A concentração dos militantes sociais-democratas no Norte de Portugal, e sobretudo nos distritos do Porto e de Braga, voltará a ser muito evidente no Congresso do PSD, que se realiza a 20 e 21 de junho, no Velódromo de Sangalhos, no concelho da Anadia. Entre os 672 delegados com direito a voto que serão eleitos pelas concelhias do partido em Portugal Continental - aos quais acrescem 30 de cada uma das regiões autónomas, 18 nas comunidades portugueses e 210 indicados pelas organizações autónomas de jovens, trabalhadores e autarcas -, os cinco distritos acima do rio Douro e o de Aveiro bastam para somar 320. Mas a prevalência do eixo Porto-Braga-Aveiro, que só não monopolizam o pódio de distritos com maior número de delegados porque Lisboa-Área Metropolitana - tal como os socialistas, os sociais-democratas têm uma estrutura para concelhos em torno da capital e outra para a região Oeste -, é ainda maior do que isso na militância do partido que continuará liderado por Luís Montenegro.Acontece que na eleição de delegados, que vai coincidir com as diretas de 30 de maio, às quais não se apresentou nenhum interessado em disputar a liderança com o atual primeiro-ministro, todas as secções concelhias de Portugal Continental com pelo menos um órgão local ativo ganham automaticamente direito a eleger um delegado para o Congresso do PSD. Apesar de haver 41 concelhos em que tal não sucede, isso leva a que haja 237 delegados “garantidos” por outras tantas concelhias. . Entre os restantes 435 delegados ao Congresso do PSD, distribuídos consoante o número de militantes com direito a voto em cada uma das concelhias de Portugal Continental, a prevalência do eixo Porto-Braga-Aveiro torna-se ainda mais evidente. As concelhias do distrito do Porto terão mais 87 delegados, as do distrito de Braga mais 74 (até porque Barcelos e Vila Nova de Famalicão são a primeira e a segunda concelhias com maior número de militantes com as quotas em dia) e as do distrito de Aveiro somam 31. Levando ainda em conta Viana do Castelo (15), Vila Real (18), Bragança (12), Viseu (20) e Guarda (8), trata-se de um total de 265 delegados.Isso contrasta com o que acontece no resto do país, ainda que a disputa interna que houve no início deste ano pela concelhia de Coimbra tenha tido um efeito semelhante ao da corrida à distrital de Braga, em que o barcelense Carlos Eduardo Reis, retirado das listas de deputados pela liderança de Luís Montenegro, devido ao seu envolvimento na Operação Tutti Frutti, derrotou o eurodeputado famalicense Paulo Cunha, que procurava a reeleição para mais um mandato.É sobretudo por isso que o distrito de Coimbra tem mais 30 delegados ao Congresso pelo rateio do número de militantes, elevando o total das suas concelhias para 43, apenas ultrapassado a sul do Mondego pelos 70 delegados dos concelhos de Lisboa - Área Metropolitana, sobretudo devido a Lisboa, Sintra e Oeiras.Mesmo distritos tradicionalmente fortes para o PSD sofrem com o desequilíbrio geográfico na militância. É o caso de Leiria, cujos concelhos juntam 19 delegados aos 11 garantidos por haver órgãos concelhios a funcionar, e também de Santarém, que acrescenta apenas 11 delegados aos 14 relativos às secções com órgãos eleitos.Mas onde o problema se torna mais gritante é abaixo do rio Tejo. No distrito de Setúbal, o número de militantes ativos garante apenas mais 14 delegados além dos 11 eleitos por haver concelhias em funcionamento. E nos distritos alentejanos, que estão entre os que mais sofrem com a crise de militância, esse efeito é mais vincado. Entre as nove concelhias que estão a funcionar em Portalegre, serão apenas três os delegados suplementares que terão direito a voto no Velódromo de Sangalhos, enquanto no distrito de Évora haverá mais quatro e no de Beja mais dois. Mesmo o distrito de Faro, apesar da ligação do PSD ao Algarve, consolidada durante a liderança de Cavaco Silva, soma apenas mais 12 delegados aos garantidos pelas 15 secções concelhias em funcionamento.Para dirigentes sociais-democratas ouvidos pelo DN, está em causa “um problema estrutural” que alguns acreditam acarretar o risco de acentuar a noção de que o PSD poderá tornar-se “um partido regional”. Algo considerado preocupante devido à consolidação do Chega, que nas últimas eleições reforçou a sua votação em zonas como o Algarve, o Alentejo, a Península de Setúbal, a Área Metropolitana de Lisboa e o Ribatejo. Ao ponto de ter sido a força mais votada nos distritos de Faro, Beja, Portalegre e Setúbal, ficando ainda à frente da AD - mas atrás do PS - no de Évora. E de ficar muito perto da coligação de centro-direita em Santarém..Há 41 concelhos sem órgãos eleitos.A ausência de órgãos partidários eleitos leva a que não vá haver nenhum delegado ao Congresso proveniente de 41 concelhos, incluindo seis em que um social-democrata preside a autarquia. Assim sucede em Miranda do Douro, Vila Flor, Castro Daire, Peniche, Alcanena e Castelo de Vide, localidade onde todos os anos decorre a Universidade de Verão do PSD. A inexistência de estruturas locais é um problema generalizado no Alentejo, pois faltam seis no distrito de Portalegre, duas no distrito de Évora e nove no distrito de Beja. No entanto, verifica-se em todo o território nacional, do Alto Minho (Paredes de Coura) até ao Algarve (Monchique), passando pela Península de Setúbal (Alcochete) e pelo Ribatejo, ao ponto de faltarem órgãos eleitos em sete dos 18 concelhos do distrito de Santarém.