A assinatura da Declaração do Porto, um documento em que os Patriotas pela Europa, grupo de partidos de direita radical que têm a terceira maior bancada do Parlamento Europeu, condenam a “pressão unilateral” da Comissão Europeia para impor energias renováveis, permitiu a Jordan Bardella e André Ventura anteciparem um futuro próximo em que contam governar França e Portugal.“Espero que tenhamos hipóteses de trabalhar juntos contra o Green Deal, o grande pacto de retrocesso da Europa”, disse Bardella, que preside os Patriotas pela Europa e lidera as sondagens relativas às presidenciais francesas de 2027, às quais não se pode recandidatar Emmanuel Macron, que derrotou duas vezes Marine Le Pen, anterior líder do Reagrupamento Nacional. Na conferência de imprensa em que foram reveladas conclusões do encontro “Patriots Study Days - Energia, Território e Soberania”, Bardella disse que Ventura “merece ser o próximo chefe de governo de Portugal”, sublinhando a convergência entre os partidos. “Falamos a mesma língua. Eu não falo português, mas falamos a língua do patriotismo, da soberania e da Europa das Nações”,disse o jovem político francês, que aos 30 anos lidera o “primeiro grupo da oposição às políticas de Ursula von der Leyen”.Ventura retribuiu os elogios a Bardella, “com grande possibilidade o próximo presidente de França”, antes de apresentar o Patriotas pela Europa como “grande aglomeração de forças patrióticas” que formam o “grupo mais forte, mais dinâmico e mais ambicioso ao nível da União Europeia”. O lider do Chega referiu-se ao tema do encontro, realizado num hotel do Porto, apresentando a soberania energética como “uma questão de civilização”, tão importante para a sua família política quanto a luta contra a corrupção e a imigração”, que são as prioridades com que a direita radical é mais conotada. Antes disso, Bardella criticara socialistas e macronistas pelas “políticas de imigração totalmente loucas e desreguladas”, que o líder do Reagrupamento Nacional francês disse contribuírem para “desestabilizar equilíbrios” nos países da União Europeia, com os “costumes, valores e cultura a serem postos em causa”.Absoluta sintonia entre os líderes da direita radical francesa e portuguesa verificou-se nas críticas à desindustrialização e a uma “política de subjugação e dependência” da União Europeia em relação aos Estados Unidos, à Rússia e à China. Nesse sentido, Ventura referiu que “a Rússia não tem estado no caminho certo” e acrescentou, numa crítica a Vladimir Putin, que “sabemos que quem dirige a Rússia não está no caminho da democracia”. Pelo contrário, apresentou o Chega como um partido “da direita dos que trabalham”. .Soberania energética traz Patriotas ao Porto e junta Ventura a Bardella.Patriotas pela Europa contestam "pressão unilateral" da Comissão Europeia a favor das energias renováveis