O Presidente da República, António José Seguro, parou esta segunda-feira, 6 de abril, para falar com meia centena de pessoas que exigem a reabertura de um troço da estrada nacional 2, em Pedrógão Pequeno, prometendo levar o tema à reunião semanal com o primeiro-ministro.Um dos primeiros momentos da presidência aberta para avaliar o impacto das tempestades que se iniciou esta segunda-feira na Sertã. Na estrada, um grupo de cidadãos esperava a passagem de António José Seguro com uma tarja onde se podia ler “Senhor Presidente precisamos de ajuda. A N2 é a nossa sobrevivência”.O Presidente da República, recebido com palmas, ouviu as queixas destes populares e prometeu levar já o assunto à reunião semanal de terça-feira com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, que será em Tomar.. Pouco depois, após uma visita às obras de recuperação do Hotel Montanha, na Sertã, António José Seguro disse que o seu objetivo com esta presidência aberta é valorizar a importância da economia nestes territórios, "territórios com baixa densidade populacional mas com uma elevada potencialidade do ponto de vista turistico e económico" e dar "voz às pessoas que deixaram de ter voz". "O país não pode ter memória curta perante uma dor tão grande", disse."Venho aqui ouvir para depois falar. E sobretudo ver o que correu bem, o que correu mal, os apoios que estão a chegar, os apoios que estão a tardar e sobretudo deixar uma palavra de esperança: esta tragédia não é mais forte que a nossa convicção, a nossa energia, a nossa crença neste país e nestes territórios", afirmou.O Presidente da República lembrou aos portugueses que "um fim de semana ou uma semana nestas bonitas paisagens do interior são uma ajuda e um estímulo e uma expressão de solidariedade por quem tanto sofreu há cerca de dois meses".Luís Dias, empresário do ramo do turismo na vila de Pedrógão Pequeno, defendera que o encerramento deste troço da estrada nacional 2 está a castrar a região.“Este é o único acesso entre margens para aqueles que usam ciclomotores, motorizadas, veículos sem carta e tratores. O outro acesso alternativo é o IC8, mas estes condutores não o podem utilizar e são o grosso da população destas localidades”, referiu.De acordo com o empresário, as entidades competentes encerraram a estrada com base no perigo de derrocada e queda de pedras, desde a passagem da tempestade Kristin, no entanto, acredita que este "não é um perigo maior do que sempre existiu".“Dizem que é preciso fazer uma grande obra de sustentação dos taludes e das encostas e que isso está a ser estudado. Ou seja, este ano não abre, o que nos prejudica imenso e quisemos pedir ao senhor Presidente da República para que interceda e que esta estrada abra imediatamente”, indicou.Segundo Luís Dias, tal pode ocorrer com a colocação de vaias, nem que se circule apenas em uma das vias, com o trânsito alternado.“Se isto não acontecer há uma série de investimentos que vão fechar. Uma série de negócios que vão acabar por morrer”, lamentou.Também o presidente da Câmara Municipal da Sertã, Carlos Miranda, alertou que esta via, da responsabilidade da Infraestruturas de Portugal, é de "extrema importância para o desenvolvimento económico" da vila de Pedrógão Pequeno.“A Nacional 2 é um ativo económico muito importante. Queremos é que haja uma solução rápida para esta situação e a população organizou-se espontaneamente para fazer chegar estas suas preocupações”, disse. Seguro iniciou esta segunda‑feira, 6 de abril, na Sertã, a sua primeira Presidência Aberta, que visa avaliar o impacto das tempestades. O chefe de Estado tinha anunciado que, após a Páscoa, se deslocaria aos territórios afetados pelas tempestades de janeiro e fevereiro para escutar "as populações", testemunhar "os impactos das intempéries, bem como [perceber] as necessidades de resposta e recuperação das zonas sinistradas". E o Governo vai com o chefe de Estado.O périplo, que se prolonga até sexta‑feira, 10 de abril, abrange quatro distritos – entre Castelo Branco, Santarém, Coimbra e Leiria – e incide sobre alguns dos territórios mais severamente afetados pelas cheias, derrocadas, destruição de infraestruturas e prejuízos agrícolas.A Presidência Aberta – um modelo já utilizado por anteriores chefes de Estado e iniciado por Mário Soares em 1986 focado em temas que impactam a vida política atual – é agora retomado com uma preocupação na vulnerabilidade territorial. Por isso, de acordo com o que revelou fonte da Presidência à Lusa, afinada com a página oficial de Seguro, o objetivo é “ver de perto o que não chega através dos relatórios” e garantir que as populações sentem a presença do Estado num momento de fragilidade..Primeira Presidência Aberta de Seguro aguardada com expectativa em Leiria, Castelo Branco, Coimbra e Santarém