Carlos Cabreiro, diretor da Polícia Judiciária.
Carlos Cabreiro, diretor da Polícia Judiciária.FOTO: PAULO SPRANGER

Carlos Cabreiro defende ter condições para continuar a dirigir PJ

Atual diretor da Polícia Judiciária está a ser investigado por falsidade de testemunho e abuso de poder. Caso já levou a buscas do Ministério Público naquela polícia.
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O diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), Carlos Cabreiro, considerou esta quinta-feira, 1 de outubro, que tem condições para se manter no cargo, apesar de estar a ser investigado por falsidade de testemunho e abuso de poder.

"Estou em condições de me manter no cargo e tenho a firme convicção daquilo que tenho de fazer na Polícia Judiciária", afirmou aos jornalistas depois de ter dado uma aula sobre integridade e prevenção da corrupção na Escola Secundária Padre António Vieira, em Lisboa.

Em 23 de setembro, o Ministério Público realizou buscas na sede e na escola de formação da PJ, em Lisboa e em Loures, para recolher "elementos probatórios tendentes a confirmar ou infirmar os factos constantes" de uma denúncia que deu origem a um inquérito, relacionado com declarações prestadas em tribunal no âmbito do processo Football Leaks, que culminou na condenação a pena suspensa do pirata informático autointitulado denunciante Rui Pinto, confirmou então a Procuradoria-Geral da República (PGR).

As buscas efetuadas na Unidade de Prevenção e Apoio Tecnológico da Polícia Judiciária - e depois alargadas à sede nacional da PJ, segundo a agência Lusa - estão relacionadas com uma denúncia feita em julho contra o diretor Carlos Cabreiro, decorrente do processo Football Leaks. O coordenador da PJ David Freitas alegou que o agora diretor daquela polícia mentiu em tribunal ao dizer que não foram feitas escutas no terreno.

A 14 de setembro, a PGR confirmou que o Ministério Público abriu um inquérito ao diretor nacional da PJ e a outros dirigentes daquela polícia.

Quatro dias depois, a leitura da sentença da inspetora Aida Freitas (mulher de David Freitas) foi adiada. O juiz André Marques dos Santos chamou seis operacionais da PJ para apurar se foram feitas ou não escutas ilegais ao advogado Aníbal Pinto no âmbito do caso Football Leaks, segundo avançou o Público. Além de David Freitas, o juiz vai ouvir quatro inspetores da PJ que terão feito a escuta ambiental e elaborado um relatório a dar conta do "sucesso" da missão, e o inspetor José Amador, um dos responsáveis pela investigação e que garantiu em tribunal que não tinha havido qualquer escuta.

Na denúncia enviada ao procurador-geral da República, David Freitas disse ter encontrado uma ordem de missão pedida por Cabreiro - que na época era diretor da unidade de combate ao cibercrime da PJ - para se fazerem as escutas e um relatório sobre a diligência assinado pelos quatro inspetores agora chamados a depor em tribunal.

Quando a denúncia foi conhecida, Carlos Cabreira fez saber que mantém todas as declarações feitas em tribunal.

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