José Luís Carneiro entregou a candidatura a secretário-geral do PS, é candidato único e nela fez acompanhar uma moção estratégica com mais de 100 páginas, a que o DN teve acesso, onde vinca a necessidade de alterações estatutárias, que serão discutidas e posteriormente aprovadas, à partida, no congresso do final de março. José Luís Carneiro, recandidato a secretário-geral do PS, propõe, na moção global de estratégia, a criação de um Código de Ética dos militantes e eleitos socialistas, de uma Comissão de Ética e de um canal de denúncias interno. O documento para militantes e eleitos prevê estabelecer normas concretas, ideológicas, de comportamento dos socialistas. Há a possibilidade, sabe o DN, de incluir expressões claras como a proibição de acordos com o Chega nas autarquias - o que foi pedido e cumprido, diga-se, nas últimas Autárquicas -, mas também abrir portas a avaliar possíveis regressos de ex-filiados que concorreram como independentes às autárquicas. O código de ética aplicar-se-á na “atuação na vida interna do partido e nos cargos externos de designação partidária”, sendo que o próprio canal de denúncias interno terá como princípio, apurou o DN, potenciar a transparência para a sociedade quanto à aceitação de cargos públicos. Tudo isto constará numa revisão estatutária, com o intuito de aproximar o PS da sociedade civil, que também se poderá consagrar numa facilitação da inscrição no PS - existirão pouco mais de 90 mil socialistas filiados nesta fase -, num programa de contacto para melhor comunicação interna, até chegando às universidades para recrutamento jovem, e a criação da figura do Provedor do Militante para receber “sugestões e propor recomendações organizativas”, evitando que os processos demorem a sair do órgão jurisdicional. Ainda assim, estando previstos nos estatutos, não há abordagem a possíveis primárias. Ou seja, as eleições marcadas para março estão restritas aos filiados e não à sociedade civil. O DN apurou, no entanto, que Carneiro não tenciona alterar os estatutos nesse sentido, eliminando a hipótese futura de primárias: como tal, permanecerá em aberto o tipo de eleição que levou centenas de milhar de pessoas da sociedade civil a preferirem António Costa a António José Seguro em 2014.Regionalização no horizonteNa entrega do documento, Carneiro defendeu avaliação da descentralização para, depois, se avançar com o referendo à regionalização, acusando o Governo PSD/CDS-PP de “cortar os tendões do Estado”. “No momento oportuno, poderemos avançar para a proposta política para que se possa referendar à regionalização”, disse, sem se comprometer com qualquer data, mas vincando a importância de acordos parlamentares. Desenvolveu, no fundo, que os portugueses poderão ter a escolha se preferem que “essas funções das Comissões de Coordenação sejam denominação do Governo ou se serão escolha das populações”, antecipando um possível referendo. O PS posiciona-se disponível para a convergência em quatro áreas importantes: soberania, Negócios Estrangeiros, Justiça e Administração Interna. Continuará, sabe o DN, com propostas que considera prioritárias para Saúde e Habitação. Linhas vermelhas continuarão a ser ataques à escola pública, Serviço Nacional de Saúde e Segurança Social. Na Economia, como o DN noticiou, defendeu forte aposta na indústria local, nos contratos de desenvolvimento territorial, economia dual, investimento em portos e ferrovia no norte do país, na profissionalização e associação entre ensino profissional e empresas e também universidades.Aproveitando as críticas de Passos Coelho a Luís Montenegro, o secretário-geral do PS destaca que o “principal fator de instabilidade vem de dentro da AD”, salienta “estar preparado para todas as responsabilidades”, mas vinca não querer criar “crises políticas”. Carlos César, presidente do PS desde 2014, vê que a falta de opositor nas eleições internas é um “reconhecimento da qualidade” de Carneiro, mas reconhece o momento de “alguma fragilidade” do partido. Destacou a “sensatez, competência e capacidade agregadora” a Carneiro. .Liderança “sensata” de Carneiro permite trégua ao cargo de secretário-geral.Carneiro propõe criar Código de Ética e canal de denúncias interno