António Leitão Amaro tem sido ouvido ao longo da manhã desta quarta-feira na Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.
António Leitão Amaro tem sido ouvido ao longo da manhã desta quarta-feira na Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.Foto: Leonardo Negrão

Leitão Amaro diz que "o problema não são os imigrantes" mas "a esquerda e a "teimosia em negar a realidade"

O ministro da Presidência foi ouvido no Parlamento, tendo vincado dados recentes do INE que dão conta de um aumento da população como resultado de fluxos migratórios. O ministro atacou o PS por políticas passadas, estentendo as críticas à geringonça.
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Na audição regimental na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, esta quarta-feira, 1 de julho, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, voltou a apresentar a imigração como o eixo central da sua leitura sobre a pressão demográfica na capacidade do Estado, apontando os anos de governação socialista como um período de “fluxos imoderados”, “portas escancaradas” e “abolição de instâncias de controlo”, insistindo que o país recebeu um aumento populacional para o qual “não foi preparado”. O ministro, numa resposta ao deputado do Livre Paulo Muacho, garantiu que a culpa não é dos imigrates, mas da esquerda.

Esta narrativa já tinha sido vincada esta semana, quando, na segunda-feira, o porta-voz do PSD, Sebastião Bugalho, tinha anunciado que a bancada social-democrata iria avançar com audições parlamentares para apurar responsabilidades da anterior governação do PS, considerando que dados revelados a 22 de junho pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) davam conta de que o número de estrangeiros duplicou entre 2021 e 2025, passando de 7,1% para 14%.

Agora, Leitão Amaro voltou a associar o crescimento da população estrangeira à pressão sobre habitação, saúde, educação e serviços públicos, afirmando que a anterior política migratória criou “vítimas” entre portugueses e imigrantes, pela incapacidade de resposta do Estado.

O ministro da Presidência defendeu que a estratégia atual assenta num modelo “regulado e humanista”, que reforça a fiscalização, combate redes ilegais e estabiliza fluxos. Leitão Amaro argumentou ainda que o efeito do aumento dos imigrantes não resulta apenas da economia, mas também da lei, que contempla regras “muito fáceis” e ausência de controlo, o que teria atraído pessoas que procuravam sobretudo documentação.

Na fase de interpelação ao ministro, a deputada do PS Isabel Moreira contestou a narrativa, acusando o governante de construir um cenário de pânico e de recorrer a contas “mirabolantes” para dramatizar o impacto da imigração. 

Criticou a afirmação de Leitão Amaro de que, mantendo o ritmo de entradas entre 2022 e 2024, Portugal teria 2,2 milhões de imigrantes, classificando esta projeção como “ilógica” e contrária ao conhecimento básico sobre movimentos migratórios, que variam com ciclos económicos e necessidades de trabalho.

A deputada rejeitou também a ideia de “portas escancaradas”, qualificando-a como ofensiva para os próprios imigrantes. Sublinhou que estes não escolhem Portugal como quem procura “um bar aberto”, mas porque fogem de guerra, pobreza ou procuram trabalho em setores que os nacionais rejeitam.

Recordou ainda que o PS propôs alterações ao regime da manifestação de interesse e que o PSD não votou contra o visto de procura de trabalho, contrariando a narrativa de descontrolo absoluto.

Por seu turno, Paulo Muacho observou que os dados do INE não correspondem a nenhuma "alteração da realidade", como o PSD a apresenta, mas resulta "de uma alteração da metodologia de contabilização", até porque, sublinhou, "estas pessoas já cá estavam"

Além disso, acrescentou, "14% [de população estrangeira] é exatamente a média da União Europeia".

Perante esta observação, Leitão Amaro argumentou que "era tempo de perceber que o problema não são os imigrantes. O problema é a esquerda", que passa por uma "teimosia em negar a realidade"

"O problema é a receita que a esquerda usou e quer perpetuar", insistiu.

Em atualização.

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