Entre os “notáveis” do PS vistos como possíveis alternativas à liderança de José Luís Carneiro, nenhum gera o tipo de entusiasmo associado a Duarte Cordeiro, com o antigo secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares e ministro do Ambiente a posicionar-se como alguém que está a conseguir fazer a sua presença cada vez mais notada.Apesar de o LinkedIn de Duarte Cordeiro o apresentar como estando a tempo integral na sua empresa Shiftify - Estratégias de Sustentabilidade, dedicando-se desde junho de 2024 à “articulação entre estratégia empresarial e políticas públicas para acelerar a transição e apoiar a adaptação das organizações a uma economia mais verde”, os militantes socialistas estão mais interessados naquilo que tem a dizer para ajudar o partido a criar condições, enquanto estiver na oposição, para regressar ao poder tão depressa quanto possível. Na qualidade de comentador no Canal Now, onde também aborda temas de política nacional, Duarte Cordeiro não se coibiu de dizer que “não faz sentido nenhum” que o PS “se vitimize ao ponto de dizer que já não vai falar com ninguém” por ficar de fora do acordo entre o PSD e o Chega para a eleição dos três juízes do Tribunal Constitucional pela Assembleia da República. Desafiado a antecipar o Congresso do PS, o antigo presidente da Federação da Área Urbana de Lisboa aconselhou o partido a “saber dissociar” essas eleições para os órgãos externos da importância de medidas e reformas que estão a ser tomadas pelo Governo de Luís Montenegro. E recordou a ênfase que o novo Presidente da República dá à estabilidade política, ao ponto de António José Seguro deixar claro que não é necessariamente essencial que o Orçamento do Estado seja aprovado, o que torna mais vãs ameaças de retaliação socialista quando esse processo se desenrolar.O paralelismo entre Seguro e Cordeiro fica evidente quando também o antigo secretário-geral do PS deu início ao percurso que o levaria ao Palácio de Belém ao assumir um espaço de comentário televisivo - na CNN Portugal -, sendo certo que as intervenções públicas enquanto figura da governação socialista encontram termo de comparação do outro lado do espetro político, no efeito disruptivo das aparições de Passos Coelho no Governo da AD.Sem o constrangimento das ambições do amigo Pedro Nuno Santos, e com experiência acumulada de secretário de Estado e diretor de campanha de António Costa, Cordeiro ganha preponderância entre os senhores que (eventualmente) se seguem a José Luís Carneiro. Mas também há senhoras, ainda que em condições menos favoráveis. Desde logo, Alexandra Leitão, derrotada por Carlos Moedas na tentativa de ser presidente da Câmara de Lisboa. E que se tem empenhado na oposição ao autarca da capital, a quem viu conquistar a maioria absoluta que não teve no primeiro mandato, com atribuição de pelouros a uma antiga vereadora do Chega. Ou Marta Temido, embora a antiga ministra da Saúde, tal como Ana Catarina Mendes, tenha o ónus da distância que o Parlamento Europeu implica. .Socialistas pedem a Carneiro para afirmar o partido com “ideias novas” para o país.Duarte Cordeiro: "Aos poucos, Seguro tem conseguido envolver os apoiantes e simpatizantes do PS".Congresso do PS avança apesar de críticas de militantes que apoiaram Seguro e até Carneiro