Moção visa "pôr o Chega no centro do debate político" e Ventura só quer aparecer nas televisões, acusa PSD
O secretário-geral do PSD, Hugo Soares, disse este sábado, 5 de setembro, que a moção de censura do Chega é “completamente deslocada da realidade” e que André Ventura quer “estar constantemente nas televisões”.
Em declarações aos jornalistas à margem da festa de rentrée política do PSD de Ponte de Lima, o líder parlamentar justificou aquelas afirmações com o facto de, na sexta-feira, “uma agência de rating, das mais conceituadas, elevou o rating da dívida pública para A+”.
“É algo que não acontecia há cerca de 25 anos. Creio, sinceramente, que todas as circunstâncias que hoje o país vive com os salários a aumentarem, os impostos a descerem sucessivamente, o emprego em níveis máximos históricos, o desemprego em mínimos históricos, com as pessoas a saberem que têm um governo que está a transformar o país, esta moção de censura é completamente deslocada da realidade”, reforçou.
A agência Fitch subiu o rating de Portugal de 'A' para 'A+', com outlook (perspetiva) estável, indicando que esta subida “reflete o reforço das finanças públicas de Portugal, incluindo uma trajetória projetada de redução da dívida pública e saldos orçamentais consideravelmente mais fortes do que os dos seus pares, sustentados por um forte compromisso político com a prudência orçamental”.
Para Hugo Soares, o objetivo do Chega é pôr o país a “falar daquilo que verdadeiramente não interessa. É pôr o Chega no centro do debate político, que é isso que o deputado André Ventura gosta e sabe fazer, como ninguém, diria, estar constantemente nas televisões para que se fale dele”, sublinhou.
O líder parlamentar do PSD acrescentou não estar disponível para esse debate, mas disse estar disponível para falar dos problemas que afetam a vida das pessoas, e para procurar, naquilo que diz respeito ao PSD, “encontrar as soluções”. “É isso que temos feito, e é isso que queremos continuar a fazer”, frisou.
A moção de censura do Chega ao Governo vai ser discutida no parlamento na terça-feira e já tem rejeição garantida, uma vez que precisaria de 116 votos a favor para ser aprovada e fazer cair o Governo, hipótese já afastada de forma clara por PS e IL.
A moção de censura do Chega vai ser a primeira ao XXV Governo Constitucional e a terceira a executivos PSD/CDS-PP liderados por Luís Montenegro. O documento intitula-se “Pelo fim de um Governo sem autoridade política, incapaz de assumir responsabilidades e de garantir confiança nas instituições” e visa responsabilizar o primeiro-ministro pela manutenção no Governo do ministro da Administração Interna.
