Em novembro do ano passado (2025), disse que a vitória autárquica em Viseu não foi partidária e que teve a ver com os anos que esteve em Mangualde. O que quis dizer com isto? Que foi uma vitória histórica, é um facto, e nós conseguimos ganhar a Câmara porque apresentámos um projeto e listas que representam a sociedade civil em toda a sua abrangência. Ou seja, mais do que de partidos foi efetivamente uma vitória de milhares e milhares de pessoas que quiseram fazer uma mudança por razões da alternância política, de novos projetos e de novas figuras. Portanto, foi uma vitória das pessoas, da sociedade civil, que me deram a honra de poder liderar um projeto político para os próximos anos.Tendo isso em conta, e porque efetivamente obteve uma vitória histórica inédita no PS, em Viseu, como é que olha para a liderança de José Luís Carneiro, nas vésperas deste congresso que vai acolher na cidade? Sente que o partido está alinhado com a visão que defendeu na campanha ou está afastado da realidade local? O secretário-geral do Partido Socialista, o candidato único à liderança do PS, tem uma característica que toda a gente, ou que a maioria das pessoas conhece: já foi presidente de câmara. Tendo sido já presidente da câmara durante três mandatos, ou tendo sido eleito em três mandatos consecutivos, representa claramente que tem conhecimento da estrutura societária, da base da sociedade civil, do poder local, para lhe poder dar experiência e conhecimento para poder ser um grande primeiro-ministro. José Luís Carneiro já passou por todas as etapas, já foi secretário de Estado, já foi ministro, já foi deputado, já foi chefe de gabinete. À exceção de ter sido presidente de junta, já passou por todas as etapas. Tem um grau de conhecimento e de experiência que nos garante, a todos nós, que teremos um grande primeiro-ministro de Portugal. Ainda assim, o PS tem vivido anos de desgaste que se refletem na perda de ligação a vários eleitorados. A sua vitória em Viseu é uma exceção? Ou acredita que o partido, sob a liderança de José Luís Carneiro, está realmente a encontrar um caminho de credibilidade? As pessoas fazem os partidos, fazem as terras, fazem as coletividades, fazem os projetos. Isso tem muito a ver também, não só com a questão ideológica, a questão da matriz ideológica, de uma estrutura ideológica e um ensaio regulamentar e estatutário que nos permite ter aqui base daquilo que nós defendemos. Isso é obrigatório. Dizer e fazer. E depois há a questão das pessoas, quer dizer, as pessoas fazem a diferença. E neste caso eu acho que o Partido Socialista esteve muitos anos na liderança do Governo, durante oito anos. São fases da democracia, que está num processo dinâmico muito forte. Agora é a vez do Partido Socialista estar na oposição, mas há uma coisa de que tenho a certeza: o Partido Socialista, por razões do número de câmaras, do número de juntas de freguesia, do número que teve em exercícios de funções governativas, dá a garantia de, em termos de quadros técnicos e quadros de experiência política, ser o partido que neste momento tem mais quadros na sociedade civil que podem garantir localmente ao país os melhores programas, os melhores enquadramentos e as melhores lideranças. Ainda assim, de facto, algo mudou, tendo em conta a expressão parlamentar. Sente que este PS está preparado para o desafio?O Partido Socialista já passou por fases muito difíceis. Na década de 80, na década de 90. É preciso andar para trás para vermos. Estamos preparados para exigir dos nossos militantes, dos nossos dirigentes, qualidade, competência, respeito, sentido de Estado, sentido ético, e isso é a nossa matriz. Quanto aos outros partidos, em democracia temos de respeitar aquilo que são as votações de sufrágio universal. Percebemos também aqui que houve mudanças nos últimos anos que consolidaram outro tipo de projetos políticos no país, com todo o respeito, mas, efetivamente, continuo a dizer que, no plano nacional e no plano local, o Partido Socialista é o partido que mais consegue apresentar quadros dirigentes e quadros autárquicos que possam garantir a melhoria da vida das pessoas e o desenvolvimento dos territórios. .José Luís Carneiro já passou por todas as etapas, já foi secretário de Estado, já foi ministro, já foi deputado, já foi chefe de gabinete. À exceção de ter sido presidente de junta, já passou por todas as etapas. Tem um grau de conhecimento e de experiência que nos garante, a todos nós, que teremos um grande primeiro-ministro de Portugal.""Criar condições e criar um discurso que seja eficaz e que concretize políticas públicas que possam criar a esta nova geração a esperança de poder ficar em Portugal". Voltando um pouco atrás, ainda sobre a sua vitória histórica, sente que Viseu, neste momento, é uma peça estratégica nacional do partido? Viseu, por si só, já é uma peça estratégica para o país. É uma capital de distrito, uma cidade e um concelho pujante, com uma marca territorial muito forte. Vai liderar esta região com grande firmeza, com solidariedade, com boas relações com os autarcas aqui à volta, com toda a estratégia do poder local nesta região. Está a fazê-lo, vai fazê-lo, com grande respeito e solidariedade pelos territórios, mas vai assumir a sua liderança, vai ter que assumir essa responsabilidade, está a assumi-la, para puxar por este território. Viseu forte traz uma região forte e, portanto, nós queremos que Viseu seja muito forte e não ser uma liderança, como foi no passado, com a mão por cima a esmagar, sem respeito por esta região. Viseu tem a obrigação e a responsabilidade de liderar com muita força, puxar por tudo e por todos, mas sempre com respeito pelos concelhos aqui à volta. Qual é que se sente que é o maior desafio, tanto para José Luís Carneiro como para o PS, neste momento? O maior desafio é termos uma narrativa que recolha novamente a confiança dos portugueses. O Partido Socialista já teve a narrativa do Serviço Nacional de Saúde, já teve a narrativa da liberdade, já teve a narrativa, e tem, da saúde, da liberdade, da Constituição, da integração na União Europeia, da educação, do desenvolvimento do território, e tem que se afirmar por uma narrativa que vá de encontro às pessoas, aos territórios. É preciso termos uma narrativa que vá ao encontro dos jovens, do futuro dos jovens, enquadrar os jovens em Portugal com mais emprego, com emprego qualificado, dando condições para que eles consigam estar em Portugal, sendo mais competitivos, sendo mais produtivos e sendo mais bem remunerados. Criar condições e criar um discurso que seja eficaz e que concretize políticas públicas que possam criar a esta nova geração a esperança de poder ficar em Portugal e não ter que ficar em casa. Há cerca de 150 mil jovens que estão em casa sem trabalhar e sem estudar, e olham para a vida no dia a dia, sobrevivem ao dia a dia, não têm esperança. Olhar para aqueles centenas de milhares de jovens que saíram do país e que neste mundo global estão espalhados pela Europa e pelo mundo a ter uma profissão, a ter a sua atividade profissional fora do país e que, naturalmente, possamos traduzir isso num país mais forte. Isto não é romantismo, é naturalmente uma posição pragmática de quem todos os dias tenta melhorar a vida das pessoas e o território que governa. Sente que a moção apresentada por José Luís Carneiro está completamente alinhada com a sua estratégia para o município também? Naturalmente, são questões distintas. Uma coisa é o olhar nacional, outra coisa é o olhar local. Há uma coisa de que tenho a certeza: os contratos locais de desenvolvimento são fundamentais. Aquilo que o secretário-geral defende são os contratos locais de desenvolvimento, e Viseu aparece como uma das capitais desses contratos. Para mim é uma grande satisfação porque, ao fim e ao cabo, estamos a organizar o território com contratos diretos do Governo para com o território, no seu desenvolvimento, na sua transformação, na capacidade de investimento, para poder liderar uma região. Viseu foi uma opção do secretário-geral [para o Congresso], uma opção nessa estratégia dos contratos locais de investimento e é uma opção do secretário-geral na escolha do congresso em Viseu. É a primeira vez que acontece um Congresso do Partido Socialista em Viseu, em mais de 50 anos e, portanto, para mim é uma grande satisfação, naturalmente, poder acolher este congresso em Viseu e, naturalmente, também dar um grande apoio a José Luis Carneiro como secretário-geral do Partido Socialista..É preciso termos uma narrativa que vá ao encontro dos jovens, do futuro dos jovens, enquadrar os jovens em Portugal com mais emprego, com emprego qualificado, dando condições para que eles consigam estar em Portugal, sendo mais competitivos, sendo mais produtivos e sendo mais bem remunerados.""A questão da segurança é que é fundamental. Estamos a ter aqui um grande investimento na segurança das pessoas e bens, com aumento exponencial de recursos humanos na área da Polícia Municipal e da Proteção Civil". Em relação aos contratos de desenvolvimento territorial, como falou, considera que Viseu tem condições para beneficiar deste modelo? Que prioridades deverão ser defendidas a nível regional? São tantas que é importante recuperar o tempo perdido. Nós temos aqui algumas limitações a ver com a mobilidade ferroviária. É um dos grandes objetivos que nós temos. A questão da habitação é decisiva. A questão dos serviços públicos, captar a capacidade de serviços públicos no território serem restribuídos não só na zona, na litoralidade ou nos grandes centros, mas também em Viseu. A questão da saúde está a ter uma dinâmica forte, mas que é preciso ir mais longe. Na questão das rodovias, a questão do IP3 é fundamental ser concretizada com rapidez. E na questão da formação, nós temos que ter rapidamente em Viseu uma resposta de formação superior na academia que possa atrair cada vez mais alunos para Viseu. Manter os que cá estão, os que nascem cá, tem que ter a certeza que quando quiserem ir para um ensino superior possam ter aqui a resposta adequada com diversidade da oferta informativa, que é fundamental. E depois, ao mesmo tempo, ter aqui condições de que as famílias possam considerar que essa aposta do futuro também. Para quê? Para termos mais jovens a ficar cá nesta região. Vou dar-lhe um caso concreto. Por exemplo, em Viseu, na matéria das bolsas do ensino superior, ainda agora tivemos um aumento exponencial de candidaturas de apoio às bolsas do ensino superior. É sinal de que as pessoas estão mais atentas, que querem incentivar que os seus filhos, os seus netos, possam ter mais formação, portanto é esse o nosso grande objetivo. Há uma pluralidade de investimentos muito importantes para a região, que vai desde as infraestruturas básicas até à qualidade do novo emprego, das novas tecnologias, da oferta de emprego que é fundamental, da oferta da educação que é fundamental, da oferta da saúde que é fundamental, por isso uma pluralidade enorme de investimentos têm que ser feitos. E só se faz com uma Câmara cheia de energia, uma Câmara com grande dinamismo e também o Governo naturalmente a participar nesse investimento. Na segurança, na proteção civil, a questão da segurança é que é fundamental. Estamos a ter aqui um grande investimento na segurança das pessoas e bens, com aumento exponencial de recursos humanos na área da Polícia Municipal e da Proteção Civil, a criação de novas equipas de intervenção permanente dos bombeiros, com a criação de novas infraestruturas através do Centro de Emergência Alternativo, ou seja, há aqui uma série de projetos que têm que ser obrigatoriamente confirmados para que este território seja mais forte. A questão do INEM, com a vinda do helicóptero do INEM para cá, que já está a ser feito hoje o hangar de acolhimento do helicóptero do INEM, que já cá está em Viseu, ou seja, coisas que obrigatoriamente têm de acontecer e estão a acontecer. Agora há uma pressão extraordinária motivada pela guerra no Medio Oriente. Concorda completamente com as medidas que estão a ser propostas pelo PS? Acha que o Governo deveria apresentar um Orçamento Retificativo? A questão da execução orçamental depende muito daquilo que é a visão que o Ministério das Finanças tem. E tudo aquilo que é acompanhado pelo Conselho de Ministros. Eu não quero estar a fazer nenhuma declaração política sobre essa matéria, porque a nossa preocupação tem a ver com o facto de, neste momento, haver um aumento exponencial do custo de vida, especialmente pelos combustíveis. E isso não é uma preocupação de hoje, é uma preocupação de sempre. Já existiram crises profundíssimas em que o aumento das combustíveis foi sempre um drama. Está a acontecer esse drama. Aliás, as medidas compensatórias que podem começar a aparecer ou o pedido de medidas compensatórias que podem começar a surgir podem levar efetivamente a uma rectificação orçamental, uma alteração orçamental, a uma revisão orçamental. Mas eu deixava isso, especialmente, para quem hoje acompanha naturalmente a execução orçamental. Há uma coisa que eu tenho a certeza: o Governo tem que estar muito atento àquilo que é a vida das pessoas e, portanto, tem que arranjar soluções financeiras para acompanhar este desequilíbrio, este afundanço da economia e um afundanço que tem muito a ver com decisões que não nos dizem respeito, mas que nos afetam diretamente. Na moção de José Luís Carneiro, há uma aposta muito grande na transição verde e digital como um motor de competitividade. Sente que é fundamental mais do que nunca, precisamente como resposta à crise agravada pela guerra no Médio Oriente? Não tem só a ver com a crise e com a guerra. Tem a ver com as adaptações climáticas, com tudo aquilo que tem acontecido e que nós, por vezes, só nos lembramos quando acontece. Portanto, esse empenhamento por parte da moção no sentido de ir à procura de soluções que protejam o ambiente, que vão contrariando algumas medidas que foram aplicadas nas últimas décadas, de forma a melhorar a vida das pessoas, a ter alternativas energéticas mais baratas, que não ponham a dependência de um Estado português da forma como está dependente, mas também relativamente àquilo que é o contributo. Cada um de nós, cada cidadão e cada Estado e cada município deve contribuir para a modificação face às alterações climáticas. Nós temos essa obrigação cada vez mais, aliás, isso é uma função neste momento, quer de um presidente de câmara, quer de um governante, de um deputado, de um pai ou de uma mãe ou do avô ou de uma avó, perante os mais jovens. É a nossa obrigação..Há uma coisa que eu tenho a certeza: o Governo tem que estar muito atento àquilo que é a vida das pessoas e, portanto, tem que arranjar soluções financeiras para acompanhar este desequilíbrio, este afundanço da economia e um afundanço que tem muito a ver com decisões que não nos dizem respeito, mas que nos afetam diretamente.""O Governo tem que estar muito atento àquilo que é a vida das pessoas e, portanto, tem que arranjar soluções financeiras para acompanhar este desequilíbrio".Jorge Pinto: “Uma revisão constitucional feita só com a direita e a extrema-direita é uma possibilidade de golpada”.Luís Parreirão: “Perturba-me esta vertigem de afirmar divergências a 48 horas do Congresso”