Nuno Rebelo de Sousa, filho do Presidente da República.
Nuno Rebelo de Sousa, filho do Presidente da República.DR

Acusação sem fundamento, diz defesa de Nuno Rebelo de Sousa. Marcelo lembra que "ninguém está acima da lei"

Advogado de Nuno Rebelo de Sousa diz que acusação “não tem qualquer fundamento, nem factual, nem jurídico, nem social”. Ex-Presidente da República reagiu numa nota publicada no seu 'site' oficial.
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A defesa do filho do ex-Presidente da República, acusado de prevaricação no caso das gémeas luso-brasileiras tratadas com o medicamento Zolgensma, considerou que a acusação conhecida esta segunda-feira, 28 de setembro, “não tem qualquer fundamento, nem factual, nem jurídico, nem social”.

Nuno Rebelo de Sousa foi acusado do crime de prevaricação em concurso aparente com o crime de abuso de poderes, tendo o Ministério Público considerado que o filho de Marcelo Rebelo de Sousa “contribuiu para a afetação da autoridade, prestígio e credibilidade da administração” de instituições públicas ao usar a sua influência para a marcação de uma consulta no Hospital Santa Maria, em Lisboa, para que duas crianças luso-brasileiras diagnosticadas com Atrofia Muscular Espinal pudessem beneficiar de um tratamento de cerca de dois milhões de euros.

À Lusa, o advogado de Nuno Rebelo de Sousa, Rui Patrício, disse estar ainda a avaliar se vai pedir abertura de instrução - fase que acontece antes do julgamento e que serve para avaliar se existem indícios suficientes para julgar.

“Há que ponderar, mas considerando que a instrução já viu entre nós melhores dias e, também, que gostaria que rapidamente isso fosse analisado por um tribunal com olhos de ver (se for possível), talvez prefira ir o quanto antes para julgamento, mas a ver vamos”, explicou o advogado.

Para Rui Patrício, a acusação deduzida pelo Ministério Público e que conta com mais três arguidos - o ex-secretário de Estado da Saúde, o antigo diretor clínico do Santa Maria e a mãe das crianças -, “não tem qualquer fundamento, nem factual, nem jurídico, nem social, entre várias outras deficiências”.

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Marcelo considera que "ninguém está acima da lei"

O ex-Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa considerou esta segunda-feira que "ninguém está acima da própria Constituição e da Lei", ao referir-se ao inquérito sobre o caso das gémeas no qual o seu filho Nuno é um dos acusados.

"Nos termos da Constituição da República Portuguesa, ninguém está acima da própria Constituição e da Lei, a justiça é independente no exercício da sua função e deve tratar em pé de igualdade todos os cidadãos", escreve Marcelo Rebelo de Sousa numa nota enviada à agência Lusa e publicada no seu site na Internet.

A acusação foi conhecida esta segunda-feira e, segundo o documento a que a Lusa teve acesso, o Ministério Público considerou que a consulta para as duas crianças foi marcada “através de António Lacerda Sales, em violação das regras existentes quanto à marcação de consultas em Hospitais Públicos portugueses, sabendo [Nuno Rebelo de Sousa] de antemão que o objetivo era a administração do Zolgensma e não somente as consultas”.

Em relação a António Lacerda Sales, o Ministério Público acredita que o ex-secretário de Estado da Saúde sabia que, ao reencaminhar os emails de Nuno Rebelo de Sousa para Luís Pinheiro, então diretor clínico do Hospital Santa Maria, estava a influenciar a sua decisão, uma vez que estavam em causa comunicações do filho do Presidente da República.

António Lacerda Sales, Nuno Rebelo de Sousa e Luís Pinheiro estão acusados de um crime de prevaricação em concurso aparente com o crime de abuso de poderes e Daniela Martins, mãe das gémeas, foi acusada do crime de burla qualificada.

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