A primeira volta das eleições presidenciais deixou números expressivos, recordes históricos e sinais claros de mudança no comportamento eleitoral. Com uma participação que não se via há duas décadas, uma diferença mínima entre os dois candidatos mais votados e um mapa eleitoral marcado por contrastes sociais e territoriais, os resultados ajudam a perceber melhor o país que foi às urnas. Dos concelhos mais pobres aos mais ricos, da abstenção aos votos nulos, estes são os principais números e curiosidades que marcaram esta primeira volta (números às 16 horas desta segunda-feira, quando faltavam apurar apenas os resultados de seis consulados no exterior).1,75 milhões de votosAntónio José Seguro foi o candidato mais votado, somando 1.754.895 votos, o equivalente a 31% do total. Um resultado que representa mais cerca de 200 mil votos do que aqueles que o PS obteve nas últimas eleições legislativas, sinal de uma mobilização superior à do próprio partido, que inicialmente hesitou no apoio.4,38% à esquerdaOs candidatos posicionados à esquerda de António José Seguro ficaram-se por uma soma de 4,38%, pouco mais de 240 mil votos. É o pior resultado histórico deste espaço político em eleições presidenciais, confirmando dificuldades em afirmar uma alternativa autónoma.47,65% de abstençãoCom 5.767.034 votantes entre 11.017.133 eleitores inscritos, a taxa de participação atingiu 47,65%, antes de apurados os votos dos seis consulados em falta. Trata-se da menor abstenção em duas décadas, desde as presidenciais em que Cavaco Silva venceu um batalhão de esquerda composto Manuel Alegre, Mário Soares, Jerónimo de Sousa, Francisco Louçã e Garcia Pereira em 2006, quando a abstenção ficou nos 36%.11,34%, a grande derrota de MendesLuís Marques Mendes obteve apenas 11,34%, o pior resultado alguma vez alcançado por um candidato apoiado pelo PSD. Até agora, o registo mais baixo pertencia a Joaquim Ferreira do Amaral, que somou 34,6% em 2001, nas eleições que reelegeram Jorge Sampaio.428 mil votos de diferençaA distância entre António José Seguro e André Ventura foi de apenas 428.251 votos, a margem mais curta de sempre numa primeira volta de presidenciais. O anterior mínimo remontava a 1996, quando Jorge Sampaio venceu Cavaco Silva por 432.415 votos.65381: votos nulos superam brancosPela primeira vez em eleições presidenciais, os votos nulos (65.381) superaram os votos em branco (61.226). No conjunto, superaram qualquer dos candidatos da esquerda à esquerda de Seguro.225 concelhos “Seguros”O candidato socialista venceu em 225 dos 308 concelhos do país, quase três quartos do total: 211 no continente e 14 nos Açores. Uma vitória territorialmente muito expressiva.Ventura com pleno na Madeira: 11André Ventura foi o mais votado em 80 concelhos, incluindo todos os 11 da Região Autónoma da Madeira. No continente venceu em 64 municípios e nos Açores em cinco. Oeiras foi o único concelho onde não chegou ao pódio.Ricos versus pobresNos concelhos com menor poder de compra per capita, Ventura saiu vencedor, impondo-se em Porto Moniz (29,07%), Ponta do Sol (36,18%) e Tabuaço (34,22%). Já nos concelhos mais ricos, segundo o INE, Seguro liderou em Lisboa (35,15%), Porto (33,43%), Oeiras (33,64%) e Sines (36,67%).Por um voto se ganha… em Figueira de Castelo RodrigoSeguro teve a vitória mais expressiva do país em Belmonte (distrito de Castelo Branco), sua terra natal, com 71,30%. Ventura alcançou o seu máximo em São Vicente, na Madeira, com 43,59%. Já Marques Mendes, que venceu em apenas três concelhos, teve o máximo de votação em Boticas, no distrito de Vila Real, com 32,87%. Mais até do que em Fafe, sua terra natal (31,23%). João Cotrim de Figueiredo teve melhores votações nos concelhos mais urbanos e com maior nível de rendimento per capita, chegando aos 24,74% em Cascais. O almirante Gouveia e Melo não conseguiu ultrapassar a fasquia dos 20% em nenhum concelho do país e o melhor que obteve foram 17,65% em Murtosa (Aveiro).Mas a disputa mais renhida aconteceu em Figueira de Castelo Rodrigo (Guarda), onde Seguro venceu por apenas um voto (754 contra 753)..Seguro reage a apoios que tem recebido e diz que haverá mais a serem tornados públicos .Isaltino Morais defende que "ecossistema de coesão social" de Oeiras provocou pior resultado de André Ventura