José Luís Carneiro foi o único candidato à sucessão de Pedro Nuno Santos e já foi reconduzido este sábado.
José Luís Carneiro foi o único candidato à sucessão de Pedro Nuno Santos e já foi reconduzido este sábado.Foto: António Pedro Santos / Lusa

José Luís Carneiro eleito por pouco mais de 20% dos militantes do PS

Das quase 100 mil pessoas vinculadas ao partido, apenas 37 mil estavam elegíveis para votar. Ainda assim, Carneiro é reconduzido com maior percentagem do que quando foi eleito em 2025.
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José Luís Carneiro foi candidato único às eleições de secretário-geral do PS e saiu reconduzido no cargo. Naturalmente, por ser o único a concurso, existe tendência para que este tipo de eleição não seja tão participada como outras, no entanto é assinalável que dentro de um lote de perto de 100 mil militantes, pelo que o DN apurou junto de fontes do Secretariado Nacional, menos de 38 mil estivessem elegíveis para votar.

Assim, este é o número dos militantes que podiam participar na eleição, tendo as devidas quotas regularizadas. Contas feitas, num valor de participação de 53%, Carneiro somou um pouco mais de 20 mil votos, ou seja, foi eleito por pouco mais de um quinto dos militantes.

Ainda assim, saiu reforçado tanto em votos como em percentagem de participação. Em 2025, após a saída de Pedro Nuno Santos, alcançou pouco mais de 16 300 dos 17 100 votantes, acumulando 95,4%. A taxa de participação, porém, ficou nos 45,8%, quase 8 pontos percentuais abaixo do que agora se registou. Assim, reforçou efetivamente a margem, mas não propriamente a base eleitoral.

Na eleição anterior, Pedro Nuno Santos tinha somado 24 080 votos, correspondentes a 62%. Mesmo que em 2023 tenha batido Carneiro, que acumulou 36%, com 14 868 votos, a participação eleitoral teve, juntando os 382 de Daniel Adrião, pouco mais de 39 mil votos. Apesar de ser mais concorrida do que as duas últimas com candidatos únicos, é de assinalar que o PS, com uma base estimada a rondar os 100 mil militantes, não ter conseguido nunca superar a fasquia dos 40 mil eleitores nos últimos anos.

O próprio José Luís Carneiro apesar de se dizer mais legitimado eleitoralmente colocou na moção estratégica a necessidade de reformar estatutos e aproximar militantes das decisões do partido e aumentar a participação neste.

Em casos recentes, é de mencionar que a militância ativa também não tem sido nota dominante noutros partidos. Do universo de perto de 10 mil filiados do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, por exemplo, só teve eleição via 10% destes, sendo que apenas representaram 475 votos. No PAN, apesar dos 100% da vitória em dezembro, Inês de Sousa Real contou com apenas 69 militantes num universo de 72 delegados. Faltam números concretos no PAN, apesar de terem sido notadas as quebras de várias filiações. Também no PS 65 deixaram de eleger delegados por não terem 100 militantes para conseguirem representação.

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