Moção de censura do Chega não implica deixar de negociar com o Governo
André Ventura não abandonou a ideia de influenciar a governação em Portugal apesar de avançar com uma moção de censura que coloca em discussão o futuro do Governo de Luís Montenegro.
Esta segunda-feira, aos jornalistas, pouco depois de ter sido aprovada a discussão da moção para terça-feira, dia 8 de setembro, o presidente do Chega assegurou que continuará a dialogar com o Governo "em áreas fundamentais".
Assim, depois de ser influente na mudança das políticas migratórias em Portugal e na nova Lei da Nacionalidade em 2025, André Ventura não entende que haja uma mudança no relacionamento entre o Chega e a coligação PSD-CDS no Parlamento. Tal já havia garantido depois de votar contra a revisão da Lei Laboral, para a qual tinha expressado em 2025 apoio a matérias fundamentais, embora mudando de posição posteriormente na hora da votação no Parlamento.
"O Chega não viabilizou nenhum Orçamento do Estado da AD, mas dialogou e dialoga em todos os dossiês que sejam importantes para o país", indicou aos jornalistas, traçando a diferença na questão Luís Neves. "Com o ministro da Administração Interna há uma rutura total", vincou, fazendo o paralelismo: "Temos de continuar a dialogar [com o executivo] "em áreas fundamentais, como a segurança ou a justiça."
Atendendo à provável rejeição da moção de censura de acordo com as palavras de José Luís Carneiro nos últimos dias - secretário-geral do PS reúne-se esta segunda-feira com Secretariado Nacional e grupo parlamentar e disse antes que "não seria pelo PS que existiria crise política" -, o presidente do Chega apelou à "coerência e consistência" dos restantes partidos da oposição na hora de votar e considerou que o resultado vai indicar quem quer a continuidade do ministro da Administração Interna.
É a quarta moção de censura do Chega desde que entrou na Assembleia da República em 2019, mais do que PS e PSD, juntos, apresentaram em democracia.
O líder parlamentar, Hugo Soares, disse no dia 4 de setembro, sexta-feira, que a moção de censura "é ridícula", mas anunciou que "não muda nada", referindo-se à condução dos trabalhos legislativos. O deputado do PSD já criticou também José Luís Carneiro, comparando-o a André Ventura, e, de acordo com informações que o DN recolheu, após o anúncio da moção de censura, o Executivo de Luís Montenegro mantém estratégia de conversar com PS ou Chega consoante as matérias, apesar de no Orçamento do Estado ter ficado indiciado que há uma maior proximidade ao Partido Socialista e que a exigência que se afigura, hoje, mais difícil de cumprir, seja mesmo a inclusão do PS na negociação pela Revisão Constitucional.
Governo reúne com todos pelo Orçamento do Estado tal como em 2025
Fonte do gabinete do ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, informou a Lusa de que as reuniões do Governo com os partidos vão realizar-se, como habitualmente, na Assembleia da República, com vista à preparação do orçamento do próximo ano. Tal aconteceu também em 2025, embora Luís Montenegro não tenha comparecido a todos os encontros, nomeadamente em bancadas com deputados únicos.
Essa mesma informação foi adiantada por André Ventura, que afirmou que recebera um pedido de reunião para falar sobre o próximo Orçamento do Estado. O documento tem de ser entregue na Assembleia da República até 10 de outubro. No ano passado, o Governo submeteu o documento no dia 9, na véspera do prazo limite e do último dia de campanha eleitoral autárquica.
*Com Lusa
