As negociações entre Governo, confederações empresariais e UGT sobre a reforma da lei laboral são esta segunda-feira retomadas, às 15 horas, com a central sindical convicta de que o entendimento é difícil, por sentir que o Governo está influenciado pelas confederações empresariais, segundo fontes ouvidas pelo DN. Ainda assim, a organização liderada por Mário Mourão espera que possam ser atendidos os contributos que o novo Presidente da República tem dado nesta matéria. Como o DN avançou, a UGT recusa sair da mesa das negociações, mas fez finca-pé no último encontro e a exasperação é crescente. A organização sindical chega à reunião de hoje com as exigências que tem defendido nas últimas semanas e expectante de que sejam apresentadas, pela ministra do Trabalho (Palma Ramalho), adendas ao anteprojeto, face aos contributos que António José Seguro tem dado sobre a matéria. Em campanha presidencial, o novo Presidente garantiu que não iria dar validação ao anteprojeto que era conhecido, avisando de um possível veto, e essa posição política é vista como uma espécie de pressão que pode, ainda, tornar favorável a modelação de algumas propostas, de acordo com fontes ouvidas pelo DN.Já a meio da semana passada, Seguro disse que era necessário que “rapidamente as partes se pudessem sentar para encontrarem uma solução que passe por um acordo equilibrado.” Luís Montenegro reuniu-se com o Presidente da República na quinta-feira e dele ouviu semelhante pedido, com vista a encontrar uma flexibilização das várias partes, que possa, eventualmente, conduzir a um caminho de entendimento na concertação social. Montenegro avisou que vai tentar “esgotar todas as possibilidades” de entendimento, mas prometeu que não iria “eternizar” a discussão. Ao que o DN apurou, não estão marcadas reuniões entre a UGT e Seguro, uma vez que o Presidente da República quer manter a equidistância possível nesta fase, permitindo ao Governo consolidar a proposta. Ainda assim, a central sindical também sabe que Marcelo Rebelo de Sousa, ex-Presidente da República, procurou sensibilizar o Executivo para alguma moderação nas propostas da lei laboral, o que, na altura, não foi acolhido.Para a UGT, os pontos mais críticos mantêm-se e, sem abandonar a mesa das negociações, a central sindical não aceita o banco de horas individual, que se torna em aumento de trabalho e superioridade de força para o empregador, a alteração nos contratos a termo devido ao aumento da precariedade e ainda a facilidade de despedimentos e o recurso a outsourcing logo após despedimentos coletivos. Mário Mourão e restante comitiva esperam que haja uma nova proposta com melhorias substanciais, recordarão os 70 pontos de aproximação na lei e os 37 acordos salariais setoriais que estabeleceram com o Governo, sinais de disponibilidade para acordos. Mas há também, nesta fase, solidariedade com a CGTP, que pediu uma audiência com Seguro por ter ficado fora da reunião de hoje. Por isso mesmo, a CGTP comunicou que terá uma delegação no Ministério do Trabalho na segunda-feira, na hora prevista da reunião entre Governo, para "reafirmar as propostas e soluções para a legislação laboral".Patrões anteciparam final da discussãoLogo depois da reunião na segunda-feira passada, dia de tomada de posse de António José Seguro, as confederações mostraram a insatisfação pelo desentendimento e anteciparam o final da discussão. Os tutelares da indústria, do comércio, do turismo e da agricultura assumiram que não valia a pena continuar o diálogo. Armindo Monteiro, da CIP, disse que era "responsabilidade da UGT não haver acordo", acusando a central de "fingir estar a negociar", palavras à RTP que tiveram depois contraposição da UGT. O ambiente está, como se sabe, crispado e os dois lados acusam a barricada contrária de inflexibilidade..Lei laboral. Ministra reúne-se com UGT e patrões na segunda-feira.Seguro diz que "nada está fechado" e apela ao regresso às negociações para acordo "equilibrado" na lei laboral