A Polícia Judiciária (PJ) está a investigar se as cinco toneladas de cocaína apreendidas num navio porta-contentores pertenciam a algum grupo de criminalidade organizada sul-americana. “Todas as possibilidades estão em aberto, ainda é prematuro dizê-lo”, disse uma fonte da investigação ao DN. A embarcação partiu do Panamá e foi intercetada numa operação conjunta, a 185 quilómetros de Lisboa, na madrugada de terça-feira.As imagens da operação, denominada Skydrop, fazem lembrar um filme de ação. Militares desceram em rapel de um helicóptero para entrar no navio, repleto de contentores. No interior, as autoridades já sabiam em que zona da embarcação a droga se encontrava escondida. Em conferência de imprensa, João Oliveira, diretor da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes (UNCTE) da Polícia Judiciária, afirmou que “já há algum tempo” não era realizada uma operação desta dimensão, com o envolvimento de helicópteros da Força Aérea e embarcações da Marinha em alto-mar. Mas esta foi apenas uma parte do trabalho. Tudo começou com a partilha de informação sobre o embarque da droga com destino à Europa. A cocaína foi introduzida de forma clandestina, ou seja, a empresa responsável pelo transporte desconhecia que a carga continha droga, um modus operandi comum neste tipo de criminalidade, explicou João Oliveira.Da parte da Força Aérea, foram realizadas 32 horas de voo, incluindo nove horas de transporte aéreo para a projeção das equipas para o navio, 16 horas de reconhecimento e vigilância aérea de longo alcance e 17 horas de operação dos helicópteros para a infiltração das equipas na embarcação. Pela Marinha participaram 130 militares, que acumularam mais de 85 horas de operação. A Polícia Judiciária e a Polícia Nacional de Espanha também participaram na operação, sobretudo na retirada da droga da embarcação, além da cooperação com informação, explicou na conferência de imprensa David Ferré, representante da polícia espanhola. “No momento em que obtivemos a informação e a compartilhamos, mobilizamos esses recursos e esses meios para fazer um abordagem a tantas milhas náuticas e alcançar com sucesso uma operação assim, esse é o exemplo real da cooperação internacional, detalhou o polícia espanhol. As autoridades não sabem exatamente onde a droga seria retirada, mas admitem que o destino seria um ponto próximo do rio Guadalquivir, disse David Ferré. O método previsto para a descarga era o chamado drop off, com o navio em movimento. A PJ não divulgou uma estimativa do valor da droga apreendida, limitando-se a referir que se trata de montantes “astronómicos”.Por falar em custos, o diretor da PJ mencionou ser uma operação que envolve muitos recursos financeiros das autoridades, mas sem mencionar o valor exato. Ricardo Sá Granja, porta-voz da Marinha, detalhou que foi utilizado o princípio da eficiência dos meios na operação Skydrop. Foram empregados os navios que ficam permanentemente nos Açores e na costa continental, que são destinados a trabalhos como buscas, salvamento e vigilância.Três pessoas foram detidas na operação com idades de 38, 41 e 43 anos. Os clandestinos são de nacionalidade italiana e colombiana, enquanto o membro da tripulação é de nacionalidade indiana. Este último, segundo a PJ, prestava apoio aos dois ilegais na embarcação. Entretanto, ficou-se a saber após a conferência de imprensa que um dos detidos foi encontrado morto na cela do estabelecimento prisional anexo à PJ, enquanto aguardava ser presente em tribunal para primeiro interrogatório. A PJ não indicou qual dos três suspeitos foi encontrado morto. Até à hora de publicação também não há informações sobre as medidas de coação aos dois outros indivíduos. “Atendendo a que se encontra em curso uma investigação criminal, a cargo da Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo desta Polícia, destinada ao apuramento das causas e circunstâncias dessa morte, não pode a PJ adiantar qualquer hipótese quanto à origem do óbito nem qualquer outra informação sobre aqueles factos”, explicou mais tarde, em nota.Apreensões superam 2025Com esta apreensão de cinco toneladas, as autoridades portuguesas já apreenderam mais cocaína do que o total de 2025. Até agora, foram 28 toneladas de droga apreendida, enquanto no ano passado o total foi de 25 toneladas. De acordo com João Oliveira, o aumento no número de droga apreendida pode ser explicado, por um lado, pela intensificação do tráfico internacional e “maior comercialização da cocaína” e, por outro, pela “melhor capacidade” das autoridades para combaterem o fenómeno, incluindo através da cooperação internacional.amanda.lima@dn.pt .Encontrado morto na prisão suspeito do rapto e roubo de empresário de restaurante no Algarve .PJ apreende cinco toneladas de cocaína em navio porta-contentores.16 toneladas de cocaína apreendidas pela PJ em alto mar até ao final de maio