O líder do Chega, André Ventura
O líder do Chega, André VenturaMANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Ventura defende ação de deputadas do Chega na RUC: "Devemos ser tratados como os outros"

Segundo o líder partidário, não se tratou de "uma invasão a um órgão de comunicação social", frisando que o Chega foi convidado para estar num debate daquela rádio sobre o Orçamento de Estado de 2027.
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André Ventura pronunciou-se esta terça-feira, 13 de outubro, sobre a ação desta segunda-feira das deputadas Rita Matias e Madalena Cordeiro, que entraram no estúdio da Rádio Universidade de Coimbra (RUC) apesar de os elementos do Chega estarem impedidos de frequentar as instalações da Associação Académica de Coimbra (AAC).

Segundo o líder partidário, não se tratou de "uma invasão a um órgão de comunicação social", frisando que o Chega foi convidado para estar num debate daquela rádio sobre o Orçamento de Estado de 2027 (OE2027).

"Ontem vi as notícias sobre aquilo que era noticiado como se tivesse sido uma invasão a um órgão de comunicação social. Isso é uma coisa ridícula. O Chega foi convidado para estar num debate em que se debateu o orçamento do Estado dentro do pluralismo dos vários partidos. E foi dito às deputadas do Chega que não poderiam estar presentes fisicamente porque uma associação qualquer excluiu-nos de estarem presentes pessoalmente. Não queriam fisicamente ninguém do Chega nas instalações. Mas está tudo maluco? Se consideramos isso normal em democracia... Imaginem que eu dizia assim, quero aqui os jornalistas menos o da CNN, ou menos o da RTP, ou menos a da SIC, ou menos o do TSF, ou menos o Diário de Notícias, ou o Observador", começou por afirmar o líder partidário.

Questionado sobre não havia mecanismos para contestar a decisão, em vez de forçar a entrada no edifício, Ventura foi perentório: "O único mecanismo é mostrar que estamos aqui querendo ser ouvidos como os outros todos."

"Como eu creio que os senhores fariam se eu não os deixasse entrar aqui. Como já vos disse várias vezes, não gosto do trabalho de todos. Aliás penso que a lei também não permita que um órgão de comunicação social exclua uma pessoa do Chega de entrar nas suas instalações. Imagina a CNN não deixar entrar nas suas instalações ninguém dos Chega. Ou a RTP, ou a SIC, ou um órgão qualquer", insistiu.

Para o líder do Chega, "não se trata de entrar à força". "Trata-se de mostrar que devemos ser tratados como os outros. E não ser tratados discriminatoriamente", vincou.

Ventura frisou que Estatuto da Universidade de Coimbra garante nos seus artigos o pluralismo e a imparcialidade da informação política. "Portanto, há uma violação direta dos seus próprios estatutos e dos seus próprios órgãos. Acho que esta é uma má atitude, sinceramente, de proibir as pessoas, os partidos, e sobretudo o segundo maior partido do país, de ficar à distância, porque há uma deliberação da Associação que não quer o partido dentro das suas instalações. Pergunto se isto é aceitável. Se um dos vossos órgãos fizer debates sobre o Orçamento de Estado, mas dizer que ninguém do Chega lá pode entrar, penso que não é aceitável também a atitude. Isso foi o erro de início de toda esta história. Está a excluir um partido que é um dos mais representados por razões que nem sequer se compreendem. Podia ter havido alguma altercação, alguma questão de conflitualidade entre o órgão em questão e o partido Chega. E isso admito que, na lei, pudesse ter algum tratamento diferenciado. Como é sabido que não houve, há um órgão que diz quero fazer debates com todos, menos com o partido, de que não gosto. Isto não é aceitável, repito. Era o mesmo que eu dizer que não gostava da TSF", acrescentou.

Ventura garante que "o Chega tentou, de várias maneiras, chamar a atenção dos órgãos e de uma universidade também, que é centenária no nosso país, e onde há alunos de todos os partidos: do Chega, da Iniciativa Liberal, do PS, do Bloco de Esquerda...".

"O Chega procurou sensibilizar para uma questão que era de discriminação objetiva e absoluta. E a resposta que foi dada, aliás, numa das vezes publicamente, foi que o Chega estava proibido de entrar nas instalações daquele órgão. Até fica mal uma instituição que pertence a uma associação como a Associação Académica de Coimbra, que faz gala de defender os valores da liberdade e do pluralismo. Só reforça a nossa ideia que é a liberdade e o pluralismo até quando os outros começam a ganhar. Quando concordam comigo há liberdade e pluralismo. Quando não concordam, não os vou ouvir sequer. Então, partidos que têm dois deputados, três, vão lá e o Chega que tem 60 fica atrás do muro a falar. Quer dizer, isto não é dignidade. Se eu agora dissesse que o Leonardo tem de sair, porque eu não gosto dele, o Leonardo provavelmente ficava estupefacto. E não saía. Achava que estava a defender um direito dele. É isso que eu estou a chamar a atenção. E muitas vezes não gosto das perguntas. Mas é o que é", continuou o líder partidário, que deu respaldo à iniciativa: "Os meus deputados sabem que tudo o que defende a liberdade e o pluralismo merece o meu apoio."

O líder do Chega, André Ventura
Deputadas do Chega invadem estúdio da Rádio Universidade de Coimbra

Vários membros do Chega, incluindo as deputadas Rita Matias e Madalena Cordeiro, invadiram esta segunda-feira de manhã o estúdio da Rádio Universidade de Coimbra, em protesto contra a proibição da Associação Académica de Coimbra de entrada no edifício.

No estúdio da RUC, que se situa no edifício da Associação Académica de Coimbra, decorria esta segunda-feira de manhã um novo programa de debate político, em que participariam as várias juventudes partidárias dos partidos com assento na Assembleia da República.

O Chega também tinha sido convidado a participar no novo programa, mas à distância, face à decisão, aprovada em assembleia magna em fevereiro, de proibição de participação do partido liderado por André Ventura em eventos da AAC e de entrada nas suas instalações.

“Por uma questão de igualdade e para assegurar que todos os partidos estariam presentes, foi dada a possibilidade ao Chega de participar por via digital”, contou, referindo que recebeu, no domingo, uma comunicação do líder da distrital, Paulo Seco, a dizer que o partido não estaria presente no programa, por não concordar com a sua participação por via digital.

Durante o debate, em que participavam elementos do Livre, JS, JSD e IL, o programa acabou por ser interrompido, quando entraram no estúdio, em direto, vários elementos do Chega, liderados por Rita Matias, contou Jaime Raposo, do Departamento de Informação da RUC.

“Ignorámos a presença do Chega e continuámos o debate, mas, a determinado momento, a Rita Matias pegou num microfone do estúdio e eu decidi cortar a emissão. Vários membros estavam a gravar tudo com os seus telemóveis, eu pedi-lhes para pararem de gravar e para saírem do estúdio, mas disseram que iriam ficar e que também queriam participar no programa”, recordou.

Os elementos do Chega, incluindo as duas deputadas, apenas abandonaram o estúdio quando chegaram três agentes da PSP, disse.

Jaime Raposo salientou que a decisão de entrada no edifício da AAC não cabe à RUC, mas sim à direção-geral da AAC.

Contactada pela Lusa, a deputada Rita Matias considerou “ofensivo” os moldes de participação do Chega no programa semanal promovido pela RUC, afirmando que “não proporciona a todos os membros das juventudes partidárias igualdade de circunstâncias para o debate”.

“Foi nesse sentido que nos deslocámos fisicamente aqui para demonstrar que não só conseguimos estar fisicamente nos espaços, como estamos disponíveis para debater ideias”, disse.

Rita Matias afirmou que não retirou o microfone a nenhum dos participantes e que o Chega apenas queria “contribuir para o debate”, considerando que a deliberação da AAC de proibição de entrada no edifício “não é democrática nem sequer constitucional”. A decisão foi aprovada em assembleia magna por uma esmagadora maioria (273 votos a favor, três contra e 30 abstenções).

Rita Matias salientou que a luta do Chega “não para por aqui”, frisando que o partido irá continuar a bater-se por uma participação “em igualdade de circunstâncias com outras forças políticas”.

Segundo a coordenadora da juventude do Chega, estiveram 17 jovens do partido presentes na invasão.

Rita Matias afirmou ainda que não havia qualquer “intenção de permanecer na rádio e de usurpar a possibilidade de fazerem a sua normal transmissão”, sublinhando que nada têm “contra a rádio em particular”. “Aquilo que nós contestamos mesmo é a deliberação da Associação Académica”, disse.

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