A apreciação parlamentar, na semana passada, do decreto-lei com que o Governo criou o regime de apoios sociais e lay-off simplificado para as zonas atingidas pela tempestade Kristin foi levada ao Parlamento por Livre, PCP e Bloco de Esquerda, passou no hemiciclo e baixou à Comissão de Trabalho, Solidariedade e Segurança Social. No entanto, o Partido Socialista inviabilizou todos os projetos de lei apresentados pelo Bloco de Esquerda, que fixou o agendamento do debate, abstendo-se na votação para apoios adicionais às vítimas do mau tempo - o que permitiu a PSD e CDS fazerem valor os seus votos contra. Ao DN, José Manuel Pureza registou estranhar a posição. “Parece-me muito surpreendente que o PS ache que quem teve a sua casa destruída ou que quem ficou com a casa inabitável tenha de pagar IMI. Fico extraordinariamente surpreendido. Com a direita não fico tanto. Se o PS faz da coesão e justiça social bandeiras, abster-se em propostas destas, como não pagar IMI, é surpreendente”, responde, afirmando que na questão do lay-off o PS “quis estar do lado certo e tentou evitar que as pessoas sejam duplamente penalizadas.”Na entrevista ao DN em dezembro, a primeira como coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza realçou querer construir pontes no Parlamento. Sobre se esta posição de abstenções sucessivas do PS afetou o relacionamento, o conimbricense é mais enigmático. “Registamos quais são as escolhas, não nos esquivamos a nenhum diálogo para garantir a decência, mas não seremos nós a começá-lo [o diálogo]”, explica.Pureza saiu da reunião com Luís Montenegro na última quinta-feira elogiando a postura “cordial”, antevendo ser “crível a necessidade de um orçamento retificativo” e a vincar que a questão do lay-off “não viola a lei- travão”, considerando isso um “argumento ínfimo, um subterfúgio”. “Termos défice ou superavit é uma questão de avaliação. Têm de ser dadas as respostas à população. Por vezes, temos contas positivas e esse dogma do superavit, mas desinvestem-se em serviços públicos. Importante é fazer a escolhas certas”. O Bloco apresenta agora um programa com quase seis dezenas de medidas direcionadas ao impacto climático, depois de Pureza percorrer a região de Coimbra e Leiria. “Levámos um pacto para o clima com nove eixos, de políticas públicas. Queremos acelerar o processo de obtenção da neutralidade carbónica até 2045 [está definido como meta do país fazê-lo até 2050], combinando isso com a Agricultura, no aproveitamento hidrológico, mas também no repensar na razão para que várias infraestruturas críticas tenham falhado”, aponta, lembrando os “diques abandonados em Coimbra” ou a falta de autonomia energética. .José Manuel Pureza: "A ministra da Administração Interna já não o devia ser".Lay-off a 100% baixa à especialidade e PS ajuda a chumbar mais apoios.José Manuel Pureza fala em convergência entre partidos e sindicatos para "mobilização" que trave a lei laboral