João Soares considera que a vitória de António José Seguro nas Presidenciais de 2026 representa “um ato de justiça em relação a António José Seguro, um homem com uma vida pública exemplar”, mas sublinha que se trata, acima de tudo, de “um resultado muito importante para o país”. Em declarações ao DN, o socialista realça ainda a mobilização eleitoral, classificando-a como “uma participação belíssima dos portugueses”, que, disse, é “prova da vitalidade da nossa democracia, num contexto muito difícil”, marcado pelas devastação provocada pelas tempestades que assolaram o país. Apoiante de Seguro desde a primeira hora, João Soares entende que a escolha do agora Presidente eleito é, também, “um ato de justiça” perante as críticas e resistências internas que, no início, surgiram no seio do PS em torno do nome que acabaria mesmo por ser apoiado pelo partido. Para o antigo governante, “também nesse plano”, a vitória constitui “uma afirmação do valor da dignidade humana”, num recado claro a quem tentou desvalorizar ou deslegitimar a candidatura. “Houve uma série de pessoas do PS que, no início, tiveram posições inacreditáveis”, afirma, acrescentando que agora “devem estar bastante arrependidas dos disparates que disseram”. Ainda assim, relativiza o assunto: “Isso agora não tem importância nenhuma, já passou. É o habitual.”O dirigente não hesitou no apoio. “Estou com António José Seguro desde ainda antes do anúncio da candidatura”, disse ao DN em julho de 2025, reiterando na altura que foi um apoio “firme, convicto e entusiasmado”. A razão, explicou, prende-se com aquilo que considera ser a preparação e o perfil político do vencedor: “Não vejo ninguém no partido mais bem colocado para representar e dar corpo a uma candidatura de esquerda”, afirmava numa altura em que a corrida ainda se desenhava e o debate interno estava longe de estar pacificado.João Soares fez questão de estar presente em Caldas da Rainha, domingo, 8 de fevereiro, para assistir ao discurso de vitória de António José Seguro. Para o novo ciclo em Belém, deseja que Seguro mantenha “a serenidade de que tem dado prova ao longo da sua vida”, aliada a “convicções firmes nos valores da democracia, nos valores constitucionais”, e a capacidade de exercer “uma intervenção firme, serena e discreta”.Quanto ao facto de Seguro ter batido o recorde de votos de Mário Soares nas eleições de 1991, João Soares não esconde a satisfação e recusa qualquer leitura desconfortável por razões familiares ou históricas. “Claro que não me importo nem incomoda nada, pelo contrário. Estou muito feliz com esta vitória”, afirma, vendo no resultado uma validação inequívoca do candidato e do caminho seguido.Sobre André Ventura - alguém a quem atribuiu “um problema de megalomania, despudor, populismo e egocentrismo” -, João Soares considera que, apesar de poder “ser mais reduzido”, o resultado ficou “claramente abaixo daquilo que ele queria”..Uma noite tão emotiva como rápida acabou com "20 anos de porrada".Dos pactos de regime à gestão do equilíbrio parlamentar. Seguro entra em Belém já com caderno de encargos