Luís Montenegro anunciou medida a 8 de setembro, no debate da moção de censura apresentada pelo Chega.
Luís Montenegro anunciou medida a 8 de setembro, no debate da moção de censura apresentada pelo Chega.Foto: Leonardo Negrão

Parlamento aprova descida do IRS nos seis primeiros escalões

Medida com impacto com 400 milhões de euros foi anunciada no debate da moção de censura do Chega. Redução ocorre a partir de dezembro e também se aplica a contribuintes com rendimentos mais elevados.
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A proposta de lei que autoriza o Governo a rever as taxas de IRS nos primeiros seis escalões de rendimento, que implica uma redução de receita fiscal de 400 milhões de euros, com efeito a partir de dezembro, foi aprovada pela Assembleia da República. Votaram a favor, além do PSD e CDS-PP, o Chega, a Iniciativa Liberal e o Juntos pelo Povo, enquanto o PS, o Livre e o Bloco de Esquerda se abstiveram, o PCP votou contra e a deputada única do PAN, Inês de Sousa Real, não esteve presente nas votações regimentais desta sexta-feira.

A redução do IRS foi anunciado pelo primeiro-ministro Luís Montenegro no início de setembro, durante o debate da moção de censura apresentada pelo Chega, justificado pela permanência no Governo do ministro da Administração Interna, Luís Neves, juntamente com a confirmação de um suplemento especial para pensionistas que recebam até 1.611,13 euros. Também avaliado em 400 milhões de euros, esse valor será pago em dezembro.

Apesar de a redução das taxas médias do IRS dizer respeito aos primeiros seis escalões de rendimentos - colocando-as em, respetivamente, 12,2%, 15,2%, 20,7%, 23,6%, 30,6% e 34,6% -, a progressividade do imposto levará a que também os contribuintes com rendimentos mais elevados saiam beneficiados da medida. Algo que levou vários partidos da oposição a defenderem que seria mais justo o Governo optar por um alívio em impostos sobre o consumo, nomeadamente o IVA.

A aprovação desta proposta de lei confirma que, tal como foi antecipado nesta quinta-feira pelo ministro de Estado e das Finanças, Miranda Sarmento, na apresentação do Orçamento do Estado para 2027, a previsível entrada em vigor desse documento, incluindo novos ajustes nos escalões de IRS, constituirá a sexta descida desse imposto desde que Luís Montenegro foi empossado primeiro-ministro. E permitirá que a AD fique à beira de atingir, antecipadamente, a promessa eleitoral de cortar três mil milhões de euros na tributação desses rendimentos.

Também foi aprovada na globalidade, com voto favorável de todos os deputados presentes, a proposta de lei que prorroga até 31 de dezembro o desconto temporário do imposto sobre produtor petrolíferos (ISP), quando o aumento de preço exceda, face à semana de 2 a 6 de março, um valor de 10 cêntimos na gasolina sem chumbo e no gasóleo rodoviário.

Foi igualmente aprovada na globalidade uma proposta de lei do Governo que altera o Código do IVA para reforçar "a rastreabilidade, a certificação e o controlo das atividades do sistema petrolífero nacional", incidindo sobre a faturação dos revendedores de combustíveis, apenas com abstenções do PS, PCP e Bloco de Esquerda.

Também aprovada, mas na generalidade, com abstenção do PS, Iniciativa Liberal, PCP e Bloco de Esquerda, foi outra proposta de lei, que visa "assegurar uma melhor articulação entre os instrumentos nacionais e internacionais de combate à evasão fiscal, à fraude fiscal, à erosão da base tributável e à deslocalização artificial de rendimentos e que os critérios de identificação de países, territórios ou regiões com regime fiscal claramente mais favorável refletem de forma adequada os padrões internacionais mais recentes e os riscos atualmente identificados".

Pelo contrário, vários projetos de lei de partidos da oposição com potencial impacto na receita fiscal foi chumbados, com os votos contra dos deputados do PSD e do CDS a serem suficientes, seja por alguns partidos da oposição se lhes juntarem ou por Chega ou PS optarem pela abstenção.

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