De acordo com o PS, estes cidadãos portugueses estão retidos num cruzeiro MSC Euribia
De acordo com o PS, estes cidadãos portugueses estão retidos num cruzeiro MSC EuribiaMSC Cruzeiros

PS acusa Governo de não contactar 73 cidadãos retidos num cruzeiro. "Um insulto", reage secretário de Estado

O partido diz que as únicas informações que estes cidadãos nacionais recebem são "mensagens automáticas da embaixada.
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O Partido Socialista (PS) acusou esta sexta-feira, 6 de março, o Governo de não contactar diretamente com 73 cidadãos portugueses retidos há uma semana num cruzeiro nos Emirados Árabes Unidos. 

"Há 73 cidadãos portugueses retidos já há uma semana no porto de Abu Dhabi, sem terem informações nem contactos diretos com nenhum funcionário diplomático/consular, ao contrário do que acontece com os cidadãos de outras nacionalidades, que reúnem regularmente com os seus representantes diplomáticos", criticou o PS, num comunicado enviado à Lusa.

Segundo a nota de imprensa, estes cidadãos portugueses estão retidos num cruzeiro MSC Euribia e as únicas informações que recebem são "mensagens automáticas da embaixada", pois não conseguem fazer chamadas telefónicas e não receberam a "visita de nenhum representante do Estado português".

De acordo com a mesma fonte, é importante que os funcionários diplomáticos vão ao encontro dos cidadãos em situação de dificuldade, "neste caso deslocando-se ao barco, para conhecer a situação em que se encontram".

Por fim, o PS apela ao Governo que estabeleça o contacto direto com os cidadãos portugueses, "para conhecerem a sua situação, serem informados sobre as expetativas de saída e outro tipo de questões, para que assim possam ficar mais tranquilos".

"O Governo não pode abandonar à sua sorte os seus cidadãos, ainda para mais num contexto de guerra", afirmou o partido na nota. 

"Um insulto", reage secretário de Estado

Em resposta, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas considerou que a acusação do PS é um insulto.

"São 73 pessoas. Tivemos o nosso embaixador dentro do navio, em Abu Dhabi, durante três horas. (...) Portanto, dizer que nós estamos a ignorar esta situação, eu diria que é um insulto", declarou à Lusa Emídio Sousa, como reação ao comunicado do Partido Socialista.  

Emídio Sousa acusou o partido da oposição de querer protagonismo com a situação e frisou que Portugal foi das primeiras nações no mundo a reagir face aos acontecimentos do fim-de-semana passado, quando uma missão norte-americana e israelita atacou o Irão.

"Portugal e os seus serviços diplomáticos foram provavelmente os primeiros a organizar um voo, há mais de uma semana, com o devido sigilo e recato que uma operação desta dimensão exige", reforçou o secretário de Estado.

Por fim, indicou que este grupo de portugueses permanece no navio porque não quiseram recorrer aos voos de repatriamento.

O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, foi questionado esta sexta-feira, em Espanha, sobre a possibilidade de o Governo português efetuar mais voos de repatriamento e admitiu que os pedidos "estão a aparecer a todo o momento e de vários países da região" do Médio Oriente, garantido que está a ser utilizada a capacidade nacional para a realização de voos de repatriamento “num contexto de solidariedade europeia”, que contempla a possibilidade de nacionais de outros Estados - não apenas europeus, poderem viajar em voos portugueses, e vice-versa.

Um avião fretado à TAP com 147 passageiros, dos quais 139 são portugueses, em fuga da guerra no Irão aterrou esta sexta-feira em Lisboa às 10:16 no âmbito de uma operação de repatriamento das autoridades portuguesas. De madrugada, já tinha aterrado no Aeroporto de Figo Maduro o avião militar com 39 passageiros.

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Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante a ofensiva o 'ayatollah' Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.

O Conselho de Liderança Iraniano assume atualmente a liderança do país.

O Irão lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.

Além da Turquia, incidentes com projéteis iranianos foram também registados em Chipre.

Desde o início do conflito, foram contabilizados mais de mil mortos, na maioria iranianos.

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