A acumulação de mortes devido a falta de resposta do INEM dominou a agenda política desta quinta-feira e a campanha presidencial não foi exceção. Os candidatos pronunciaram-se sobre o tema, apontando, maioritariamente, ao Governo. Luís Marques Mendes, apoiado pelo PSD e CDS-PP, teve outra estratégia, fazendo mira, principalmente, à Direção Executiva do Sistema Nacional de Saúde (DE-SNS), vendo-a “desaparecida em combate”, criticando a falta de justificações aos recentes casos trágicos em Portugal. “São casos a mais, é tudo de facto bastante chocante. Espero e desejo que alguém de responsabilidade venha no mínimo explicar esta situação”, afirmou.Álvaro Almeida foi aprovado em Conselho de Ministros em janeiro de 2025, sucedendo a António Gandra d’Almeida, que esteve no cargo em 2024. Marques Mendes diz ter-se posicionado contra a criação, há uns anos do cargo. “Nunca fui favorável, expliquei que não era uma grande ideia”, frisou, precisando que agora o problema é não “existir uma explicação”. Em Ferreira do Alentejo, Beja, teceu críticas à composição do órgão escolhido em Conselho de Ministros, a segunda equipa nomeada por Ana Paula Martins. Porém, blindou a ministra. “Se entender, pode dar uma palavra de explicação. Mas a DE-SNS passou a ter a responsabilidade desta situação”, prosseguiu, referindo que “um Presidente da República não existe para avaliar ministros ou pedir publicamente demissões.”Os rivais na corrida a Belém apontam, sim, ao Governo. “Enquanto Presidente da República, tratarei diretamente desse assunto com o primeiro-ministro”, respondeu António José Seguro, adiantando que o cargo de Ana Paula Martins tem de ser avaliado. “Quer dizer, agora é todos os dias? Em Portugal as pessoas sabem que um dia terão uma doença, mas precisam de ter cuidados de saúde a tempo e horas. Agora começa a haver o medo de se adoecer. É uma situação inaceitável e alguém tem de pôr cobro a isto”, afirmou o candidato apoiado pelo Partido Socialista.Henrique Gouveia e Melo concordou com Seguro e vincou que “chamaria o primeiro-ministro a Belém, porque é necessário ter uma conversa séria sobre este assunto, que está a afetar a credibilidade do Sistema Nacional de Saúde e, indiretamente, a credibilidade da governação”, disse numa ação de campanha nos Bombeiros de Macedo de Cavaleiros”, recuando à pandemia para tecer críticas aos intérpretes políticos. “Isto lembra-me o início do processo de vacinação, por haver tentativa de partidarizar a gestão superior da Administração Pública, que todos os governos tentam fazer”, apontou. “A responsabilidade é deste Governo, do anterior Governo, dos principais partidos, que têm feito disto uma politização excessiva. O que está em causa não é dizer ou andar a substituir diretores executivos do SNS ou diretores hospitalares sempre que acontece um problema, porque isso é passar a culpa para baixo, para desculpar a parte de cima”, atacou o militar na reserva.André Pestana concordou com as críticas repartidas a PS e PSD. “Claro que esta ministra faz parte do problema, não da solução. Agora, em abono da verdade, esta degradação de serviços públicos tem acontecido nas últimas décadas, por isso a responsabilidade é dos últimos governos, desde o PSD e o PS, incluindo a Geringonça”, afirmou o sindicalista em Coimbra.No debate na RTP, na terça-feira, André Ventura criticara a insistência de Seguro em querer um “pacto na Saúde” e ontem, no início do dia, o candidato presidencial e líder do Chega afirmou que “obrigaria o Governo” a ter “um plano concreto para a Saúde segundo objetivos”, o que, de acordo com os poderes constitucionais do chefe de Estado, não é permitido. “O Presidente tem de começar a dizer ao Governo o que tem de fazer na Saúde”, disse Ventura, em Ourém. O Presidente aconselha, não pode obrigar a que um ministro seja exonerado. Nesse caso terá de ser sempre por proposta do primeiro-ministro. “A consequência é dizer ao Governo que, se não entra na linha, a ministra da Saúde tem de sair”, respondeu, ignorando a constatação de que não tem poderes executivos em Belém para o que avançou como medida.João Cotrim de Figueiredo sugeriu “embaraço” do Governo para criticar a ausência de justificações. “Este é o género de situação que exige respostas e esclarecimentos rápidos e só há duas explicações para uma demora tão grande: ou há o apuramento de factos ou circunstâncias que possam justificar isto, que parece difícil, ou há um embaraço tão grande que estão a encontrar a melhor forma de politicamente gerir esta situação”, considerou o ex-presidente da Iniciativa Liberal. “Não gosto de pedir a cabeça de ninguém, já o referi. Neste caso, há uma falta de condições políticas se se confirmar que esta não-renovação do contrato foi precedida de um aviso das entidades no terreno”, vincou, antevendo que uma demissão seria necessária caso não tenha sido aplicado o plano de reforço de emergência.Catarina Martins vê uma “situação de calamidade na Saúde”, considerando que, “seguramente, a ministra não tem condições”, atirando, porém, a Montenegro: “Não devia ter sido reconduzida. Não podemos dizer que foi um erro da ministra, é mesmo um problema global do Governo. É das coisas mais graves que assistimos em Portugal”, comparou nos Bombeiros Voluntários da Moita, pedindo aos portugueses para refletirem se Cotrim de Figueiredo e Marques Mendes são os “indicados para salvar o acesso das pessoas à Saúde.” António Filipe, reconhecendo a “situação absolutamente dramática, vinca ser “suficientemente grave” um “encontro de carácter excecional” entre Marcelo Rebelo de Sousa e Montenegro. “Tem de haver uma outra política que não seja apenas conviver com a falta de meios”, referiu.Jorge Pinto já anteontem declarara que chamaria Montenegro a Belém. “Isto tudo envergonha. Temos de antecipar. Porquê agora anunciar as ambulâncias? É preciso muito mais exigência da Presidência porque o SNS está a ser destruído”, atirou o candidato apoiado pelo Livre, referindo-se à garantia que Montenegro deixou ontem no Parlamento, publicitando compras de ambulâncias. Também Seguro e Cotrim consideraram “tardio” o investimento anunciado em ambulâncias.."A ministra não tem condições, mas é um problema global do Governo.” Catarina Martins."São casos a mais, é tudo bastante chocante, são precisas justificações.”Luís Marques Mendes."Agora, começa a haver o medo de adoecer. É uma situação inaceitável.”António José Seguro.“É preciso exigência do Presidente, porque o SNS está a ser destruído.”Jorge Pinto."Tem de haver uma política que não seja apenas conviver com a falta de meios.”António Filipe."Há falta de condições para a ministra se se confirmar que esta não-renovação foi precedida de aviso."João Cotrim de Figueiredo."O Presidente tem de começar a dizer o que o Governo tem de fazer na Saúde.”André Ventura.“Há a tentativa de partidarizar gestão da Administração Pública e de passar a culpa.”Henrique Gouveia e Melo.Marques Mendes diz que direção executiva do SNS está “desaparecida em combate”. Seguro e Cotrim exigem resultados .Falha no socorro do INEM. Críticas de Gouveia e Melo e Catarina Martins, Marques Mendes promete ajuda.Ventura quer usar Belém para “obrigar” Governo a plano na saúde