O porta-voz do PSD, Sebastião Bugalho, afirmou esta quinta-feira, 29 de junho, na sede nacional do partido, que os dados recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre a população residente deixaram “perplexa” a sociedade portuguesa, ao revelarem que o número de estrangeiros duplicou entre 2021 e 2025, passando de 7,1% para 14%. Por esse motivo, o PSD vai avançar com uma série de audições parlamentares centradas nestes números, que, sustentou, demonstram que a política migratória do governo de António Costa teve impacto direto na crise da habitação e na pressão sobre serviços públicos como o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e a escola pública.Uma semana depois de ter sido apontado pelo líder do PSD, Luís Montenegro, para a dupla função de vice-presidente social-democrata e porta-voz do partido, Sebastião Bugalho acabou por justificar as falhas no Estado considerando que “agora é mais difícil responder” à crise nos serviços públicos, porque, até este momento, não havia “acesso ao número certo de população”. “É mais difícil responder à crise que enfrentamos na habitação, mas nós vamos responder a ela. É mais difícil responder à crise do SNS, mas nós estamos a responder a ela, devido aos números não fiáveis de população que o governo anterior perpetuou”, garantiu.Segundo dados divulgados pelo INE a 22 de junho, a população residente em Portugal atingiu 11.424.031 pessoas em 2025. Nesse ano, o país ganhou 36.809 residentes face a 2024, um crescimento de 0,32%, num movimento que continua a ser sustentado quase exclusivamente pela imigração. Entre 2021 e 2025, Portugal cresceu 824.914 habitantes, com aumentos excecionais nos anos de 2022, 2023 e 2024, “nos quais se verificaram fluxos migratórios excecionalmente elevados, traduzindo-se em acréscimos populacionais”, conclui o INE.“Com estes dados fica claro que a necessidade de devolver regras ao sistema migratório era uma evidência não relacionada com equilíbrios parlamentares ou governativos, mas antes com uma realidade concreta que o país enfrentava”, insistiu o também eurodeputado.Um dia antes de Sebastião Bugalho anunciar esta decisão do PSD, André Ventura tinha mostrado uma preocupação – no rescaldo da viabilização, por parte do PS, da criação da prestação social única (PSU) avançada pelo Governo, que teve o voto contra do Chega – relativamente ao diploma que será votado esta sexta-feira, no Parlamento, que prevê a perda acessória de nacionalidade para quem cometa crimes.“Se o PSD e o CDS-PP também mudarem nisso, significa que se estão a aproximar mais do Partido Socialista do que daquilo que é a visão do Chega, e isso obviamente tem consequências”, atirou. Por isso, ontem, com declarações da sede do Chega, André Ventura acabou por sustentar que PS e PSD têm responsabilidades iguais nos resultados divulgados pelo INE, lembrando o “Pacto para as Migrações e Asilo, aprovado na União Europeia, com os votos contra do Chega”.No entanto, Sebastião Bugalho acabou por sublinhar ontem que o parceiro preferencial do PSD para negociar medidas é “o povo português” e não nenhum dos partidos da oposição.“Foi por isso que o Governo da AD, desde 2024, acabou com a política de manifestação de interesse, instituiu uma estrutura de missão que resolveu centenas de milhares de processos pendentes, criou a Unidade de Estrangeiros e Fronteiras na PSP e alterou as leis da imigração, da nacionalidade e do retorno”, sustentou o porta-voz social-democrata para justificar as decisões que o Governo tomou sobre imigração desde que assumiu funções em 2024. “Não para agradar a ninguém, ao contrário do que tantas vezes foi dito, mas para resolver uma crise que quem nos antecedeu nos deixou a todos”, atirou, acrescentando, porém, que “o único modo de salvaguardar uma forma moderada e humanista de tratar este tema tantas vezes alvo de aproveitamento político é com dados, informação e ação política”.Numa ação inserida nas jornadas parlamentares socialistas, o líder do PS, José Luís Carneiro, disse esperar do Governo uma “inversão de marcha”, porque “está em contramão numa autoestrada e em grande velocidade, o que só pode dar mau resultado”. Com esta resposta, o líder do PS simultaneamente afastou a ideia que de os socialistas estão numa nova fase de relacionamento com o Governo, depois da viabilização da PSU, mas também colou ao Executivo de Luís Montenegro ao Chega, por escolher fazer “manobras ideológicas” que o aproximam do partido de André Ventura.Na sua intervenção, Sebastião Bugalho ainda adiantou que José Luís Carneiro deverá ser chamado ao Parlamento, dada a sua responsabilidade na extinção do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, tendo em conta que na altura era ministro da Administração Interna.."Em nome da transparência", o PSD vai avançar com audições parlamentares sobre imigração.Hugo Soares diz que "não se importa" sobre ser visto como "populista de direita" pela regulação da imigração.Debate quinzenal. Montenegro não dá apoio a ninguém e só PS evitou perguntar-lhe o porquê