O ministro da Administração Interna disse hoje que as chamadas de atenção e os reparos do Presidente da República são sempre vistos como uma forma de alerta e para se pensar e poder corrigir aquilo que há a corrigir. “Naturalmente as chamadas de atenção, os reparos do senhor Presidente da República são sempre vistos como uma forma de alerta e para se pensar e poder corrigir aquilo que há a corrigir”, afirmou Luís Neves, que falava ao jornalistas em Mirandela, distrito de Bragança.O governante foi questionado sobre as declarações proferidas hoje por António José Seguro que afirmou que tem transmitido a necessidade de se melhorar "a prevenção e a capacidade de resposta” no combate aos incêndios e que lembrou que o relatório da Comissão Técnica Independente, que avaliou os incêndios de agosto do ano passado, conclui que “muito ficou por fazer depois dos relatórios anteriores, dos incêndios de 2017”.“Reajo muito bem, o senhor Presidente atua no sentido de corrigir e dar nota daquilo que no seu alto entendimento deve ser melhorado, há de facto um estudo da Comissão Técnica Independente, nós estamos a fazer esse percurso, significa que ainda há questões que têm que ser feitas. O ano passado foi aprovado um grande plano para a floresta de 2050”, referiu Luís Neves.“Portanto, com toda a bonomia, com toda a tranquilidade, escutamos, como sempre, o que o senhor Presidente da República tem a dizer neste tema, como em todos os outros temas”, acrescentou. O ministro lembrou que este ano se verificaram dois grandes incêndios no país, em Vouzela e Valpaços, e que mais de 95% dos incêndios são combatidos nos primeiros momentos, realçando que é preciso olhar para o combate e para a prevenção.“A nossa forma de estar durante toda a vida foi, sobretudo, apostar todas as fichas na questão do combate. Era assim antes dos grandes incêndios de Pedrógão, em que 80% era despesa só para o combate (…) e 20% para a prevenção. Hoje estamos a mudar esse paradigma. Mais de 52% do que é gasto nesta temática é gasto na prevenção”, salientou.VisitasLuís Neves visitou hoje os concelhos de Valpaços, Vinhais e Mirandela, concelhos atingidos por um grande incêndio que afetou cerca de 15 mil hectares e destruiu área agrícola, como vinha, olival e amendoal. O fogo chegou ainda ao concelho de Macedo de Cavaleiros. Em Mirandela renuiu com autarcas, forças policiais e corporações de bombeiros.A vinda ao terreno teve como objetivo, segundo o ministro, ouvir como as coisas se passaram do ponto de vista da Proteção Civil, falar com autarcas e perceber o sofrimento das pessoas. “Ouvir, auscultar, refletir, sobretudo para que, se há algo que possamos fazer melhor, vamos fazer melhor”, salientou.O ministro foi ainda questionado sobre críticas apontadas a uma descoordenação durante o incêndio que começou no concelho de Valpaços a 28 de julho e se prolongou até 01 de agosto. “Eu estive a escutar pessoas, agora, que me reportaram precisamente essa situação e, naturalmente, eu falarei com os responsáveis da Proteção Civil para perceber, de facto, o que aqui se passou”, referiu.No entanto, acrescentou, que “às vezes o cidadão olha e pensa que o trabalho poderia ser feito de determinada maneira, mas quem sabe são os agentes de Proteção Civil e os bombeiros". “Não estou a dizer aqui que tenha sido tudo perfeito, mas muitas vezes combater em determinadas circunstâncias durante o dia um incêndio é absolutamente inglório e é deixar estes meios para momentos mais propícios, geralmente à noite, quando há mais humidade, quando se calhar o vento amainou, e aí se pode fazer esse combate. Portanto, há aqui todo um caminho”, sublinhou.Sobre a rede de comunicações SIRESP disse que esta se portou de “forma inexcedível neste incêndio”, onde houve “centenas de milhares de comunicações” e onde a Proteção Civil colocou postos móveis..Seguro critica falhas na prevenção dos incêndios, "passa culpas" e promessas por cumprir na Serra da Estrela.Portugal atingiu o terceiro valor mais elevado de área ardida desde 2016