O grupo parlamentar do PSD leva esta quarta-feira, 13 de maio, à Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto um requerimento para ouvir o Conselho de Administração da RTP pela disponibilização de meios de transporte de Lisboa para o Porto à vereadora socialista na Câmara de Lisboa Alexandra Leitão – o único nome referido no documento – para participar no programa Grande Debate. Na iniciativa, surge a ideia de que “importa garantir que todas as decisões relativas à afetação de meios são pautadas por princípios de transparência, proporcionalidade e equidade”, ignorando que o deputado do PSD Bruno Vitorino também participou no debate, com pagamento de despesas em termos proporcionais.No início do documento, os deputados sociais-democratas lembram que a RTP, em 2025, “após um período de quinze anos de resultados positivos”, registou “um resultado líquido negativo de cerca de 3,9 milhões de euros, enquadrando este resultado num contexto de estagnação das receitas e aumento generalizado dos encargos, sublinhando a importância da sustentabilidade financeira para a prossecução da sua missão de serviço público”.No parágrafo seguinte, o incómodo da bancada do PSD é justificado com o facto da televisão pública ter disponibilizado “meios de transporte” para garantir “a deslocação de uma titular de cargo político a um programa emitido fora da sua área de residência”. O nome de Alexandra Leitão é apenas referido numa nota de rodapé, que remete para uma notícia do 24 Horas, que dá conta de que a vereadora socialista participou numa reunião da Câmara de Lisboa a partir de um carro da RTP, por videoconferência.O DN conversou com Alexandra Leitão, que confirmou a disponibilização dos meios de transporte da RTP de Lisboa para o Porto, depois de ser convidada para participar no programa, sendo que a autarca tinha pedido que a sua participação no Grande Debate, apresentado pelo jornalista Carlos Daniel, acontecesse por videoconferência. Face a essa impossibilidade técnica – confirmou a RTP, de acordo com a descrição de Alexandra Leitão – e com a necessidade da participação ser presencial, a vereadora socialista acabou por ir para o Porto e regressar a Lisboa no mesmo dia, de facto com um carro da RTP.Alexandra Leitão vincou que, apesar de ser vereadora do PS na Câmara de Lisboa – e por isso mesmo titular de um cargo político – foi ao programa na qualidade de professora universitária.Em relação ao deputado Bruno Vitorino, com quem o DN também conversou, a despesa é paga à parte, depois de apresentadas as faturas, porque o parlamentar social-democrata conduziu o seu veículo até aos estúdios da RTP. Adicionalmente, Bruno Vitorino ficou a dormir no Porto, com essa despesa também suportada pela RTP.O mesmo terá acontecido a outros convidados deste programa – cujo tema era Identidade de Género e Transexualidade –, como a atriz Maria João Vaz, que foi de comboio para o Porto e regressou a casa da mesma forma, depois de ter pernoitado naquela cidade.O DN apurou junto da RTP que tanto a disponibilização de meios para deslocação como o pagamento de despesas de transporte e estadia a quem dela necessita é comum e faz parte das despesas associadas ao decorrer do funcionamento da televisão.A despesa de deslocação de Alexandra Leitão será de cerca de 200 euros e justifica-se com a necessidade de levar pessoas ao estúdio para o debate, até porque nenhum dos convidados tem uma avença ou é pago pelo comentário.Na missiva social-democrata é esclarecido que, “não estando em causa a relevância da participação de convidados nos conteúdos do serviço público de media, nem o normal funcionamento da atividade editorial e a utilização de recursos da RTP para este tipo de deslocações”, importa esclarecer os “critérios adotados”, assim como a “sua natureza” e a “sua extensão”.Face ao que está por esclarecer perante o requerimento para ouvir o Conselho de Administração da RTP – como o facto de não ser referido o nome do deputado Bruno Vitorino, que, a limite, poderia desfazer algumas dúvidas sobre o que a bancada social-democrata entende por “transparência, proporcionalidade e equidade” –, o DN contactou o grupo parlamentar do PSD, mas não obteve qualquer resposta, tendo sido apenas referido que nenhum dos deputados que assinaram o documento iria pronunciar-se agora sobre o tema.No mesmo dia, será votado um requerimento do Chega para “a audição do Conselho de Administração da RTP e dos diretores de informação da empresa das áreas de televisão e rádio, sobre a gestão da empresa pública responsável pelo serviço público de media”..PS questiona Governo por requisitar nove profissionais da RTP enquanto condiciona entradas nos quadros.Nicolau Santos afasta qualquer interferência política ou pressão para reorganização na RTP