma estrutural", vinca.
Em relação aos transportes, caminhar e usar transportes públicos são os hábitos mais enraizados desta chamada "Geração Z". Mais de 60% desloca-se a pé diariamente e 50% utiliza transportes públicos. De acordo com o comunicado, o retrato confirma que "que estes continuam a ser a base da mobilidade urbana dos mais jovens".
O TVDE, que é utilizado todas as semanas por cerca de 24% dos jovens, é visto como uma alternativa complementar. Na escolha do meio de transporte, a conveniência lidera, uma vez que 60% consideram-na "extremamente importante", seguida da disponibilidade a qualquer hora (55%) e da rapidez (50%).
"Se respondermos a esta mudança, podemos reduzir o peso financeiro sobre as gerações mais jovens, ao mesmo tempo que criamos cidades mais acessíveis e menos dependentes do automóvel privado", destaca Mário de Morais, diretor geral da Bolt Portugal. O mesmo estudo indica que 62% reconhecem que estas soluções de mobilidade partilhada reduzem a sua necessidade de ter carro próprio.

