Mais de 1200 operacionais e 15 meios aéreos combatiam quatro incêndios que estavam ativos ao início da noite, 30 de julho. Os principais focos de preocupação dos responsáveis da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) estão nos incêndios nas regiões de Valpaços e Chaves.Nestas duas situações estavam no terreno 899 operacionais e sete meios aéreos (no primeiro caso) e 163 bombeiros com a ajuda de oito meios aéreos. Na região de Penafiel estavam dois focos de incêndios com 94 e 61 bombeiros em cada.Quanto à área ardida só era conhecido, ontem ao final da tarde, o impacte do fogo que começou em Valpaços no dia 28 e este ascendia a mais de seis mil hectares queimados. Dado que será confirmado oficialmente no próximo relatório do Instituto da Conservação da Natureza e das Floresta (ICNF) onde forem publicados os números de áreas ardido e de fogos de 1 de janeiro a 31 de julho.No entanto, o documento mais recente do instituto, com as estatísticas referentes a fogos rurais entre o primeiro dia do ano e 15 de julho, mostra que Portugal nestes seis meses e meio atingiu valores elevados ao ponto de ter o terceiro valor mais elevado de área ardida desde 2016 com 30.690 hectares. Quanto ao número de incêndios rurais, os 4975 registados nesse período eram o quinto valor mais elevado desde esse ano.De acordo com o documento, os incêndios consumiram 16.810 hectares em povoamentos, 12.092 em mato e 1788 hectares em zonas agrícolas. Valores que, comparando estes primeiros meses de 2026 com o histórico dos dez anos anteriores no mesmo período, fazem com que tenham existido mais 9% de incêndios rurais e mais 67% de área ardida.No relatório do ICNF frisa-se, ainda, que a maioria dos fogos foram de pequena dimensão: 81% não ultrapassaram um hectare. Um foi igual ou superior a esse valor. Já quanto a incêndios de grande dimensão - área ardida igual ou superior a 100 hectares - tinham-se registado até 15 de julho, 36 fogos, de que resultaram 21.047 hectares ardidos.Causas investigadasAté meio deste mês, as investigações ao que terá provocado os incêndios as causas mais frequentes foram as queimas de amontoados de sobrantes florestais ou agrícolas (26%), queimadas extensivas de sobrantes florestais ou agrícolas (19%) e incendiarismo (14%). Por regiões, os distritos com mais casos foram os do Porto (702), Braga (489) e Vila Real (438). Já no que diz respeito à área ardida, Viseu foi o mais afetado com 8016 hectares, cerca de 26% da área total ardida, seguido de Aveiro com 6629 hectares (22% do total) e de Vila Real com 4342 hectares (14% do total).O documento do ICNF chama ainda a atenção para o facto de que até 15 de julho, o mês de junho ter sido o que mais incêndios rurais apresentava, com um total de 1295, ou seja 26% do total do ano. Quanto à área ardida, era já julho que liderava com 16.251 hectares, o que correspondia a 53% do total.Reforço de meiosAo final da tarde de ontem, o 2.º comandante regional do Norte da Proteção Civil, Luís Araújo, adiantou à Agência Lusa que tinha sido necessário reforçar os meios que combatiam o fogo que tinha começado em Valpaços, na terça-feira, e se estendeu aos concelhos de Mirandela e Vinhais, pois tinha três frentes ativas. Depois de se ter julgado estar o fogo dominado, a partir das 14h00 de ontem, o incêndio acabou por ficar descontrolado, devido ao aumento das temperaturas e ao vento, com rajadas de 40 quilómetros/hora, que provocaram projeções e alargaram toda a área de fogo.As chamas causaram danos em pelo menos 21 casas, num armazém agrícola e em duas indústrias, e fizeram cinco feridos. O fogo levou, igualmente, ao corte de algumas estradas.Segundo informações transmitidas à Lusa por autarcas das zonas atingidas, foram retiradas de casas as populações das aldeias de São Pedro Velho e Ervideira, em Mirandela, e da aldeia do Vale das Fontes, em Vinhais.Números- 30.690: Até 15 de julho arderam 30.690 hectares em Portugal. Segundo o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas registaram-se 4975 incêndios.- 81%: De acordo com o relatório mais recente do ICNF a esmagadora maioria dos fogos (81%) não ultrapassaram um hectare.- 67%: Numa comparação com os últimos dez anos, registou-se até dia 15 de julho mais 67% de área ardida no mesmo período.carlos.ferro@dn.pt. Fogo em Chaves com frente ativa é combatido por quase 200 operacionais