Manifestantes querem manter tendas no Rossio
Manifestantes querem manter tendas no RossioPaulo Spranger

Câmara de Lisboa propôs três locais alternativos para Acampada de forma a permitir Mercado de Natal no Rossio

A montagem das bancas deveria arrancar esta terça-feira. Município reuniu com os comerciantes e com Renata Cambra. Organizadores da Acampada do Rossio recusam deixar espaço.
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Largo de São Domingos, Praça do Martim Moniz e os Restauradores. São estes os três locais propostos pela Câmara Municipal de Lisboa (CML) para a Acampada de Lisboa, que insiste em manter-se na Praça do Rossio e, dessa forma, inviabilizar a montagem do Mercado de Natal, que tem abertura prevista para o dia 13 de novembro.

A Câmara lisboeta procura uma solução que vá ao encontro da decisão do Tribunal Administrativo, permitindo a realização do habitual mercado natalício e a continuação das manifestações, tendo por isso reunido esta terça-feira (3 de novembro), com Renata Cambra, uma das líderes da Acampada de Lisboa, e com os comerciantes da Baixa, tendo proposto locais alternativos para a Acampada.

"A Câmara Municipal de Lisboa reconhece a importância das duas iniciativas e considera fundamental encontrar soluções que conciliem os diferentes interesses, respeitando o trabalho e a atividade dos comerciantes e a dinâmica da cidade durante a época natalícia, e também as condições para que os manifestantes mantenham o seu protesto sobre o tema da habitação", refere uma nota da autarquia enviada ao DN.

Os organizadores da Acampada de Lisboa, no entanto, já publicaram uma nota nas redes sociais onde dizem recusar sair daquele espaço: "A nossa luta não é contra quem trabalha nestes mercados, mas contra um modelo de cidade que expulsa moradores e transforma tudo em mercadoria. Exigimos à Câmara Municipal de Lisboa que desloque o Mercado de Natal e deixe o Rossio à luta!"

"Os representantes da Associação de Dinamização da Baixa Pombalina manifestaram a firme vontade de manter o tradicional Mercado de Natal do Rossio nos moldes habituais, dando continuidade a uma iniciativa que se realiza há dez anos e que faz parte da programação natalícia daquela zona da cidade, atraindo milhares de famílias", segundo se pode ler no comunicado da Câmara Municipal de Lisboa, que "mantém toda a disponibilidade para prosseguir o diálogo com as partes envolvidas, com o objetivo de alcançar uma solução equilibrada, que mantenha as tradições da cidade, valorize o comércio local, a participação cívica e a vivência do espaço público".

Quando contactado pelo DN, o líder dos comerciantes disse que não irá fazer mais comentários "até a Câmara de Lisboa não tomar uma decisão definitiva em relação ao Mercado de Natal".

Manuel Lopes, presidente da Associação Dinamização da Baixa Pombalina diz estar "aberto a conversar com os representantes dos manifestantes acampados para encontrar uma solução para que possam dar continuidade aos seus projetos e a associação possa oferecer à cidade o Mercado de Natal". E embora não acredite ser possível coexistiram os dois eventos, o líder dos comerciantes lamenta o possível "prejuízo total para a nossa Baixa", se o Mercado for cancelado.

A montagem do certame estava previsto para esta terça-feira, mas não chegou a avançar.

Segundo a sentença do Tribunal, objeto de recurso, o protesto poderá manter-se até 24 de novembro de 2026, data prevista para a votação final do Orçamento do Estado para 2027, incluindo entre as 00h30 e as 06h30, e terá de ser articulado com o Mercado de Natal programado para a Praça D. Pedro IV, vulgarmente designada de Rossio.

(em atualização)

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Lisboa. Acampada recusa abandonar Rossio e comerciantes defendem Mercado de Natal na praça