Marques Mendes na feira de Espinho.
Marques Mendes na feira de Espinho.FOTO: MIGUEL A. LOPES/LUSA

Presidenciais: Marques Mendes diz que mensagem de Montenegro de apelo à concentração de votos foi correta

O candidato apoiado por PSD e CDS-PP diz que não pode ser considerado como o “candidato do Governo”.
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 O candidato presidencial Luís Marques Mendes considerou esta segunda-feira, 5 de janeiro, correta a mensagem do líder do PSD e primeiro-ministro de apelo à concentração de votos nas presidenciais em si, mas recusou ser o candidato do Governo.

Em declarações no final de uma visita à feira semanal de Espinho, o candidato apoiado por PSD e CDS-PP foi questionado se teme que a dispersão de votos o ponha fora da segunda volta, um dia depois de Luís Montenegro ter entrado na sua campanha e avisado que a dispersão de votos pode facilitar candidaturas populistas nessa disputa.

“Não, eu não o temo, mas eu acho que a mensagem é correta, é correta”, considerou, ainda antes de o seu adversário Gouveia e Melo ter acusado primeiro-ministro de tentar condicionar escolha do futuro Presidente com as suas palavras.

Marques Mendes disse ser claro que “há uma grande dispersão de votos ao centro”, o que considerou que “não é bom para a democracia”.

“Favorece o populismo por um lado, e favorece o experimentalismo por outro, e por isso eu acho que é mais saudável uma concentração de votos numa candidatura que é da moderação e que é da experiência. Neste momento, o caminho não é dispersar votos, é concentrar votos na moderação, na experiência e no consenso”, apelou.

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O antigo líder do PSD foi ainda questionado se não pode ser visto como o “candidato do Governo”, respondendo que tal nunca lhe foi apontado nos muitos contactos com a população que tem tido.

“As pessoas acompanharam os meus comentários durante 15 anos, e na rua sistematicamente me dizem: ‘o senhor é uma pessoa isenta e imparcial’. Porque é verdade, eu critiquei muitas vezes a minha própria família política, e acreditem que não é fácil”, disse.

Mendes, que no domingo à noite disse querer, se for eleito, “ajudar a governar”, clarificou que tal se aplica ao atual Governo PSD/CDS-PP como a qualquer outro.

“Deve ter uma boa cooperação estratégica e institucional com os governos, seja este, seja qualquer outro, mas ao mesmo tempo tem que ter firmeza a exigir resultados, são as duas coisas”, disse.

Na feira de Espinho, Mendes teve uma receção calorosa, com muitos beijinhos e pedidos de selfies, mas também alguns alertas sobre a idade da reforma cada vez mais alta e os baixos valores das pensões ou de um ex-combatente, que acusou o Governo de ter passado “uma rasteira” a estes antigos militares, dizendo que nem todos os que lutaram recebem o mesmo.

“Mensagem passada, mensagem passada”, respondeu Mendes.

Questionado depois, pelos jornalistas, se o incomodam estas críticas ao Governo, o candidato considerou tratarem-se “de desabafos”.

“Não são críticas a mim, são críticas à situação, mas a circunstância de virem desabafar comigo significa que veem em mim potencial de Presidente da República”, considerou, dizendo que “as pessoas querem mudança e para mudar é preciso reformar, para reformar é preciso estabilidade, e para haver estabilidade é preciso experiência”. “Vamos sempre bater ao valor da experiência”, insistiu.

Marques Mendes saudou entretanto a posição da União Europeia (UE) que apelou a uma transição pacífica na Venezuela, e alertou que, se se “deitar por terra” o direito internacional, se legitimam ações como as de Putin.

“Tomaram uma posição clara, afirmativa, em favor do direito internacional e em favor da soberania dos venezuelanos. Eu digo desde o primeiro dia, o futuro da Venezuela constrói-se com a decisão dos próprios venezuelanos e não de quaisquer outros sejam mais fortes ou mais fracos”, saudou Marques Mendes.

Questionado se a posição do governo português não foi demasiado branda em relação a essa da União Europeia, o candidato a Belém salientou que nessa posição conjunta “está a assinatura de Portugal”.

“Se virem exatamente a decisão da Comissão Europeia e dos 26, há uma clara afirmação da necessidade de respeitar o direito internacional. Portanto, houve clareza. Acho que é muito importante, porque se nós, infelizmente, estivermos a deitar por terra permanentemente o direito internacional, então também estamos a legitimar o Sr. Putin, também estaremos a legitimar outras operações no futuro e, portanto, tem que haver princípios e valores a respeitar”, afirmou.

Mendes reafirmou que o direito internacional foi violado pelos Estados Unidos na sua ação contra Venezuela e, questionado se tal não deveria ter consequências, responsabilizou as Nações Unidas.

“De alguns anos a esta parte que as Nações Unidas não funcionam. Só há violação do direito internacional, em grande medida, porque as Nações Unidas deixaram de ter capacidade de influência”, lamentou.

Marques Mendes foi ainda questionado sobre as recentes ameaças do presidente norte-americano à Gronelândia, que admitiu ver “com preocupação”.

“Quando eu digo, desde domingo, que esta operação significa uma violação, um desrespeito pelo direito internacional, é no sentido de que, se nós não formos capazes de perceber isso, estamos a abrir condições para precedentes no futuro. A Gronelândia é um caso e outros podem surgir”, afirmou.

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