Luís Montenegro prometeu esta terça-feira que iria "fazer tudo aquilo que compete ao Governo fazer para que o Parlamento não frustre este caminho de afirmação da economia portuguesa" que considera ser a proposta de revisão da lei laboral. Mas o "tudo" não terá sido suficiente para que uma reunião que teve, horas depois, com o líder do Chega resultasse num acordo para que o hemiciclo desse luz verde ao pacote laboral.Por agora, André Ventura garante que este diploma do Governo não vai parar à especialidade, como aconteceu com a prestação social única (PSU), porque o pacote laboral "é uma questão de fundo". Depois de cerca de uma hora e meia de reunião com o primeiro-ministro, o líder do Chega continua a vincar que não há ainda consensos, mas não afastou a possibilidade de haver "um entendimento nas próximas horas", até porque, assegurou, está a decorrer "um processo negocial" entre o Chega e o PSD.O Chega apresentou as condições a Luís Montenegro para deixar passar no Parlamento a proposta do Governo para rever a lei labora, explicou André Ventura, insistindo em pontos que para o partido são linhas vermelhas, como a idade da reforma, que para o Chega tem de ser 65 anos ou depois de 40 anos de descontos, a reposição dos três dias de férias, tanto no setor privado como na função pública, perdidos no tempo da Troika, e o fim das subvenções vitalícias dos políticos que ainda estão a ser pagas – apesar desse regime já ter terminado em outubro de 2005 –, que o líder do Chega considera "uma vergonha nacional"."É sabido também que há matérias de fundo que separam os dois partidos em matéria da revisão à legislação laboral. É sabido e são conhecidos também quais são essencialmente esses motivos e esses temas, que vão desde a questão das reformas até à questão do pagamento substantivo ao trabalho por turno em Portugal", começou por explicar esta terça-feira André Ventura, acabando por definir aquilo que separa Chega do PSD no que diz respeito à revisão da lei laboral."A questão da reposição das férias, quer no setor privado, quer no setor público, que têm vindo a ser penalizadas e que não acompanharam o levantamento das restrições da Troika em Portugal. Como eu tive a oportunidade de dizer e hoje tive a oportunidade de voltar a dizer ao senhor primeiro-ministro, não fazia sentido algum que os salários dos políticos tivessem sido repostos e as férias que tinham sido cortadas durante a Troika não fossem repostas", explicou."Esse, para nós, era um princípio essencial. Igualmente, porque nos parece que a legislação laboral está mal feita e está mal desenhada desde o início", vincou, antes de afirmar que "da parte do Governo" ficaram claras "as posições referentes a alguns destes pontos onde há convergência e onde não há convergência". "É evidente e é compreensível que na questão das reformas continua uma substantiva divergência entre as posições dos partidos. O Chega, como disse desde o início, tem a intenção de baixar a idade da reforma, de garantir que as pessoas podem escolher reformar-se quando atingirem 40 anos de desconto ou 65 anos de idade. Há uma diferença de visão em relação ao Governo", insistiu.Além disto, evocando a "legislação alternativa" apresentada pelo Chega um dia antes, André Ventura ainda falou na criação de "uma licença especial para que os avós possam cuidar dos netos" e "a eliminação de qualquer restrição aos direitos de amamentação como o Governo tinha inicialmente previsto", assim como "as questões relacionadas com o luto gestacional e com a licença parental".Apesar de tudo o que separa os dois partidos nas propostas de lei laboral, André Ventura disse estar "confiante" de que "durante as próximas horas", ao "longo do próximo dia", continuará a haver "um contacto preciso, técnico, em relação às questões que aqui se levantaram, mas também um diálogo político a ver se se chega ou não a algum entendimento nestas matérias que, para nós, são decisivas até ao momento em que estamos". "Esse acordo ainda não foi possível. Estamos a trabalhar para que se possa, pelo menos, chegar a algum resultado apresentável aos portugueses nesta matéria", concluiu..“Não convém ao Chega”, mas Montenegro recebe Ventura para mais uma ronda da lei laboral.Conselho Nacional do Chega rejeita voto favorável na reforma laboral e na reforma do Estado "tal como estão"