Sendo o candidato mais votado na primeira volta, António José Seguro teria sempre o desafio de dirigir-se aos distritos que mais lhe deram votos para manter a vantagem e até, em certos casos, agradecer a confiança. Definiu-o como estratégia, mas ter ficado por Lisboa e arredores na primeira semana pós-primeira volta limita os planos, já que a devastação que Portugal tem sofrido com o mau tempo fará com que existam deslocações que não terão lugar. Ainda assim, vai percorrer a larga maioria. O DN apurou que Coimbra e Leiria estavam no plano e tiveram de saltar da equação, até por respeito ao sofrimento das comunidades. Quanto à mensagem, nesta reta final, Seguro aponta baterias ao combate à desmobilização (isto perante o avanço que as sondagens lhe têm dado) e, sabe o DN, vai também dar algum ênfase às questões ambientais. Também certo é que o socialista vai repetir o final de campanha da primeira volta. Sem ser possível determinar se voltará ao Bolhão, terminará no Porto a odisseia presidencial na qual está desde junho. Restará saber se voltará a Gaia também e se passará por concelhos do distrito de Aveiro, mas espera-se um apoio massivo das federações distritais do PS, que acompanham o candidato já desde as ações de campanha deste fim de semana no Norte, nomeadamente em Braga. No fim de semana andou por Viseu e Guarda. No Porto, alcançou mais de 31% e só não venceu no concelho da Póvoa de Varzim. Em Braga chegou aos 30% e tentará acumular votantes do terceiro classificado, Cotrim de Figueiredo - assim como em Fafe, onde foi o homem da terra, Marques Mendes, a vencer. É considerado um distrito muito importante, daí ser o quartel-general da comissão organizadora de campanha.Na quinta-feira, está prevista uma arruada em Lisboa e a mobilização dos deputados irá acontecer a partir do início da próxima semana. Pelo que o DN pôde saber, haverá comício nessa quinta-feira à noite na capital. José Luís Carneiro, secretário-geral, e Carlos César, presidente do partido, devem marcar presença. Pelo que o DN pôde saber, António Costa, presidente do Conselho Europeu, e Pedro Nuno Santos, ex-secretário-geral, não deverão participar na última semana de campanha eleitoral. Na segunda-feira, o périplo deverá passar por Portalegre e nos dias seguintes por outros concelhos do Interior estarão na rota do candidato apoiado pelo PS - como Castelo Branco, de onde é natural (Penamacor). Para quarta-feira, está agendada a ida a Beja, às Portas de Mértola, seguindo para Castro Verde, num distrito onde derrotou Ventura por 5%. Na caminhada, é esperado que Seguro volte a ter ex-ministros a seu lado. Tanto ex-titulares de cargos nos governos de José Sócrates como de António Costa. Assim foi na Saúde, Justiça e Ambiente, por exemplo, ouvindo, destes, também alguns aconselhamentos políticos para as pastas em questão. Atualmente, pelo que o DN pôde saber não existirão grandes guinadas no discurso. Como, aliás, não tem acontecido. O apelo a todos os eleitores para votarem, até dirigindo-se a alguns dos que considera estarem à direita e a votar em Ventura, será toada dominante para contrariar a ideia que a eleição para a Presidência está encaminhada. Está identificado por Seguro que o maior inimigo à vitória é mesmo a desmobilização eleitoral.Naturalmente, os eventos climáticos colocarão, sabe o DN, o Ambiente na rota de discussão da próxima semana. Seguro não tem sido crítico de ministros, apesar de apontar o caos na Saúde. Restará saber se esse discurso se manterá na Administração Interna nos próximos dias (nas primeiras reações à gestão do Governo na tempestade Kristin, foi sempre frisando que o momento é “de acudir às pessoas”, embora tenha salientado na sexta-feira que é “preciso uma conversa séria” e que “a culpa não pode morrer solteira” . Nesta reta final da campanha, manterá olhos postos na ideia de pactos na Saúde e Justiça e foco no discurso de combate ao extremismo, ao ódio, vincando a sua independência, até por ter figuras de vários quadrantes consigo, e a garantia de que não vai mudar a Constituição. .“Contra tudo e contra todos”, Ventura ruma a Lisboa (ou a Sintra) e com dois adversários na mira.Presidenciais. Da revisão constitucional ao Parlamento, o que mudou na mensagem?.Presidenciais: Gouveia e Melo anuncia que vai votar “útil” em Seguro