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Fuzileiros ajudam na reparaçãoLeonardo Negrão

Ao fim de três meses persistem falhas nas telecomunicações no Médio Tejo. "Não há uma pessoa que diga quando vão resolver”

Autarcas de Mação, Tomar e Ferreira do Zêzere são unânimes nas queixas de lentidão nos trabalhos. “É um abandono total”, dizem.
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Três meses após a tempestade Kristin, persistem falhas nas telecomunicações em Mação, Tomar e Ferreira do Zêzere, no distrito de Santarém, com postes caídos, cabos no chão e serviços instáveis, num processo de recuperação considerado lento pelos autarcas.

“A minha sensação é que temos mais de metade do nosso território com problemas por resolver a esse nível, com muitas pessoas que ainda não conseguem comunicar devidamente”, disse esta quinta-feira, 23 de abril, à Lusa o presidente da Câmara de Ferreira do Zêzere, Bruno Gomes.

Naquele concelho, um dos mais afetados pela tempestade que provocou centenas de ocorrências na região do Médio Tejo e falhas prolongadas de energia e comunicações, continuam a sentir-se dificuldades no acesso a serviços essenciais.

“Temos as várias operadoras com rede sempre com falhas […], há muita fragilidade ainda nas redes”, acrescentou o autarca, sublinhando que a situação condiciona o dia-a-dia.

“Esperava já outra robustez na capacidade de trabalho”, admitiu, apontando para a falta de meios no terreno para acelerar a reposição dos serviços.

A tempestade teve também outros impactos relevantes no concelho, com famílias ainda acompanhadas pelos serviços sociais e equipamentos danificados, refletindo a dimensão dos estragos causados pelo vento e pela chuva intensa.

Já em Mação, onde os planos de emergência foram ativados após a tempestade que colocou a região numa “situação de muita fragilidade”, os problemas nas telecomunicações mantêm-se generalizados.

“É vergonhoso aquilo que se está a passar no concelho de Mação, […] temos montes de postes caídos, fios pelo chão e locais ainda sem comunicações”, afirmou à Lusa o presidente da Câmara, José Fernando Martins.

A tempestade Kristin, conjugada com as cheias no Tejo, provocou danos extensos em infraestruturas naquele concelho, incluindo redes elétricas e de comunicações, num território já fragilizado por quedas de árvores, inundações e destruição de equipamentos.

“Não temos ninguém que dê a cara […], não há uma pessoa que diga quando vão resolver”, criticou o autarca, reportando igualmente falhas no funcionamento de serviços essenciais para os bombeiros e proteção civil.

“É um abandono total”, lamentou, aludindo à ausência de intervenções visíveis em várias zonas do território.

No concelho de Tomar, a recuperação tem sido igualmente lenta, com casos ainda por resolver e situações de risco, embora com níveis de reposição superiores em algumas zonas.

“Tem sido um trabalho muito lento das operadoras […], há ainda muitos casos isolados por resolver”, disse à Lusa o presidente da União de Freguesias de Além da Ribeira e Pedreira, Jorge Graça.

Apesar de os níveis de cobertura já rondarem 80% a 85% em algumas áreas, persistem postes em risco de queda e cabos baixos ou espalhados pelo chão, num cenário que se repete noutras freguesias do concelho.

“Temos alguns [postes] que nos preocupam […] porque achamos que estão em perigo de cair para a via pública”, alertou o autarca.

Segundo Jorge Graça, há freguesias com problemas graves, como Olalhas, Casais ou Alviobeira, onde tudo está ainda mais atrasado.

“Há freguesias com problemas mais complicados […], Olalhas está com uma taxa de cobertura muito abaixo da nossa”, indicou.

Paralelamente, os apoios à população e às instituições continuam a chegar de forma lenta ou mesmo a não chegar, três meses após a tempestade.

“Até ao momento, não recebemos qualquer tipo de apoio […] e há associações sem linhas de apoio”, afirmou.

Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal entre o final de janeiro e o início de março na sequência da passagem, entre janeiro e fevereiro, das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.

Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

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