Apreensões de cocaína aumentam 68% em Portugal face a todo o ano de 2025
As autoridades policiais apreenderam este ano um total de 42 toneladas de cocaína, mais 17 toneladas do que em todo o ano do ano passado. A informação foi revelada pelo diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ), Carlos Cabreiro.
O número representa uma alta de 68% face ao ano passado. "No combate ao tráfico de estupefacientes, têm sido alcançados sucessivos recordes de apreensões de cocaína. Em 2024, 23 toneladas; em 2025, 25 toneladas; e, até à presente data de 2026, 42 toneladas", afirmou o diretor nacional da PJ, durante o evento de celebração do 81.º aniversário da instituição.
Estes dados, segundo Cabreiro, incluem as apreensões de todas as forças policiais do país. "São um exemplo de excelente colaboração e coordenação entre órgãos de polícia criminal e forças e serviços de segurança, com o apoio decisivo" das Forças Armadas, afirmou.
Sobre o futuro da PJ, o diretor nacional alertou para a "verdadeira rotura" que constitui a Inteligência Artificial e lembrou que a justiça "não pode ser escrita em códigos binários". Na visão do polícia, "a humanidade não se programa e somos, sobretudo, uma organização de pessoas que trabalha para as pessoas".
Mais tarde, ao falar com jornalistas, Cabreiro respondeu que a PJ "está forte", afastando que a investigação contra si enfraqueça a instituição. "Eu não diria que está mais fraca do que nunca, temos que avaliar a instituição com base nos resultados que vamos atingindo e naquilo que produzimos todos os dias. E em termos daquilo que é a confiança que possuam em relação a todos os trabalhadores da Polícia Judiciária, é para mim extremamente significante para continuar a produzir", defendeu. A ministra da Justiça, também a falar com jornalistas ao lado do diretor nacional, novamente manifestou confiança no trabalho de Carlos Cabreiro.
Discurso de Seguro
O Presidente da República afirmou que está "sempre atento e vigilante", mas atua "com discrição", e imputou responsabilidades pelo "prestígio da PJ" aos seus dirigentes, mas também aos órgãos de soberania. O chefe de estado defendeu que o "enorme prestígio" desta polícia criminal "exige investimento permanente, capacidade de atuação e exigência ética" e que o escrutínio deve ser encarado "como parte da sua legitimidade democrática".
No início da sua intervenção, o chefe de Estado quis evitar "qualquer dúvida sobre o motivo principal" para a sua presença nesta sessão - referindo que aceitou "de imediato" o convite - e deu conta de um encontro realizado, a seu pedido, com o diretor nacional da PJ, Carlos Cabreiro, em agosto.
"Estou aqui porque a PJ é um pilar da democracia e tudo farei para que continue a desempenhar a sua função em nome da justiça, do combate ao crime e da segurança dos portugueses. Estou aqui para salvaguardar o seu património, dar robustez à missão presente da PJ e a cautelar as premissas de um futuro com sucesso", justificou.
"Foram também estas palavras que transmiti ao senhor diretor numa reunião, a meu pedido, realizada em agosto. O dever do Presidente da República é estar sempre atento e vigilante, fazer as perguntas que deve e agir com discrição adequada em cada momento. O prestígio da PJ é uma responsabilidade dos seus dirigentes, mas também dos titulares dos órgãos de soberania", acrescentou António José Seguro.
*Com Lusa
