Acampada do Porto na Praça D. João I
Acampada do Porto na Praça D. João I ESTELA SILVA/LUSA

Acampada. PSP do Porto desconhece a existência de polícias à paisana a identificar e a deter manifestantes

Chegaram "indicações à organização da acampada de que estavam a ser identificados, ou estava a ser pedida a identificação, e estavam a ser detidas pessoas", disse advogado.
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A Acampada do Porto denunciou, mas a PSP disse esta terça-feira, 3 de novembro, desconhecer a existência de situações em que polícias à paisana terão identificado e a detido manifestantes à saída da Praça D. João I, na noite de segunda-feira.

"Não tenho conhecimento de que isso tenha acontecido. Não tenho aqui nenhum relatório", disse à Lusa fonte das Relações Públicas do Comando Metropolitano do Porto da PSP, desconhecendo ainda a ocorrência de incidentes na Praça D. João I durante a última noite. Os manifestantes estiveram acampados de forma "ordeira", explicou a mesma fonte.

Aos jornalistas, Ricardo Salazar, um dos advogados que presta apoio jurídico ao movimento que se tem manifestado pelo direito à habitação, "chegaram indicações à organização da acampada de que estavam a ser identificados, ou estava a ser pedida a identificação, e estavam a ser detidas pessoas à saída da Praça de Dom João I e a serem levadas para a esquadra". Na esquadra, acrescentou, foram apresentadas "fotografias para serem identificadas pessoas".

O advogado referiu ainda que "também foi indicado que supostamente está a acontecer a mesma coisa em hospitais onde as pessoas vão para receber tratamento". "Polícias à paisana estão a identificar pessoas, o que a ser verdade é algo bastante sério e grave", declarou.

Caso esta situação se confirme, trata-se de "um caminho que pode chegar a processos políticos de intenção e perseguições de pessoas, o que é algo que já não acontecia em Portugal desde o Estado Novo", sublinhou Ricardo Salazar.

"Neste momento estamos a ver que direitos como a manifestação estão a ser colocados em causa numa situação inaudita (...) já houve manifestações semelhantes nos 50 anos da nossa democracia, fossem de bombeiros, de polícias, de membros da JSD ou empresários da restauração, e nunca houve cargas policiais e nunca houve a aplicação do artigo 11º da Lei de 1974", considerou.

Para o advogado, "estamos a ultrapassar todos os limites da saudável convivência entre povo e Governo e, neste momento, estamos a assistir a uma escalada de violência que tem de ser parada porque isto coloca em causa o nosso Estado de direito".

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