Bruno Maia é a pessoa indicada pelo Bloco de Esquerda para contribuir para o Pacto de Saúde pedido por António José Seguro e que terá coordenação do ex-ministro Adalberto Campos Fernandes. O médico neurologista intensivista é coordenador da Unidade de Cuidados Intensivos Neurocríticos e Trauma na ULS São José e foi candidato ao cargo de Bastonário da Ordem dos Médicos em 2022."Um Pacto para a Saúde só pode ser feito à volta do Serviço Nacional de Saúde. Acho que é possível se assentar nessa premissa, de que tem de haver uma defesa do serviço público, um consenso que a esmagadora maioria da população entende ser necessário haver. Temos de pedir para que se faça exatamente o oposto do que este Governo está a fazer, porque, pela primeira vez em muitos anos, há uma quebra da oferta de serviços no Serviço Nacional de Saúde. E qualquer pacto neste sentido tem de ser para inverter esta situação", declara ao Diário de Notícias, estabelecendo as prioridades no Bloco de Esquerda para as reuniões que ainda não têm data marcada."Da parte do Bloco, aquilo que vou dizer ao professor Adalberto Campos Fernandes é muito simples: é que o Bloco acha que a situação está insustentável. É verdade que o Serviço Nacional de Saúde ainda faz a maior parte dos cuidados em Portugal e os presta com elevadíssima qualidade, mas, para uma parte significativa da população, o SNS já não serve, ou serve mal", avalia, referindo que o "serviço público tem de estar no centro de tudo", mas "sem discriminar os prestadores privados."Bruno Maia concretiza a intenção de "investir na prevenção e nos cuidados continuados dos mais frágeis e idosos" como alternativa a um "modelo que gira à volta do hospital e dos cuidados hospitalares." Identifica que se tem de falar das "saídas dos profissionais do SNS". Apesar de valorizar "o contributo do Partido Socialista em tempos de geringonça para valorizar os salários", considerou "insuficiente" a ação porque havia, já na altura, "problemas estruturais."Lamenta que a "aposta política seja fazer demissões constantes" e que se "nomeie pessoas não pela capacidade". Vê Ana Paula Martins como "a pessoa que encabeça a política do Governo", logo responsabilizando diretamente o Executivo pela situação na Saúde. O médico portuense, apesar de dizer ser possível um acordo entre partidos, advoga que "a direita tem como única resposta a distribuição pelos privados" e contesta que o PSD tente reformular a Lei de Bases. "A direita fez uma Lei de Bases da Saúde no início dos anos 90, que durou 30 anos. Houve várias maiorias de esquerda que não mudaram essa lei. Foi possível defender o Serviço Nacional de Saúde com essa lei, que era agressiva. Esperou-se um tempo suficiente para a alterar, agora que se fez já querem mudar tudo outra vez. Portanto, estão com pressa para alterar algo que já lá consta, que o SNS é o centro e que os outros atuadores são suplementares. E que, portanto, entram quando é necessário entrar, quando o SNS falha, desde que cumpram as regras básicas, não só dos negócio na Saúde, mas também da oferta de cuidados à população", comenta.Bruno Maia não relevou a escolha de Adalberto Campos Fernandes para coordenador do pacto, considerando que "terá sempre de haver um acordo construído com a direita para que o pacto seja aprovado", vincando, por outro lado, críticas à escolha do PSD, Miguel Guimarães, ex-bastonário. "É uma péssima escolha. É péssimo, só por uma razão, porque alguém que diz que ter listas de espera é um bom sinal para o SNS não pode representar bem ninguém em defesa da Saúde em Portugal", atira.Corrida à coordenação do BEBruno Maia, que pertence à ala Rede Anticapitalista no Bloco de Esquerda, tinha apoios importantes para se candidatar à coordenação do partido. Já tendo sido candidato a deputado por Lisboa (onde trabalha), Porto (de onde é natural) e Braga (onde faz militância pelo BE), o médico reconhece que existiu essa possibilidade em novembro, mas está agora convicto de que José Manuel Pureza está a realizar um bom trabalho. "Discutiram-se vários nomes, entre os quais o meu, e chegou-se à conclusão, também eu próprio, de que a melhor solução para o Bloco nesta fase é o José Manuel Pureza. Estou a 100% com a escolha. É o homem para colar o nosso partido. Não estamos bem, não é?! Não vamos fingir que estamos. Eu não teria as capacidades conciliatórias e de comunicação que tem o José Manuel Pureza", expressa, elogioso, sem se comprometer com o futuro: "Nunca se sabe. Nem sabemos o que será a esquerda daqui a uns anos."Na restante esquerda, o PCP escolheu Bernardino Soares para representar o partido no Pacto para a Saúde, enquanto no Livre é Paulo Muacho, principal rosto do Livre no trabalho parlamentar na Saúde, a escolha de Rui Tavares e Isabel Mendes Lopes. Mariana Vieira da Silva foi indicada para representar o PS..PSD indica ex-bastonário Miguel Guimarães para pacto para a saúde promovido pelo Presidente da República.Bloco de Esquerda quer que PGR apure legalidade da utilização das Lajes pelos EUA