Na reunião de Comissão Política Nacional do PS de terça-feira à noite, José Luís Carneiro fez um balanço das Presidenciais e garantiu aos socialistas presentes que haverá equidistância entre o Palácio de Belém e o Largo do Rato, salientando o caráter independente de António José Seguro, tal como o DN antecipara na edição desta quarta-feira (pode ler aqui). Esse compromisso está firmado entre os dois, apesar de partilharem ideologia política e convicções como na recusa da revisão da Constituição e o combate a uma reforma laboral desequilibrada. O "pressuposto fundamental" é a separação de poderes.Apesar disso, os socialistas acreditam que o resultado eleitoral e a rejeição em larga escala do povo português a André Ventura deve fazer com que Luís Montenegro reflita e procure acordos mais ao centro. "Espero agora, que, com o contributo que o futuro Presidente da República recentemente eleito e que tomará posse no dia 9 de março, o Governo possa responder às propostas que o PS tem vindo a fazer ao longo destes meses", disse aos jornalistas à entrada, repetindo a ideia de que a falta de convergência "não se deve à falta de vontade do PS."Assim tem sido na Habitação, emergência médica e administração interna, matérias onde o PS tem procurado pactos de regime e medidas de coesão conjuntas, sem efeito, porém.O secretário-geral do PS repetiu que a vitória de Seguro foi "da democracia, dos humanistas e dos que defendem a Constituição", expressando, naturalmente, a satisfação pelo resultado que recoloca o partido em Belém 20 anos depois.Sabe o DN que na reunião foi abordado o crescimento eleitoral do Chega ao longo dos anos e que o PS deve encontrar respostas na sociedade, principalmente fora dos centros urbanos, para poder recuperar eleitores dessa mesma base. Quanto à Administração Interna, o PS já tinha deixado claro que via "um Governo insensível" e que a "falta de resposta adequada não pode ser apenas imputada à ministra."Na Comissão Política Nacional foram debatidas questões burocráticas, até porque haverá Congresso em Viseu, em março, no qual José Luís Carneiro é recandidato e, para já, sem oposição interna.