16 feridos em atropelamento em Albufeira. Condutor estava embriagado e desobedeceu a ordem da GNR
Dezasseis pessoas ficaram feridas, uma delas com gravidade, depois de um condutor ter avançado na direção de peões e de um dispositivo policial durante a madrugada desta terça-feira, 25 de agosto, na zona da Oura, em Albufeira. O homem, de 35 anos, desobedeceu a ordens de paragem da GNR e acabou detido depois de tentar fugir a pé.
O caso aconteceu cerca das 03:00, na Rua Francisco Sá Carneiro, conhecida pela concentração de bares. Segundo esclarecimento enviado pela GNR ao DN, o automóvel encontrava-se estacionado na via pública quando iniciou a marcha e o condutor recebeu uma ordem de paragem dos militares, à qual desobedeceu, invertendo o sentido.
Momentos depois, ao receber uma nova ordem para parar, o suspeito voltou a ignorar os militares e avançou na direção dos peões e do dispositivo policial, atropelando várias pessoas.
Uma jovem sofreu ferimentos graves e outras 11 pessoas tiveram ferimentos ligeiros, entre elas dois militares da GNR. O primeiro balanço divulgado pela Proteção Civil apontava para quatro feridos, número que foi posteriormente atualizado para 12. Entretanto, a Unidade Local de Saúde do Algarve avançou à Renascença que outras quatro pessoas foram assistidas na manhã desta terça-feira no centro de saúde, elevando para 16 o número feridos.
Na sequência da fuga, a viatura embateu noutro automóvel e o condutor tentou escapar a pé, mas acabou intercetado e detido por militares do Grupo de Intervenção de Ordem Pública.
Submetido ao teste de alcoolemia, o homem apresentou uma taxa de 1,29 gramas de álcool por litro de sangue e realizou também exames toxicológicos. Foi detido por suspeitas dos crimes de ofensa à integridade física qualificada, condução sob efeito de álcool e condução perigosa.
Em nota, Luís Neves, ministro da Administração Interna lamentou o atropelamento e manifestou “profunda solidariedade” para com os militares da GNR, os jovens atingidos e as respetivas famílias. Segundo o Governo, os dez jovens feridos têm entre 18 e 22 anos.
O governante destacou ainda a “pronta intervenção” dos militares presentes no local e garantiu que as circunstâncias da ocorrência serão apuradas pelas autoridades competentes.
Presidente da Câmara fala em "ato isolado"
Já o presidente da Câmara de Albufeira, Rui Cristina (CHEGA), afirmou que o atropelamento foi um “ato isolado” e revelou que o condutor ultrapassou as barreiras que restringem o acesso à zona da Oura. Segundo o autarca, o homem chegou a subir passeios antes de alcançar a área onde se concentravam várias pessoas.
"Nós, como município, estamos a fazer de tudo para que a Albufeira tenha uma noite segura, temos tomado medidas neste sentido, e quem nos visita sabe e sente que Albufeira está diferente", afirmou Rui Cristina à Lusa. “Nós sabemos, já percebemos que isto foi um ato isolado”, complementou.
O presidente da Câmara sublinhou ainda que os acessos à Rua da Oura estão interditados com barreiras de segurança no âmbito do programa Noite Segura e garantiu que o município está disponível para prestar apoio aos feridos e às respetivas famílias.
Suspeito passava férias na região
Em declarações concedidas a jornalistas presentes no local durante a manhã, o major Pedro Pereira, da GNR, adiantou que a Polícia Judiciária também estava a realizar diligências relacionadas com o caso e que o suspeito será presente a tribunal por indicação do Ministério Público. O homem, português de 35 anos, não reside em Albufeira, encontrava-se de férias na região e "era o único ocupante da viatura", de acordo com Pereira.
A GNR está também a analisar as imagens das câmaras de videovigilância da zona, enquanto o Núcleo de Investigação de Acidentes de Viação realizou o levantamento do trajeto percorrido pelo automóvel e dos locais onde ocorreram os atropelamentos. Pedro Pereira explicou ainda que os militares recorreram à arma de fogo com dois objetivos: "alertar os peões de que havia uma situação de perigo" e "advertir o condutor para sustar a marcha".
O número de vítimas poderá ainda sofrer alterações. "Fizemos contactos com as unidades hospitalares precisamente para apurar os feridos que se deslocaram pelos próprios meios e, até ao momento, só temos o registo de 12", explicou o major, admitindo que o balanço possa vir a aumentar. Para já, apenas a jovem que sofreu ferimentos graves permanece internada.
Segundo Pedro Pereira, as vítimas são maioritariamente portuguesas e têm entre 20 e 22 anos. A GNR considera que se tratou de "um ato isolado, de uma desobediência total a toda a sinalização vertical que existe e às barreiras físicas" e não prevê alterações ao patrulhamento. Cerca de 50 militares das forças de intervenção estão destacados para as zonas de diversão noturna de Albufeira no âmbito da Operação Verão Seguro.

