O ministro da Defesa, Nuno Melo, acusou esta sexta-feira, 20 de novembro, o presidente do Chega, André Ventura, de ter sido “indigno” com as Forças Armadas durante o debate quinzenal no parlamento ao desrespeitar o seu esforço e menorizar o seu sacrifício.“Aquilo que ontem [quinta-feira] aconteceu num debate da Assembleia da República em relação ao líder de um partido, que se diz líder da oposição, foi em relação às Forças Armadas uma indignidade”, disse o também presidente do CDS-PP à margem da assinatura do contrato para venda de quatro navios da Marinha Portuguesa à República Dominicana, no Porto.Segundo o governante, André Ventura “insultou” as Forças Armadas ao desrespeitar o seu esforço e menorizar o seu sacrifício porque as Forças Armadas estão, desde o primeiro dia, a auxiliar as pessoas com tudo aquilo que lhes foi pedido.“Eu considero que as Forças Armadas Portuguesas foram absolutamente extraordinárias e são credoras do agradecimento do povo português”, frisou.Durante o debate quinzenal, André Ventura questionou o chefe do executivo sobre o timing do empenhamento de militares no terreno para auxiliar as populações, realçando que estavam prontos a atuar mas que tal não aconteceu mais cedo por “incompetência do Governo”.Montenegro respondeu que o líder do Chega demonstrou “falta de seriedade” e referiu que, desde o início das intempéries, já ocorreram 48 mil empenhamentos. Este número corresponde ao valor acumulado de militares no terreno desde 28 de fevereiro, e não ao número exato de militares que estiveram a apoiar a população.Para Nuno Melo, as Forças Armadas mostraram, a propósito da desgraça que aconteceu em Portugal, como são importantes, relevantes, essenciais e insubstituíveis em tempos de paz muito mais, até ou também, do que em tempos de guerra.“As Forças Armadas empenharam o maior esforço que se viu em muitos anos ao serviço e no auxílio às populações necessitadas numa longa área afetada”, insistiu.O ministro da Defesa lembrou que pelas Forças Armadas passaram a garantia da distribuição de bens essenciais de primeira necessidade, o restabelecimento de energia elétrica e de comunicações e o auxílio a populações isoladas.“Os três ramos das Forças Armadas tiveram militares em cima de telhados a instalarem coberturas e a repararem infraestruturas”, destacou.Em média, têm estado no terreno cerca de 2.000 a 3.000 militares por dia..Nuno Melo recusa pronunciar-se sobre movimentações de aeronaves dos EUA na Base das Lajes, porque não é da sua tutela.Na mesma ocasião, o ministro da Defesa, Nuno Melo, recusou pronunciar-se sobre os recentes movimentos de aeronaves dos EUA na Base das Lajes, na Terceira, Açores, justificando que não é uma área da sua tutela.“Eu acho que é hoje claro que existe um protocolo entre Portugal e os Estados Unidos da América para a utilização da Base das Lajes e a Defesa Nacional não tem que autorizar a utilização da Base das Lajes, embora entregue à Força Aérea, porque essa utilização não tem a ver com os Estados Unidos, mas resulta desse protocolo”, disse Nuno Melo.O ministro falava aos jornalistas após questionado sobre um maior movimento de aeronaves militares dos norte-americanos na Base das Lajes, na ilha Terceira, num contexto em que crescem as tensões entre os EUA e o Irão.O governante, que também é líder do CDS-PP, insistiu que as informações sobre a utilização da Base das Lajes não são da responsabilidade da Defesa Nacional, estando entregues a outra área de tutela, numa alusão ao Ministério dos Negócios Estrangeiros.“E eu tenho esta coisa de não gostar de falar de outras áreas de tutela. Também não gosto muito quando, noutros tempos, outras áreas de tutela falavam da Defesa Nacional porque eu acho que quem tem que falar da Defesa Nacional é o ministro da Defesa Nacional”, afirmou.A Lusa perguntou na quarta-feira, ao Ministério dos Negócios Estrangeiros, se foi informado pelos EUA dos recentes movimentos naquela base açoriana, mas não obteve resposta.Hoje, Nuno Melo disse que Portugal está sempre focado na paz e que, quando reforça as Forças Armadas, é a pensar na paz e não na guerra.“A guerra nunca é uma boa notícia, nunca é uma coisa boa. E o que desejamos é que a diplomacia, desde logo, siga sempre o seu curso e, através da diplomacia, os conflitos entre as nações possam ser resolvidos”, apontou.E quando os conflitos não são resolvidos, por vezes, as guerras acontecem, disse, acrescentando que a guerra nunca é desejo de ninguém. .Irão emite aviso de lançamento de rockets. EUA fazem movimentações na Base das Lajes. A Base das Lajes registava, na quarta-feira à tarde, um maior movimento de aeronaves militares dos EUA, constatou a agência Lusa no local.Segundo a cadeia televisiva CNN e o jornal The New York Times, os militares norte-americanos estarão preparados para lançar um ataque contra o Irão nos próximos dias, embora o presidente dos EUA, Donald Trump, ainda não tenha tomado uma decisão final sobre a autorização de uma eventual operação.Os EUA e o Irão concluíram uma segunda ronda de negociações na terça-feira, na Suíça, sem uma aproximação entre os dois países..Irão tem prazo de dez dias para evitar ataque dos EUA. “Coisas más acontecerão”, avisa Trump