Montenegro em Coimbra: "Estamos no limiar da capacidade possível para conter as águas do Mondego"
FOTO: PAULO NOVAIS/LUSA

Montenegro em Coimbra: "Estamos no limiar da capacidade possível para conter as águas do Mondego"

Após reunião na Agência Portuguesa do Ambiente, o primeiro-ministro garantiu que “tudo aquilo que puder ainda ser salvaguardado vai ser salvaguardado”. "Ninguém vai ser esquecido ou ficar para trás."
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O primeiro-ministro Luís Montenegro admitiu esta quarta-feira, 11 de fevereiro, que se está no limiar da capacidade para conter as águas do Rio Mondego mas garantiu que tudo o que pode ser feito está a ser feito, pedindo tranquilidade.

“Nós vivemos um tempo de grande exigência, de um desafio extremo, estamos no limiar da capacidade possível para conter estas águas do Rio Mondego, e, portanto, a palavra é simultaneamente de tranquilidade, porque tudo o que pode ser feito está a ser feito, incluindo a medida preventiva mais extrema que é a evacuação”, afirmou.

O primeiro-ministro participou numa reunião nas instalações da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), em Coimbra, que contou com a presença do Presidente da República, a ministra do Ambiente, os secretários de Estado da Proteção Civil e Administração Local, vários autarcas e o presidente da APA.

A ocasião serviu ainda para fazer uma visita à Ponte do Açude, onde Luís Montenegro falou, logo depois do Presidente da República.

Debaixo de chuva e depois de observar o caudal do Rio Mondego, o primeiro-ministro assegurou que “tudo aquilo que puder ainda ser salvaguardado vai ser salvaguardado”.

“Do ponto de vista da gestão do caudal, do ponto de vista técnico e do ponto de vista da nossa interação com os nossos vizinhos espanhóis, que aliás é uma matéria que vem sendo feita desde o início do mês de janeiro”, acrescentou.

O chefe do Governo lembrou que, no dia 29 de janeiro, tinha estado no concelho de Coimbra e já então estavam a ser feitas cheias controladas.

“Estávamos a fazer cheias controladas para termos, nas nossas barragens, maior capacidade de encaixe quando chegassem os dias que chegaram agora de maior exigência”, justificou.

"Ninguém vai ser esquecido ou ficar para trás"

Montenegro assegurou que ninguém vai ficar esquecido neste período de maior emergência nem ficar "para trás" no dia seguinte, afirmando que todas as capacidades no terreno estão a ser aproveitadas.

“Quero dizer que ninguém está esquecido, ninguém vai ficar para trás. Estamos a aproveitar todas as capacidades que temos no terreno, desde as freguesias, desde os lugares das freguesias até à Administração Central, para podermos, em primeiro lugar, estar nesta altura, que é a altura máxima em que as pessoas precisam de ajuda, mas também para preparar o dia seguinte”, garantiu.

“Nós sabemos que estamos com um nível de exigência individual e familiar também muito intenso. Há pessoas que se confrontam com a circunstância de não terem acesso às suas casas, de não terem a possibilidade de fazer a sua vida normal, levar os filhos às escolas, poderem ir trabalhar, tratar de outros membros da família e daquilo que é seu”, referiu.

Luis Montenegro lamentou que algumas pessoas não tenham ainda visto reposto o fornecimento de energia elétrica nas suas casas e que ainda tenham algumas dificuldades de comunicação.

“Quero também deixar uma palavra de grande confiança naqueles que no terreno estão a protagonizar todas as operações tendentes a salvaguardar a vida das pessoas, bens das pessoas, nomeadamente os autarcas de município e de freguesia. Se há altura em que nós podemos também concluir que a nossa organização administrativa precisa desta rede, que no território as freguesias acrescentam, é esta”, afirmou.

No seu entender, todas as entidades do Estado, forças e serviços de segurança, em particular a PSP e a GNR, “têm feito um trabalho inexcedível de contacto com as populações, para lhes explicar as medidas preventivas que é preciso tomar, para as sensibilizar e depois para as ajudar, nomeadamente a sair de casa”.

“As entidades do setor social, da saúde, está tudo em prevenção máxima para não faltar nada dentro daquilo que é a gestão de uma situação que é uma situação, de alguma maneira, nunca 100% previsível, porque as coisas acontecem a um ritmo muito elevado”, evidenciou.

A Câmara Municipal de Coimbra informou, terça-feira à noite, que iria retirar entre 2.800 a 3.000 pessoas das suas casas face a risco de cheia no Mondego.

Na altura, a presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, informou que seriam retiradas pessoas de localidades da zona ribeirinha de Torres do Mondego e Ceira (zona de concentração: Casa do Povo de Ceira), da zona de São Martinho do Bispo (Escola Inês de Castro) e Ribeira de Frades, Taveiro, Ameal e Arzila (Escola de Taveiro).

Os locais de acolhimento de Coimbra previamente definidos acabaram por receber 160 pessoas durante a noite, que tinham sido retiradas de zonas de risco.

Às 04:30 de hoje, a escola de Taveiro tinha recebido 22 pessoas, a escola Inês de Castro 43 e o Pavilhão Mário Mexia 95 idosos.

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