Rui Rio: "Esta moda de ataque à PSP e de defesa do incumprimento da lei é uma enorme ajuda para o Chega"
Antigo presidente do PSD, Rui Rio defendeu esta segunda-feira, 26 de outubro, que as críticas à atuação da PSP nos protestos pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, assim como a defesa pelo incumprimento da lei, favorecem o Chega.
Na rede social X, antigo Twitter, o antigo líder dos sociais-democratas defendeu que "quem está a ganhar com tudo isto" é o partido dirigido por André Ventura. "Esta moda de ataque à PSP e de defesa do incumprimento da lei é uma enorme ajuda para o Chega", considerou.
De acordo com Rui Rio, "as manifestações ordeiras afetam politicamente o Governo", enquanto "a insubordinação e o exagero beneficiam o Chega". "Continuem assim … depois queixem-se", referiu ainda na mensagem.
A opinião de Rui Rio surge na sequência das cargas policiais do último fim de semana nas acampadas no Rossio, na capital, e na praça D. João I, na cidade Invicta.
Foi na madrugada de domingo (25 de outubro) que a PSP dispersou, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.
Os manifestantes não acataram as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação.
Segundo a PSP, registaram-se, no total, 33 feridos e 31 detidos por desobediência. Em comunicado, as organizações das acampadas referiam dezenas de feridos.
As seis pessoas detidas na madrugada de domingo, após a intervenção da polícia na Acampada do Porto, na praça D. João I, vão ser julgadas a 13 de novembro, depois de terem sido hoje identificadas no Juízo Local de Pequena Criminalidade no Porto.
Em relação aos 27 detidos em Lisboa, o Ministério Público propôs esta segunda-feira a medida de suspensão provisória por resistência na acampada do Rossio.
De acordo com o advogado Ricardo Sá Fernandes, "o Ministério Público manifestou toda a compreensão pela luta das pessoas que ali estavam e que eram aqui arguidas e propôs a todos uma suspensão provisória do processo que passe apenas pelo pagamento de uma compensação simbólica, falou-se em 150 euros, para uma instituição de solidariedade social".
Os manifestantes das acampadas de Lisboa e Porto exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos “verdadeiramente acessíveis” à renda.
Os partidos de esquerda criticaram a intervenção policial, pedindo esclarecimentos ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, e a intervenção do Presidente da República, António José Seguro. O PSD, partido do Governo, e o Chega defenderam a atuação da polícia.
Com Lusa

