André Ventura confirmou este domingo, 15 de março, em declarações na sede do Chega, em Lisboa, que “há já procedimentos internos que estão em marcha e que, depois, serão tornados públicos”, referindo-se ao caso de Mafalda Livermore, namorada do vereador do Chega na Câmara de Lisboa, Bruno Mascarenhas, que, de acordo com a investigação do programa da RTP Prova dos Factos, terá arrendado imóveis ilegalmente e sem condições a imigrantes. Um dia antes, no sábado à noite, no espaço de comentário que Rita Matias tem no canal Now, a deputada do Chega afirmou que “Bruno Mascarenhas, se quiser fazer um favor ao partido”, deve demitir-se “de vereador”. “Saia e passe o lugar. Espero que não fique como independente.”André Ventura, questionado pelos jornalistas se considera que Bruno Mascarenhas deve continuar no Chega, explicou que “o partido tem órgãos” próprios e garantiu que “não protege ninguém”.“O partido, quando recebe denúncias públicas ou não-públicas faz imediatamente as suas investigações, independentemente de quem seja”, afirmou, lembrando, porém, que “quem nomeou a doutora Mafalda não foi Bruno Mascarenhas, foi o doutor Carlos Moedas, a quem também, então, se pode colocar a mesma questão”.Mafalda Livermore foi indicada por Bruno Mascarenhas para o conselho de administração dos Serviços Sociais da Câmara de Lisboa e acabou por ser nomeada pelo presidente da autarquia, Carlos Moedas.Em relação ao que dissera Rita Matias, André Ventura afastou qualquer ideia de desalinhamento e explicou que a deputada do Chega “pronunciou-se sobre um evento que é público”.“Até disse que, em caso de haver alguma coisa, nem devia ser um ato de demissão do partido, era o próprio que devia assumir essa responsabilidade”, lembrou o líder do Chega.André Ventura, antes de ser questionado sobre o caso de Mafalda Livermore e das consequências para Bruno Mascarenhas, convocara a conferência de imprensa para criticar os “cancelamentos” de que o partido tem sido alvo, nomeadamente “como ocorreu na Associação Académica de Coimbra” e nas queixas contra o partido pelo cartaz que exibiu na Futurália, onde estava escrito “isto não é o Bangladesh”.“Não se silencia, nem se cancela, o segundo maior partido do país”, defendeu, acusando: “Quem faz isso não são os amantes da liberdade.”André Ventura também deixou algumas críticas ao antigo governador do Banco de Portugal, Mário Centeno, por ter chegado a um acordo para reforma antecipada, depois de sair da entidade reguladora.“Isto é uma imoralidade absoluta. Isto é dizer às pessoas que há prateleiras douradas para onde vão certos políticos”, criticou, insistindo neste tema mesmo quando já estava a ser questionado sobre o caso de Bruno Mascarenhas, “porque cada assunto tem a sua importância”.“Não estou a fugir”, garantiu..Lisboa. Carlos Moedas vai colocar travão ao Chega em empresas municipais.Oposição de Moedas questiona transparência em nomeação para empresa municipal em Lisboa