O ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho criticou esta terça-feira, 24 de fevereiro, a nomeação de Luís Neves para ministro da Administração Interna, considerando que a escolha representa um “precedente grave” e “não é um bom sinal”.Em declarações aos jornalistas à margem do Fórum Produtividade & Inovação, organizado pela SEDES e pela AEP, em Matosinhos, Passos Coelho foi direto: “Não se pode passar de diretor de Polícia Judiciária a ministro da Administração Interna. Tenho muita consideração pelas pessoas, acredito que a intenção do primeiro-ministro terá sido boa, mas não é bom sinal”, afirmou. Luís Neves sucedeu a Maria Lúcia Amaral na pasta da Administração Interna, depois de ter exercido funções como diretor da Polícia Judiciária. Para Passos Coelho, a questão não é pessoal, mas institucional. “Não se pode”, insistiu. E reforçou a ideia de que a decisão, ainda que bem-intencionada, cria um precedente grave: “Tenho a certeza que a escolha do primeiro-ministro se baseou na melhor das intenções. Mas o precedente é grave. Não se pode passar. Não é um bom sinal que se dá.”O antigo primeiro-ministro, que recuperou o protagonismo público com algumas intervenções em conferências nas últimas semanas, traçou ainda um paralelo com outra decisão política do passado, com a passagem de Centeno para o Banco de Portugal, na altura da governação de António Costa e do PS: “Como não foi um bom sinal tirar um Ministro das Finanças para o pôr como governador de Banco de Portugal.”.Concursos viciados e a reforma do Estado: o diagnóstico de Passos Coelho à Administração Pública