Rui Tavares, co-porta-voz do Livre, prestou uma entrevista ao Diário de Notícias em ano de congresso do partido, no qual ainda não admite recandidatar-se, apesar de o poder fazer pelos estatutos. Lamenta que o PSD siga a agenda do Chega, considera que Luís Montenegro se tem blindado através dos ministros e mantém temores em relação à revisão constitucional. Não vê o PS como um parceiro fiável para a Regionalização.Quais são as principais metas do Livre para 2026?Em 2026, temos muito claramente no horizonte a defesa da Constituição, porque acreditamos que, mais tarde ou mais cedo haverá uma inútil e desnecessária querela constitucional. Porque à medida que a direita vai deixando clara a sua incompetência para resolver os problemas práticos que as pessoas têm, na habitação, na saúde, nos transportes, na educação, a única maneira que tem de a disfarçar é através de guerras culturais ou do destapar dessa querela constitucional. Já tínhamos alertado para a possibilidade de vir a haver esta tentativa e vamos fazer essa luta, que será muito pedagógica também, porque não defendemos o imobilismo da Constituição. Defendemos uma Constituição que tenha uma capacidade de adaptação, mas que seja fiel à sua história, que seja um espaço de consenso que vai da esquerda à direita democráticas. Temos uma direita muito radicalizada que quer fazer uma revisão, que pode ser drástica, retirando o direito do consumo, do trabalho, do ambiente. Isso pode ser gravoso para os direitos, liberdades e garantias. Fazer essa revisão unicamente à direita e à extrema direita seria um caso único na história de 50 anos de democracia em Portugal e uma machadada numa história constitucional democrática.O que o preocupa não é tanto a própria revisão, mas sim essa possibilidade de acordo à direita?Ainda agora vimos que os húngaros, passado 16 anos, conseguiram ver-se livres de Orbán. Mas Orbán começou por pôr os seus nomeados no Conselho Superior de Magistratura e nos de Media. E olhamos para o Chega, está a pôr os seus ministros-sombra no Conselho Superior de Magistratura do Ministério Público, assessoras jurídicas do próprio grupo parlamentar – que aliás nos levará a pedir pareceres ao Conselho da Europa – e deputados como membros de um órgão de imprensa do próprio partido, conhecido pela desinformação e por falsificar notícias, no Conselho da Opinião da RTP..Compreende que o PSD adote discursos tão ferozes contra a imigração e que tenha priorizado mudanças na Lei da Nacionalidade? Da parte do PSD não se entende. É um total erro, é um tiro no pé de que se vai arrepender mais tarde e que vai pagar muitíssimo caro por estarem a ir atrás de todos os temas do Chega. Da parte do Chega entende-se muito bem. Cada vez que há um escândalo, que um deputado do Chega que tem um problema criminal, aí vem André Ventura com três Salazares. Depois, vem ao plenário e cita frases usadas por Hitler, que se fosse dita no parlamento alemão ou no parlamento francês seria um escândalo. André Ventura quer que as pessoas falem de burcas ou da utilização de armas por polícias, quando deveríamos estar a falar dos milhares de milhões de euros para fazer a recuperação no território após as tempestades. Já deveríamos estar a gastar mais do que aquilo que estamos a gastar porque os apoios ainda não chegaram ao terreno. O Governo só fala da unidade de missão, mas essa não executa milhares de milhões de euros. É preciso uma agência pública que seja escrutinada, que seja fiscalizada neste parlamento com os seus gastos, mas disto nunca ouvimos o Chega a falar. Acho extraordinário que o PSD vá atrás disto. O PSD é indispensável para fazer qualquer maioria de dois terços neste parlamento, tem desde o início uma escolha muito clara entre fazê-la com parceiros históricos da construção da democracia em Portugal, com novos partidos que, como no caso do Livre, tenham cartas dadas em relação à democracia e direitos fundamentais. Estamos sempre disponíveis para ouvir, para falar, para dialogar em cada um desses temas. Mas o Governo identifica também que se as pessoas falarem de burcas durante umas semanas não vão falar do facto de as urgências estarem a fechar ou as casas estarem a ficar cada vez mais caras. Envergonha-me muitas vezes falar com os jovens que têm hoje a idade que eu tinha e ver que nem sequer imaginam poder entrar num banco e pedir um empréstimo porque os preços das casas estão absolutamente inacessíveis. Indigna-me que haja um Governo que esteja sentado em cima do epicentro da crise da habitação e nada faça..Hugo Soares, há umas semanas no Parlamento, vangloriou-se de o Governo ter aplicado a proposta do passe ferroviário nacional. É uma proposta do Livre. Há pontos de entendimento possíveis com o Governo?Não nos importamos nada que o Governo roube as nossas ideias desde que não as distorça e desde que depois não diga que é dele aquilo que, na verdade, é nosso. O passe ferroviário nacional é uma medida do Livre. Encontrava-me regularmente com pessoas que me diziam que moravam no Entroncamento, ou em Tomar, e essa medida serviu para poupar dezenas de euros. Agora o que era preciso era alargá-lo a mais comboios. Já chega a um milhão de assinaturas e isso é o efeito prático na vida das pessoas. Esta proposta, ainda com Pedro Nuno Santos, depois já com este Governo, andou muito tempo em negociação. Este passe era um teste para um passe de mobilidade nacional, porque há muita gente em Portugal que mora em regiões que não têm comboio e hoje a situação está agravada pela questão da crise da habitação. Temos um problema grave em Setúbal, há muita gente que trabalha em Tróia e o concessionário faz preços para turistas. E temos problemas semelhantes, por exemplo, na área metropolitana do Porto, onde o acesso via autocarro de Viana do Castelo ao Porto é difícil. No fundo, o nosso programa centra-se sempre entre coisas pequenas que mudam o dia a dia. Temos outras mais visionárias, como a semana de quatro dias. Poderíamos estar adiantados e seria uma resposta ao custo de vida, ao aumento dos combustíveis. Os governos vão começar a perceber que ela é boa em termos de produtividade, para o planeta e em termos de poupança.Olhando para o mandato do Governo, de 0 a 20, como é que categorizaria as medidas que têm sido aplicadas e as respostas às crises? Este Governo não chega sequer para a nota sete. Pedro Nuno Santos [antigo ministro de António Costa] foi muito generoso quando categorizou de medíocre. É um governo que não tem resolvido nenhum dos problemas práticos que têm à frente. Já é uma questão diferente com a primeira legislatura de Luís Montenegro. Primeiro, porque havia muita fruta madura para apanhar, que António Costa tinha deixado a nosso ver incompreensivelmente. Mas as negociações com os professores, com as polícias, enfermeiros foram mantidas no início do primeiro governo de Luís Montenegro e isso foi bem feito. Houve alguns problemas que foram resolvidos. Só que não vimos outro programa quando deixou de ter fruta madura para apanhar. Na Saúde tinha os tais 60 dias para um plano de emergência e não se vê qualquer melhoria.Acha que Ana Paula Martins está em xeque? A ministra da Saúde só não foi ainda demitida porque Luís Montenegro tem usado os seus ministros, em particular algumas das suas ministras, como para-raios para, no fundo, receberem todas as culpas que deveriam ser para o próprio primeiro-ministro. Já o fez com a ministra da Administração Interna [Maria Lúcia Amaral] e agora com a ministra da Saúde.E inclui também a ministra do Trabalho nesta definição de para-raio? A ministra do Trabalho tem um papel diferente, que é um papel de ponta de lança em relação a coisas que a direita sempre quis fazer. O pacote laboral não faz o mínimo sentido numa altura em que o país vem de uma situação de pleno emprego, de crescimento económico. Faria sentido ajudar os trabalhadores, os bons gestores e os patrões que tenham interesse numa economia de valor acrescentado. Precisamos de investimento público e privado, que seja bem canalizado, experimentando técnicas avançadas de gestão como a semana de quatro dias, uma agência portuguesa de inteligência artificial e a economia de descarbonização. Essas são propostas que nos levam para salários mais altos, que nos dão uma segurança social mais reforçada e um Estado com capacidade para dar serviços públicos universais e tendencialmente gratuitos. Pelo contrário, o que este Governo e a sua base de apoio apostam sempre é na economia do dinheiro fácil que fica sempre só nas mãos de alguns. É por isso que Portugal é o epicentro da crise da habitação. Há toda uma cadeia que beneficia disso, do imobiliário, da banca. Vamos dar mais exemplos deste dinheiro fácil: o jogo online, por exemplo. Tentamos regulamentá-lo, impedir que esteja a ocupar o espaço público da maneira absolutamente escandalosa que ocupa. Temos uma enorme maioria social a favor da regulamentação disto, as pessoas veem as desgraças que acontecem à sua volta, mas o Governo não quer. Em Portugal, fala-se sempre em baixar o IRS e o IRC daqueles que já são mais beneficiados, mas veja-se a dificuldade que há desde que José Sócrates subiu o IVA, em junho de 2011, de baixar o IVA..Foi moderado no Orçamento do Estado, dizendo que esperaria para ver as medidas em concreto. Tem previsão de que a esquerda possa e deva trabalhar para que o governo não termine a legislatura?Não podemos ser institucionalistas numas coisas e não ser nas outras. Este Governo é legitimamente escolhido pelos portugueses, é preciso que as pessoas vejam do que é capaz ou, neste caso, não é capaz. O país não deve ter crises políticas que sejam artificiais. Se a crise política surgir de outras paragens, aí avaliaremos, mas não surgirá da parte do Livre. É muito difícil que este Governo nos apresente um Orçamento que digamos que sim, mas não dizemos que não antes de o avaliar, porque há guerras, catástrofes. Todos temos de dar o nosso contributo e o Livre, a seguir ao comboio de tempestades, disse estar abertos a um trabalho para um orçamento retificativo.Acha que esse retificativo ainda vai acontecer? Não sei, se o dinheiro estivesse a ser executado se calhar acontecia. Pior do que um Orçamento Retificativo é saber que as pessoas estão à espera de ajuda e de que há perdas económicas. É preciso dinheiro para as pessoas voltarem a pôr as suas empresas a andar, para recuperarem património e turismo. Portanto, ao não fazermos o plano Marshall estamos a desperdiçar dinheiro. Quanto a crises políticas, Luís Montenegro apresenta um problema que tem a ver, de novo, com as confusões entre vida privada e vida empresarial. E pode andar atrás do Chega imenso tempo e vir a ter a paga da ingratidão. Por isso, entendo que a crise política surgirá sempre à direita, o Livre aí avaliará como reagir. O Livre e a Iniciativa Liberal, em certos casos, podem fazer de pêndulo. Sensibilizou a IL para que nos órgãos externos não se aliasse ao Chega. Ficou desiludido?Não senti desilusão porque também não tinha enormes ilusões. Sinto é incompreensão. É difícil conseguir a Iniciativa Liberal com um normal partido liberal de um país europeu e trabalhei muitas vezes com esses partidos na Europa. Em Portugal, vê-se uma agenda sobreposta, partilhada com o inimigo óbvio, os antiliberais, como é o Chega. Viu-se na deriva da Iniciativa Liberal em relação à imigração. Entende-se mal que não tenham contribuído para a existência de um entendimento em relação a estas instituições centrais na democracia portuguesa, como o Conselho Superior de Magistratura, o Conselho Superior do Ministério Público, que são coisas seríssimas no combate à corrupção e independência na Justiça. independência do judiciário, na separação de poderes. E aí eu não vi nenhuma preocupação da Iniciativa Liberal em relação ao Chega colocar pessoas com currículos de uma página e três linhas. Quando os próprios deputados estão proibidos de ir para o Conselho Superior de Magistratura, o Chega quer mandar para lá as pessoas em quem os deputados mandam. A Iniciativa Liberal reagiu? Não! O Rui Rocha guardou toda a sua capacidade de estar zangado com a vida com a candidatura de Tiago Antunes. E foi pela janela toda a briga que a Iniciativa Liberal tinha com a cultura de cancelamento, agora por visto adotaram-na. Precisamos de uma Provedoria que seja uma instituição, uma verdadeira agência, com poderes quase ministeriais para defender os cidadãos quando eles são maltratados pelo Estado. Se calhar o famoso escândalo das gémeas não teria ocorrido. Pode sempre haver um momento em que a Iniciativa Liberal abra os olhos e pense que tem de construir a democracia com as famílias políticas que historicamente construíram as democracias europeias e, sim, as democracias europeias tiveram muito de Socialismo. Se a IL não quiser, o Livre não se importa nada e será também base do nosso crescimento, porque é preciso ir roubar o eleitorado à direita..A Regionalização é uma meta assumida pelo Livre. Tece conversas com o PSD, sabendo que há deputados que concordam com a necessidade de descentralização de competências?O Livre não para de fazer o que é o seu ativismo nesta ideia. Percebo que haja pessoas a favor e contra. Não percebo é que andem a enganar as pessoas acerca deste tema. A cura para o centralismo chama-se Regionalização. É preciso que um jovem de Portalegre ou Bragança possa votar em diversos partidos e ter essa representação, que não tenha de vir para Lisboa ou Porto para que o voto conte. Por outro lado, deve votar também na direção política da sua própria região. O que dizemos é: ‘Escolhes o teu autarca, escolhes a tua região, o teu país e a democracia europeia. Isto é o que é prático depois na alocação de recursos, na construção de infraestruturas, na definição de estratégias regionais e combate às catástrofes. Queremos ganhar esse debate em referendo e não temos paciência para a ‘treta’ de quem diz que é contra o centralismo, mas também contra a Regionalização.E o PS nesse sentido é um parceiro fiável? É seguro confiar no PS quando teve oportunidades para o fazer quando foi Governo e não avançou? Não, o PS também está muito dividido. Publicamente, é a favor da Regionalização, mas também tem muita gente que prefere criar estes híbridos, que não são nem carne nem peixe, das CCDR a mandar, ainda para mais eleitas pelos autarcas. Vê-se que até são piores quando a AD decide nomear para as CCDR uma série de políticos de carreira no partido. Faz-se longe do olhar das pessoas, é uma estrutura opaca. Outros países que regionalizaram beneficiaram disso. Espanha tem problemas de falta de coesão nacional, fez a Regionalização e vemos onde está hoje a Galiza em comparação há uns anos. Temos de acreditar que cada região consegue resolver os seus problemas. Até porque a Regionalização interessa ao Litoral também.Há seis meses dizia-me que tinha respeito e conversas profícuas com José Luís Carneiro. Houve um aprofundamento de relação? Vai pedir-lhe uma postura mais assertiva de oposição ao Governo? Seis meses depois, a minha opinião até se reforçou. As relações são boas e o diálogo é constante. Não lhe vou é dar conselhos de como deve levar adiante a liderança do seu partido, como ele não nos dá a nós. O que acho muito importante é que todos os partidos progressistas cresçam para que Portugal tenha alternativa. O Livre tem de ser pragmático no diálogo, fazer coligações como já fez à escala local. Mas ter uma estratégia de crescimento para si mesmo. O Livre tem de responder aos problemas e nunca recuou em nenhuma eleição, foi sempre crescendo, mas sem crescer mais do que a conta. Queremos e acreditamos na nossa longevidade. Os eleitores que defendem a ecologia, a Europa, a liberdade vão sempre existir.António José Seguro é garante de que, por exemplo, uma revisão constitucional não passará? O garante temos de ser nós todos. Não podemos estar só a contar com um político. Seguro fez um ótimo discurso no 25 de Abril e tem notado vários problemas que são problemas importantes do país. Se viermos a ter uma querela constitucional, que eu creio ser inevitável para a direita, o Presidente da República fica numa situação mais limitada, porque só tem duas cartas para jogar. Deixar andar, mesmo que seja uma revisão da Constituição drástica, ou então ir para uma dissolução parlamentar e para novas eleições que ninguém deseja no país neste momento. A direita, hoje, tem noção de que a sua revisão constitucional não é popular e que nunca ganharia dois terços numa eleição. Estamos preparadíssimos para avançar com um grande esforço de dinamização da opinião pública a partir do exato momento em que alguém entregue um projeto de revisão constitucional. Estamos prontos há muitos meses.Concorda com Bloco de Esquerda e PCP que disseram que o Presidente da República fez pressão à UGT para um acordo na lei laboral?Não vou comentar. O Presidente da República, durante a campanha eleitoral, disse que usaria a caneta para vetar o pacote como está e é o que esperamos que faça. .Conhece bem José Manuel Pureza ainda nos tempos do Política XXI. Há mais capacidade de entendimento com Pureza do que havia com Mariana Mortágua? Não, a capacidade de entendimento será sempre a mesma. Com Mariana Mortágua havia bastante, com José Manuel Pureza haverá certamente. Respeitamos as lideranças. Pureza pediu-nos uma reunião, será tida em breve, até por ser um momento de diálogo para fazer face aos desafios que temos pela frente, como a luta laboral. Não é momento de falar em coligações, não é um momento eleitoral.Em 2025, o LIVRE teve um crescimento explosivo em militância. Gerou-lhe preocupação ver quatro vezes mais pessoas quererem associar-se ao partido? Não, porque um partido que não quer crescer é um partido que não quer ficar. Começámos a ser um partido de cerca de cinco mil pessoas, mas somos um partido de mais de 200 mil votantes. Queremos aproximarmo-nos dos dez mil, dos 20 mil apoiantes/membros. Os partidos crescem, começam a entrar em câmaras municipais, assembleias municipais, por isso mesmo começa a existir divisão e algumas críticas. Há quem aponte, nomeadamente, falta de rotatividade nos cargos.Está nos estatutos desde o início a rotatividade no cargo de co-porta-voz. Há três mandatos, curtos, de dois anos, para o Grupo de Contacto, portanto essa rotatividade existe por inerência, mas o Livre tem mais do que isso. Tem uma direção do partido composta sempre por pessoas das várias listas que tenham obtido pelo menos um mínimo de votos [Rui Tavares teve dez em 15 em 2024]. Os candidatos e candidatas são escolhidos por eleições primárias, existe uma abertura com seriedade e temos visto uma estabilidade grande: muita gente entra, poucos saem. Não há debandadas ou lideranças inteiras a sair. As pessoas não entram no Livre para ficarem numa posição de expectativa. Queremos enraizamento no mundo do trabalho, dos que são sindicalizados, mas uma rede de pequenos e médios empresários, da Ciência, Cultura.É sua intenção continuar e candidatar-se em 2026 no congresso?Alguns têm possibilidade de renovar o seu cargo no Grupo de Contacto. É o meu caso, mas tudo isso terá de ser discutido entre membros e apoiantes. Não é meu hábito discuti-lo na imprensa nem antes de tempo. É importante discuti-lo com a marcação oficial do congresso e, em primeiro lugar, com membros e apoiantes. A Isabel Mendes Lopes está nas mesmas condições, fez dois mandatos, é uma extraordinária co-porta-voz e líder parlamentar e tem todas as condições políticas para continuar.O Livre não é dependente da figura de Rui Tavares?Às vezes, somos um partido que, se calhar, dá pouco assunto para os outros discutirem e, portanto, discutem a mesma coisa muito tempo. Nos outros partidos existe uma cara no cartaz. No Livre isso nunca aconteceu, porque nunca quis. O Livre não precisa de apresentar sempre a mesma pessoa nas várias eleições. Tivemos o Jorge Pinto a fazer uma extraordinária campanha presidencial, elogiado por toda a gente. Dividimos o cargo de co-porta-voz entre mim e a Isabel. A Isabel é líder parlamentar, o Paulo Muacho foi líder parlamentar agora em substituição da Isabel e é alguém que faz um papel extraordinário em tudo o que tem a ver com direitos, liberdades e garantias, como também a Patrícia Gonçalves e a Filipa Pinto fazem na Ciência e Defesa e Educação e Cultura, respetivamente. Olho para o nosso grupo parlamentar e sinto um grande orgulho. A Patrícia Gonçalves é catedrática no Técnico, diretora de um dos laboratórios científicos mais importantes do país e está aqui na Assembleia da República, como trazemos a Filipa Pinto, professora de escola secundária com uma carreira de 30 anos. Para um partido como o nosso, dentro da família verde europeia, creio que mais importante do que a representação parlamentar é a representação autárquica. Quando vemos na Europa boas creches, transportes públicos, espaços verdes, pode estar um vereador da família do Partido Verde Europeu. E é isso que queremos ter em Portugal, porque quando as pessoas na sua terra começarem a ver aquele corredor verde, aquela ciclovia, aquela creche, é aí que o partido se torna indispensável na vida das pessoas.Jorge Pinto ganhou lastro para ser o novo Rui Tavares em 2028? O Jorge Pinto é o novo Jorge Pinto, tem uma simpatia e um acolhimento tão grande por parte das pessoas, e eu vejo a forma como toda a gente reage à naturalidade com que o Jorge Pinto está na política, à maneira franca, honesta, sorridente, como ele se apresenta. Conheço-o antes do Livre, desde o dia em que me veio bater à porta do gabinete no Parlamento Europeu porque tinha acabado de conseguir um emprego nas instituições europeias e queria doar dinheiro para uma bolsa de estudos que eu estava a fazer. É a mesma fantástica pessoa, tem grande futuro político, como tem o Paulo Muacho. Um alentejano que veio para o Seixal com nove anos, jovem advogado, aguerrido, que não deixa que ninguém tire um direito a ninguém. Lembro-me dos primeiros anos de democracia, mas uma coisa que nunca ninguém dizia da Assembleia da República nessa altura é que fosse uma palhaçada. Hoje, as pessoas vêm ter comigo e vêm dizer que o que veem no Parlamento as envergonha. Concordo. Como é possível sairmos com os ouvidos a zumbir, como se tivéssemos ido a uma discoteca? Pois, foi dia de Plenário e estavam 60 tipos aos berros. O aviltamento do Parlamento é sempre o prelúdio de qualquer coisa muito pior. Isso aconteceu-nos há 100 anos, aconteceu noutros países europeus, está a acontecer outra vez, é papel de todos nós impedir que venha a acontecer mais vezes..Livre quase quintuplicou militância nos últimos dois anos.Rui Tavares ao DN: "Por José Luís Carneiro existiriam mais coligações com o Livre".Rui Tavares exige que Mariana Leitão se retrate por associar partido Livre a violência em manifestação.Jorge Pinto não chega a 1% depois das Legislativas recorde para o Livre.Regionalização. Livre propõe assembleia cidadã