O primeiro-ministro, Luís Montenegro, defendeu esta sexta-feira, 6 de março, que os Estados Unidos da América são “um aliado incontornável”, mas criticou também, de forma implícita, as ameaças do presidente norte-americano a Espanha no conflito no Irão.Luís Montenegro falava na conferência de imprensa conjunta da 36.ª Cimeira Luso-espanhola, ao lado do chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, que decorreu na manhã desta sexta-feira em Huelva (Espanha) e teve como tema central a segurança climática, mas acabou dominada, na fase de perguntas, pelo conflito no Médio Oriente.O primeiro-ministro português rejeitou que o tema do Irão seja um problema na relação com a Espanha, manifestando “respeito total” pelas posições de Sánchez em matéria de política externa, e dizendo querer até “desanuviar a tensão”.“As ameaças e as acusações não são o caminho entre aliados”, disse Montenegro, depois de ser questionado sobre a ameaça de represálias de Donald Trump a Espanha.O primeiro-ministro de Espanha, Pedro Sánchez, reiterou, por seu lado, que a guerra no Médio Oriente, iniciada com ataques dos EUA e Israel ao Irão, é um "erro extraordinário" e ilegal.Sobre a posição do governo português em relação ao conflito, Pedro Sánchez disse apenas que "a política externa de cada país a decide cada um dos governos", depois de ter sido questionado por jornalistas na conferência de imprensa da cimeira ibérica que decorre hoje em Huelva, no sul de Espanha.O líder do Governo espanhol insistiu em que a guerra foi iniciada "claramente fora da legalidade internacional"."Esta guerra é um erro extraordinário, que vamos pagar e já estamos a pagar", afirmou, referindo os impactos que o conflito já está a ter no aumento do petróleo ou do gás, mas também a nível de vítimas mortais, "dor e sofrimento" no Médio Oriente.Sánchez tem condenado os ataques dos EUA e de Israel ao Irão, por considerar que violam direito internacional, e o Governo de Espanha recusou a utilização de bases militares em território espanhol pelos norte-americanos para estas operações. Na resposta, o Presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou Espanha com represálias..Declaração final condena ataques do Irão mas não os EUA. A declaração final da 36.ª Cimeira Luso-espanhola dvulgada entretanto condena “os ataques indiscriminados e injustificados do Irão contra os países do Conselho de Cooperação do Golfo e outros países da região”, sem referência ao ataque inicial por parte dos Estados Unidos.Na declaração, divulgada no final da reunião entre os dois países e já depois da conferência de imprensa dos primeiros-ministros Luís Montenegro e Pedro Sánchez, os dois países começam por reiterar “o seu compromisso com a paz e a estabilidade na região e reafirmam a necessidade de pleno respeito pelo Direito Internacional, incluindo os princípios da Carta das Nações Unidas e o Direito Internacional Humanitário”.“Ambas as partes condenam os ataques indiscriminados e injustificados do Irão contra os países do Conselho de Cooperação do Golfo e outros países da região”, refere-se.Ao mesmo tempo, Portugal e Espanha “insistem numa ‘desescalada’ imediata e o regresso ao diálogo e à diplomacia, via única para se alcançar uma solução duradoura para todas as questões pendentes com o Irão”.“Portugal e Espanha estão a tomar todas as medidas necessárias para garantir a segurança dos seus cidadãos na região e auxiliá-los no seu regresso”, refere também o documento sobre este conflito, no qual não há qualquer referência aos Estados Unidos da América..Portugal e Espanha vão criar sistema de aviso à população para cheias.Ataque com drones atinge base militar no aeroporto de Bagdade. Guterres teme que situação saia do controlo