O primeiro-ministro, Luís Montenegro, com o seu homólogo espanhol, Pedro Sánchez, na 36.ª Cimeira Luso-espanhola, em Huelva
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, com o seu homólogo espanhol, Pedro Sánchez, na 36.ª Cimeira Luso-espanhola, em HuelvaMIGUEL A. LOPES/LUSA

Montenegro diz que EUA são “aliado incontornável” mas critica ameaças de Trump

“As ameaças e as acusações não são o caminho entre aliados”, disse Montenegro sobre a ameaça de represálias do presidente dos EUA a Espanha em relação ao conflito no Médio Oriente.
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O primeiro-ministro, Luís Montenegro, defendeu esta sexta-feira, 6 de março, que os Estados Unidos da América são “um aliado incontornável”, mas criticou também, de forma implícita, as ameaças do presidente norte-americano a Espanha no conflito no Irão.

Luís Montenegro falava na conferência de imprensa conjunta da 36.ª Cimeira Luso-espanhola, ao lado do chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, que decorreu na manhã desta sexta-feira em Huelva (Espanha) e teve como tema central a segurança climática, mas acabou dominada, na fase de perguntas, pelo conflito no Médio Oriente.

O primeiro-ministro português rejeitou que o tema do Irão seja um problema na relação com a Espanha, manifestando “respeito total” pelas posições de Sánchez em matéria de política externa, e dizendo querer até “desanuviar a tensão”.

“As ameaças e as acusações não são o caminho entre aliados”, disse Montenegro, depois de ser questionado sobre a ameaça de represálias de Donald Trump a Espanha.

O primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, reiterou, por seu lado, que a guerra no Médio Oriente, iniciada com ataques dos EUA e Israel ao Irão, é um "erro extraordinário" e ilegal.

Sobre a posição do governo português em relação ao conflito, Pedro Sánchez disse apenas que "a política externa de cada país a decide cada um dos governos", depois de ter sido questionado por jornalistas na conferência de imprensa da cimeira ibérica que decorre hoje em Huelva, no sul de Espanha.

O líder do Governo espanhol insistiu em que a guerra foi iniciada "claramente fora da legalidade internacional".

"Esta guerra é um erro extraordinário, que vamos pagar e já estamos a pagar", afirmou, referindo os impactos que o conflito já está a ter no aumento do petróleo ou do gás, mas também a nível de vítimas mortais, "dor e sofrimento" no Médio Oriente.

Sánchez tem condenado os ataques dos EUA e de Israel ao Irão, por considerar que violam direito internacional, e o Governo de Espanha recusou a utilização de bases militares em território espanhol pelos norte-americanos para estas operações. Na resposta, o Presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou Espanha com represálias.

Declaração final condena ataques do Irão mas não os EUA

A declaração final da 36.ª Cimeira Luso-espanhola dvulgada entretanto condena “os ataques indiscriminados e injustificados do Irão contra os países do Conselho de Cooperação do Golfo e outros países da região”, sem referência ao ataque inicial por parte dos Estados Unidos.

Na declaração, divulgada no final da reunião entre os dois países e já depois da conferência de imprensa dos primeiros-ministros Luís Montenegro e Pedro Sánchez, os dois países começam por reiterar “o seu compromisso com a paz e a estabilidade na região e reafirmam a necessidade de pleno respeito pelo Direito Internacional, incluindo os princípios da Carta das Nações Unidas e o Direito Internacional Humanitário”.

“Ambas as partes condenam os ataques indiscriminados e injustificados do Irão contra os países do Conselho de Cooperação do Golfo e outros países da região”, refere-se.

Ao mesmo tempo, Portugal e Espanha “insistem numa ‘desescalada’ imediata e o regresso ao diálogo e à diplomacia, via única para se alcançar uma solução duradoura para todas as questões pendentes com o Irão”.

“Portugal e Espanha estão a tomar todas as medidas necessárias para garantir a segurança dos seus cidadãos na região e auxiliá-los no seu regresso”, refere também o documento sobre este conflito, no qual não há qualquer referência aos Estados Unidos da América.

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