António José Seguro
António José SeguroFoto: Gerardo Santos

Seguro critica falhas na prevenção dos incêndios, "passa culpas" e promessas por cumprir na Serra da Estrela

Na Guarda, o presidente denunciou as falhas na prevenção dos incêndios e a falta de execução das medidas após as grandes tragédias, o “passa-culpas” político e cobrou as promessas de investimento para a Serra da Estrela, afirmando que se exigem respostas concretas para proteger populações e património natural.
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António José Seguro deixou este domingo, 9 de agosto, um aviso sobre as falhas persistentes na prevenção dos incêndios, alertando para as consequências de sucessivos adiamentos e para a necessidade de as recomendações feitas depois das grandes tragédias dos últimos anos terem execução efetiva.

Na sessão solene comemorativa dos 150 anos da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários Egitanienses, o Presidente da República recuperou as palavras que havia pronunciado há exatamente um ano, quando Portugal enfrentava uma vaga de incêndios de grande dimensão.

“Não pode haver lágrimas no verão e indiferença no resto do ano”, afirmou, insistindo na necessidade de o país se unir “para vencer a tragédia dos incêndios” e de se focar na prevenção.

Seguro lembrou o que “repetidamente" tem dito, "em documentos e em contactos oficiais”, sobre a necessidade de Portugal melhorar tanto a prevenção como a capacidade de resposta. E apontou o recente relatório da Comissão Técnica Independente, que avaliou os incêndios de agosto do ano passado, como mais um sinal de alerta.

Para o Presidente da República, uma das conclusões mais preocupantes é precisamente a persistência de problemas identificados há vários anos. “Muito ficou por fazer depois dos relatórios anteriores, dos incêndios de 2017. E essas falhas reduziram a nossa capacidade de resposta aos grandes incêndios do ano passado”, afirmou. Um diagnóstico, que levou Seguro a deixar uma advertência direta: “É urgente evitar que as medidas propostas fiquem na gaveta, adiadas sine die.”

O Presidente enquadrou a prevenção dos incêndios num desafio mais vasto relacionado com a segurança das populações perante fenómenos extremos. “As intempéries, as vagas de calor, os sismos, a frequência de incêndios devastadores, em Portugal e noutras geografias, clamam por uma ação atempada, mobilizadora e cientificamente fundamentada”, afirmou. Ameaças que reclamam “uma observação atenta da Presidência da República sobre a proteção e a segurança das comunidades”.

Serra da Estrela “merece mais do que promessas”

Seguro recordou o incêndio de 2022 no Parque Natural da Serra da Estrela, que durou mais de duas semanas, e a promessa de investimento feita na sequência da tragédia. “Quatro anos depois, essa promessa continua por cumprir. Quase nada foi investido dos 155 milhões de euros anunciados”, criticou.

Num ano em que se assinalam os 50 anos do Parque Natural da Serra da Estrela, o Presidente rejeitou a troca de responsabilidades entre instituições e sustentou que se impõem resultados concretos.

“Em vez do passa-culpas, o que se exige são passos concretos para revitalizar e proteger este património natural, que é também um dos principais ativos desta região do interior de Portugal.” E concluiu: “A Serra da Estrela merece mais do que promessas.”

No final da cerimónia, o Presidente da República anunciou a distinção da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários Egitanienses com o grau de Membro-Honorário da Ordem do Mérito, “em reconhecimento do papel insubstituível dos bombeiros portugueses ao serviço das populações e do país” e por ocasião das comemorações dos seus 150 anos.

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