A CGTP pediu esta quarta-feira, 11 de março, uma reunião urgente com o Presidente da República, António José Seguro, tendo em vista manifestar "a sua profunda preocupação" com o pacote laboral, anunciou a central sindical.Em comunicado, a CGTP refere ainda que no encontro "pretende apresentar a sua apreciação crítica sobre a situação atual e alertar para o desrespeito do Governo pelos direitos constitucionais, reiterando a exigência da retirada do Pacote Laboral e a abertura de um processo negocial sério, que inclua todas as vozes do mundo do trabalho", adianta.Esta posição surge no dia em que o primeiro-ministro anunciou que o Governo vai reunir-se no início da próxima semana com os parceiros sociais sobre a lei laboral, dizendo que “não quer eternizar discussão”, mas “esgotar todas as possibilidades de aproximação”.A central sindical liderada por Tiago Oliveira reitera que as propostas contidas no anteprojeto de reforma da legislação laboral apresentado pelo executivo "representam um ataque frontal aos direitos dos trabalhadores" e "precarizam ainda mais as relações laborais", agravando "as desigualdades sociais em Portugal"."A CGTP-IN denuncia publicamente a intenção do Governo de avançar com medidas que fragilizam a contratação coletiva, facilitam os despedimentos, generalizam a precariedade, desregulam profundamente o tempo de trabalho e pretendem limitar o direito de ação sindical e o direito à greve, procurando agravar substancialmente uma legislação laboral já muito desequilibrada contra os trabalhadores", acrescenta.Na mesma nota, a central sindical salienta que "os trabalhadores já manifestaram o seu descontentamento e rejeição a este caminho", nomeadamente na greve geral de 11 de dezembro, que decorreu em convergência com a UGT", e já apresentou propostas e tem soluções necessárias aos trabalhadores e ao país", querendo discuti-las e rejeitando "a tentativa do Governo de a excluir dos espaços de discussão sobre as alterações à legislação do trabalho"."O afastamento da CGTP-IN do processo fere a democracia e viola os direitos constitucionais de participação das organizações representativas dos trabalhadores na elaboração das leis laborais", aponta, acrescentando que "a defesa intransigente dos valores constitucionais – designadamente o direito ao trabalho, à segurança no emprego, à contratação coletiva e à proteção social – exige que a CGTP-IN seja parte ativa e interventiva em todas as fases deste processo", sustenta.O Governo tem tido várias reuniões técnicas com as confederações empresariais e a UGT para negociar as alterações à lei laboral, sendo que a CGTP, que tem assento na Concertação Social, não tem sido convidada.Na segunda-feira, as confederações empresariais tinham dado por terminadas as negociações sobre a revisão da legislação laboral.No entanto, um dia depois, à Lusa, as Confederações do Turismo (CTP) e do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) mostraram-se disponíveis para voltar à mesa de negociações da lei laboral. Já a UGT referiu que "nunca saiu".Na segunda-feira, Mário Mourão, disse à Lusa que a proposta de reforma laboral que esteve em debate entre os parceiros sociais e o Governo "não reúne as condições para que a UGT dê o seu acordo".Por sua vez, fonte do executivo disse à Lusa que a UGT estava “absolutamente intransigente" e que " o Governo vai realizar todos os esforços para que seja possível um acordo" em Concertação Social.Na terça-feira, o Presidente da República, António José Seguro, defendeu que o país precisa de "um acordo equilibrado" em matéria de legislação laboral, apelando para que representantes dos trabalhadores, empresários e Governo voltem a sentar-se à mesa e encontrem uma solução.A CGTP já tinha pedido uma audiência com o anterior Chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, para manifestar a sua preocupação com a proposta do Governo, que se realizou a 8 de setembro de 2025..Luís Montenegro pede "coragem para mexer e para mudar" na legislação laboral.Não há acordo para o pacote laboral. Negociações entre Governo, UGT e confederações terminam