O governante foi questionado sobre as declarações proferidas hoje por António José Seguro.
O governante foi questionado sobre as declarações proferidas hoje por António José Seguro.Foto: Miguel Pereira da Silva / Lusa

Luís Neves admite que há “questões que têm que ser feitas” após reparos de Seguro aos incêndios

“Naturalmente as chamadas de atenção, os reparos do senhor Presidente da República são sempre vistos como uma forma de alerta e para se pensar e poder corrigir aquilo que há a corrigir”, afirmou.
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O ministro da Administração Interna disse hoje que as chamadas de atenção e os reparos do Presidente da República são sempre vistos como uma forma de alerta e para se pensar e poder corrigir aquilo que há a corrigir. “Naturalmente as chamadas de atenção, os reparos do senhor Presidente da República são sempre vistos como uma forma de alerta e para se pensar e poder corrigir aquilo que há a corrigir”, afirmou Luís Neves, que falava ao jornalistas em Mirandela, distrito de Bragança.

O governante foi questionado sobre as declarações proferidas hoje por António José Seguro que afirmou que tem transmitido a necessidade de se melhorar "a prevenção e a capacidade de resposta” no combate aos incêndios e que lembrou que o relatório da Comissão Técnica Independente, que avaliou os incêndios de agosto do ano passado, conclui que “muito ficou por fazer depois dos relatórios anteriores, dos incêndios de 2017”.

Reajo muito bem, o senhor Presidente atua no sentido de corrigir e dar nota daquilo que no seu alto entendimento deve ser melhorado, há de facto um estudo da Comissão Técnica Independente, nós estamos a fazer esse percurso, significa que ainda há questões que têm que ser feitas. O ano passado foi aprovado um grande plano para a floresta de 2050”, referiu Luís Neves.

“Portanto, com toda a bonomia, com toda a tranquilidade, escutamos, como sempre, o que o senhor Presidente da República tem a dizer neste tema, como em todos os outros temas”, acrescentou. O ministro lembrou que este ano se verificaram dois grandes incêndios no país, em Vouzela e Valpaços, e que mais de 95% dos incêndios são combatidos nos primeiros momentos, realçando que é preciso olhar para o combate e para a prevenção.

“A nossa forma de estar durante toda a vida foi, sobretudo, apostar todas as fichas na questão do combate. Era assim antes dos grandes incêndios de Pedrógão, em que 80% era despesa só para o combate (…) e 20% para a prevenção. Hoje estamos a mudar esse paradigma. Mais de 52% do que é gasto nesta temática é gasto na prevenção”, salientou.

Visitas

Luís Neves visitou hoje os concelhos de Valpaços, Vinhais e Mirandela, concelhos atingidos por um grande incêndio que afetou cerca de 15 mil hectares e destruiu área agrícola, como vinha, olival e amendoal. O fogo chegou ainda ao concelho de Macedo de Cavaleiros. Em Mirandela renuiu com autarcas, forças policiais e corporações de bombeiros.

A vinda ao terreno teve como objetivo, segundo o ministro, ouvir como as coisas se passaram do ponto de vista da Proteção Civil, falar com autarcas e perceber o sofrimento das pessoas. “Ouvir, auscultar, refletir, sobretudo para que, se há algo que possamos fazer melhor, vamos fazer melhor”, salientou.

O ministro foi ainda questionado sobre críticas apontadas a uma descoordenação durante o incêndio que começou no concelho de Valpaços a 28 de julho e se prolongou até 01 de agosto. “Eu estive a escutar pessoas, agora, que me reportaram precisamente essa situação e, naturalmente, eu falarei com os responsáveis da Proteção Civil para perceber, de facto, o que aqui se passou”, referiu.

No entanto, acrescentou, que “às vezes o cidadão olha e pensa que o trabalho poderia ser feito de determinada maneira, mas quem sabe são os agentes de Proteção Civil e os bombeiros". “Não estou a dizer aqui que tenha sido tudo perfeito, mas muitas vezes combater em determinadas circunstâncias durante o dia um incêndio é absolutamente inglório e é deixar estes meios para momentos mais propícios, geralmente à noite, quando há mais humidade, quando se calhar o vento amainou, e aí se pode fazer esse combate. Portanto, há aqui todo um caminho”, sublinhou.

Sobre a rede de comunicações SIRESP disse que esta se portou de “forma inexcedível neste incêndio”, onde houve “centenas de milhares de comunicações” e onde a Proteção Civil colocou postos móveis.

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