Fátima Amorim assumiu o mandato de presidente da Câmara de Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira, há sete meses, através do PS, que no concelho arrecadou 56,32% dos votos. Agora, recebe António José Seguro para as comemorações do Dia de Portugal, tal como o Presidente da República prometera, atribuindo a esta data um “duplo significado”, explica ao DN a autarca. . Sobre a cooperação institucional - porque é disso que estamos a falar quando, de repente, o Dia de Portugal é comemorado na Ilha Terceira -, como é que a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo articulou os seus próprios objetivos culturais com a visão e o programa da Presidência da República? Foi uma articulação que correu muito bem, porque nós tínhamos um programa que ia decorrer a partir de dia 19 de junho, com as festas do concelho, mas tentámos antecipar toda a organização para estarmos prontos para comemorar o 10 de Junho. Agora, temos a cidade pronta para as duas ocasiões: o 10 de Junho e as Sanjoaninas. Mas foi uma articulação perfeita, porque sempre tivemos uma excelente articulação com a Presidência da República. Fomos contactados pela Presidência da República e pelo senhor Presidente para que as comemorações acontecessem na Ilha Terceira e é uma honra recebê-lo e comemorarmos, neste caso concreto em Angra do Heroísmo, mas também na Praia da Vitória.Sente que haverá um impacto imaterial ou material destas comemorações a médio e longo prazo? Eu sou da opinião que sim, porque, além de ser a comemoração do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, uma data extremamente importante para nós, portugueses, é também uma semana muito especial porque a Ilha Terceira vai ser visitada por muitas pessoas. Vamos ter vários embaixadores na Ilha Terceira, assim como várias personalidades, importantes também do ponto de vista económico e de promoção do próprio concelho e da própria ilha. Eu acredito que terá um impacto muito positivo na ilha.Mesmo a nível turístico.Sem sombra de dúvida. Nós estamos no fundo a projetar para o exterior a nossa região e o arquipélago. Pretende aproveitar este momento de diálogo privilegiado com o Presidente da República para sensibilizar o poder central face à necessidade de novos investimentos e reconversões para a infraestrutura que é a Base das Lajes? Isto é um trabalho que todos os dias realizamos com o Governo Central, porque é necessário, não só a nível da Base das Lajes, mas também a nível de outros serviços que existem na região e que é necessário haver aqui uma atenção por parte do Governo da República nesses mesmos serviços, em termos de edifício, em termos de recursos humanos, eu acho que é importante. E estas comemorações também são uma maneira de estarmos todos juntos e podermos falar também sobre essas questões. Ultimamente tem sido uma preocupação para si, a Base das Lajes?Um cenário de guerra é sempre preocupante para todos nós. Mas também estamos a verificar a importância geoestratégica da Base das Lajes neste cenário que nós vivemos, embora continue a dizer que era melhor estarmos todos em paz. Agora, não se pode só recordar os Açores nesses tempos, nós temos de recordar os Açores sempre como um espaço de grande importância em termos geoestratégicos. Por isso, nesta altura os Açores são muito falados, mas não deve ser só nesta altura, deve ser em todas as alturas, porque é um território muito importante para Portugal. E já o foi e se nós lermos a história de Portugal os Açores foram um ponto muito importante em termos históricos para Portugal. Por isso, mais uma vez, estão a ter muita importância para os Estados Unidos. Seria importante também aproveitar este momento - eu não sei se pensou nisto ou não - para criar condições para o regresso de emigrantes? Houve uma mensagem no fim de semana passado, entre o Presidente da República e o primeiro-ministro, de apelo ao regresso de emigrantes, que é algo muito paradigmático na Ilha Terceira, tal como é o contrário também, porque há uma importante comunidade norte-americana.Eu revejo-me neste apelo. É muito importante, quando fazemos uma visita ao exterior desta região, à diáspora, ao falarmos com os nossos emigrantes, fazê-los sentir a vontade que temos de que eles regressem para a sua ilha, e também para que os seus descendentes regressem aos Açores. Somos um arquipélago que perdeu população nos últimos Censos. Por isso, foi referido no domingo (7 de junho), no Luxemburgo, a importância do investimento mesmo desses emigrantes no nosso território, assim como a sua volta, caso assim o entendam, para o nosso território. Por isso, eu revejo-me completamente, tanto nas palavras do senhor Presidente da República como nas do senhor primeiro-ministro. É importante que eles sintam que nós queremos que eles voltem à sua região.De que forma é que vai ser assinalado o 10 de Junho? Vai ser mais centrado no protocolo oficial ou vai haver atividades desenhadas para uma participação da comunidade local?Na região Autónoma dos Açores estamos a viver um ano muito importante: a comemoração dos 50 anos da autonomia, e no primeiro mandato o senhor Presidente ter escolhido o arquipélago dos Açores para celebrar o 10 de Junho, o Dia de Portugal, acho que tem aqui um duplo significado também. Por isso, há aqui muitos momentos no programa de contacto com a população, de contacto com as instituições, de contato com as diversas autoridades, por isso não vamos centrar-nos no protocolo. Há um protocolo que tem que ser seguido, como é lógico, em todas as visitas oficiais, mas é importante todos os contactos que vão ser estabelecidos com as diversas entidades e com mesmo a própria população..10 de Junho. Depois do Luxemburgo a ilha Terceira para “homenagear as autonomias regionais”.As mensagens de Seguro no Luxemburgo: diáspora, inclusão, língua portuguesa e Europa no arranque do 10 de Junho