O secretário-geral da Câmara de Lisboa, Alberto Laplaine Guimarães, foi colocado em liberdade neste domingo, tal como outros três arguidos da Operação Lúmen, que investiga crimes económicos relacionados com contratos de fornecimento de iluminação natalícia celebrados entre uma empresa de Vila Nova de Gaia e vários municipios portugueses. Segundo fontes judiciais citadas pela Lusa, o dirigente da autarquia lisboeta, para a qual começou a trabalhar nos mandatos do centrista Krus Abecassis, fica suspenso de funções e proibido de se deslocar às instalações da Câmara de Lisboa ou de contactar com os seus trabalhadores e os restantes arguidos.A suspensão de funções foi requerida pelo Ministério Público e, nesta terça-feira, Laplaine Guimarães saberá que outras medidas de coação serão decididas pelo Tribunal de Instrução Criminal do Porto. Precisamente uma semana após a Polícia Judiciária o deter, e a mais três pessoas, depois de realizar buscas motivadas por suspeitas de crimes de corrupção ativa e passiva, participação económica em negócio e ainda abuso de poder e associação criminosa.Além do secretário-geral da Câmara de Lisboa, foi detida a presidente da União de Associações do Comércio e Serviços, Carla Salsinha, e ainda um administrador e um funcionário da empresa Castros Iluminações Festivas, que tem a sede em Vila Nova de Gaia.As suspeitas de envolvimento de um dirigente de topo em crimes económicos levou o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, a abrir um inquérito à Secretaria-Geral, visando apurar os procedimentos que levaram à celebração de um protocolo de colaboração com a União das Associações do Comércio e Serviço para as iluminações de Natal, que se mantém em vigor desde 2012, quando a autarquia era liderada por António Costa, que viria a ser primeiro-ministro durante oito anos e é o atual presidente do Conselho Europeu.O envolvimento de Laplaine Guimarães, que é militante do CDS-PP, mas acompanhou Jorge Sampaio quando este foi Presidente da República, gerou tensão entre Moedas e a vereadora socialista Alexandra Leitão, que acusou o presidente da Câmara de Lisboa de manter o secretário-geral ilegalmente desde 2024. Isto porque a duração da comissão de serviço e da sua renovação não podem exceder, no total, dez anos consecutivos. Como essa lei entrou em vigor em 2014, Leitão questiona os motivos para Laplaine Guimarães permanecer em funções até agora..Operação Lúmen: Juiz decide libertar todos os arguidos detidos