Paulo Rangel defende que é "totalmente inviável" a criação de um exército europeu
Foto: Tiago Petinga/Lusa

Paulo Rangel defende que é "totalmente inviável" a criação de um exército europeu

O ministro dos Negócios Estrangeiros considera que é necessário "maior cooperação" entre os países.
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Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE), defendeu esta terça-feira, 12 de maio, que é “totalmente inviável” a criação de um exército europeu, apontando para a necessidade de uma maior cooperação de dimensão atlântica em matéria de Defesa.

“Acho totalmente inviável a ideia de um exército europeu. Pode falar-se muito, mas é totalmente inviável. Pode é haver muito mais cooperação”, defendeu Paulo Rangel, no Porto, na conferência "40 Anos de Portugal na UE: Sucessos e Desafios", que assinalou os 40 anos da adesão de Portugal às Comunidades Europeias.

“Aquilo que um país como Portugal, e com certeza muitos outros no contexto da Europa, desejariam, é que a Europa seja o corolário europeu da NATO e não ela própria uma aliança de defesa sem a colaboração do outro lado do Atlântico, e aí entra o Canadá e entram os Estados Unidos”, defendeu.

Também o ex-presidente da Comissão Europeia Durão Barroso, outro participante no evento, defendeu, numa mensagem de vídeo, a importância da NATO na defesa da Europa, mas argumentando que “há que avançar com as capacidades europeias na Defesa”.

E continuou: “Não necessariamente em oposição à NATO, pelo contrário, com a europeização da NATO e Portugal aí tem um papel interessante e importante que é o de manter a dimensão atlântica da defesa europeia, pelo menos dar um contributo importante”.

Ainda sobre a possibilidade de militarizar a Europa, também a participar naquela conferencia, o deputado socialista no Parlamento Europeu Francisco Assis defendeu que este é “um debate que a Europa começa a ter” e que mexe com a “memória dos povos” europeus.

“Não havendo em perspetiva, como não me parece haver, a criação de um exército europeu, porque isso significaria que teríamos que ter, de facto, uma estrutura federal (…) não me parece que seja uma coisa que nos próximos tempos posso ocorrer e não havendo isso vamos fazer a militarização da Europa estado a estado”, referiu.

“Neste momento o país que já anunciou que está mais disponível, por razões óbvias para se militarizar, é a Alemanha (…) que se prevê que daqui a 15 ou 20 anos tenha um exército superior ao exército britânico e isto começa a criar problemas sérios a nível europeu”, apontou.

Como exemplo, Francisco Assis referiu que “a direita polaca não fala de outra coisa porque isto apela à sua memória”, pelo que, salientou “ há tensões intraeuropeias” que se estão a ignorar.

O processo de decisão na União Europeia (UE) foi outra das questões que mereceu destaque no evento, com Paulo Rangel a defender que “haverá alguns [assuntos] em que não se poderá deixar de ter a unanimidade”.

“Ninguém aceitará isso. Porquê? Porque, justamente como disse Francisco Assis, há memória histórica entre os povos europeus. Foram 2.000 anos da Guerra Civil Europeia”, disse.

E defendeu: “Por isso, é fundamental perceber que, em alguns casos, os Estados-membros vão precisar de ter uma espécie de ‘cláusula de interesse vital’ em que a unanimidade possa ser utilizada”.

Para Durão Barroso, a questão do processo de decisão na UE é igualmente vital: “No meu ver, não será possível no futuro imediato, no futuro previsível, alterar a unanimidade dos tratados. Os tratados requerem unanimidade para a sua verificação. Por isso, o caminho que eu vejo como o mais provável é o das cooperações reforçadas”.

Uma ideia de cooperação também defendida por Paulo Rangel, para quem o caminho passa pelo “Multilateralismo-Bilateralismo”.

“Nós não podemos deixar de investir, um, nas relações bilaterais, e outro, nas relações grupais”, frisou.

Como exemplo de “grupos” com os quais é possível “minorias de bloqueios” em contexto da necessidade de maiorias qualificadas, Rangel apontou a cooperação com os países atlânticos

 “Sempre advoguei que nós devemos ter uma aliança com a Suécia, com a Dinamarca, com os Países Baixos, com a Irlanda e, eventualmente, com a Bélgica, se quisesse, e, Portugal, estes seis países, as pequenas e médias potências atlânticas, que estão viradas para fora”, concluiu.

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